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zassu

19
Jun22

Versejando com imagem - À vaidade do mundo, de António da Fonseca Soares

VERSEJANDO COM IMAGEM

 

À VAIDADE DO MUNDO

nau-santa-maria4

É a vaidade, Fábio, desta vida

Rosa que na manhã lisonjeada

Púrpuras mil com ambição coroada

Airosa rompe, arrasta presumida;

 

É planta que de abril favorecida

Por mares de soberba desatada,

Florida galera empavesada,

Surca ufana, navega destemida;

 

É nau, enfim, que em breve ligeireza,

Com presunção de fénix generosa,

Galhardias apresta, alentos preza.

 

Mas ser planta, rosa e nau vistosa

De que importa, se aguarda sem defesa

Penha a nau, ferro a planta, tarde a rosa?

 

António da Fonseca Soares

(Frei António das Chagas)

Frei_António_das_Chagas

Frei António das Chagas (1631-1682), cujo nome secular era António da Fonseca Soares, era frade da Ordem de São Francisco. Filho de um juiz, participou na guerra da Restauração, escapando de ser condenado devido a um crime que cometera. É nesse período que se dedica à poesia, ganhando o cognome de Capitão das Boninas. Parte, entretanto, para o Brasil, regressando em 1656 e continuando a carreira das armas. Em 1663 deixa a vida militar e decide tomar ordens. Tornou-se pregador e fundou o seminário do Varatojo. O seu trabalho como pregador foi criticado pelo Padre António Vieira, que o achava excessivo e teatral. Dos tratados espirituais que escreveu destaca-se o “Tratado dos Gemidos Espirituais, vertidos de um pedernal humano a golpes de Amor Divino”. As suas cartas foram compiladas no volume "Cartas Espirituais" e os seus poemas foram publicados na Fénix Renascida.

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