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zassu

25
Mar20

Versejando com imagem - Não é fácil, Senhor, a vida que nos deste, António Cabral

 

VERSEJANDO COM IMAGEM

 

NÃO É FACIL, SENHOR, A VIDA QUE NOS DESTE

 

2018.-Vidago -  Parque do Palace Hotel (48)

Não é fácil, Senhor, a vida que nos deste.

Se há momentos serenos como lagos

inundados de sol,

também há a selva escura,

infindável e escura, de muitas horas

que cansam e fazem doer a alma.

 

Há longas esperanças que, depois

de levarem o melhor dos nossos sonhos,

desabam de repente.

Há o fracasso, o desânimo

e a insegurança de tudo quanto nos vem às mãos.

 

Não é fácil, Senhor, a vida que nos deste.

Luta-se muito, temos de lutar,

todos os dias, por qualquer coisa,

qualquer coisa que acaba por nos fugir,

como se a vida se reduzisse

a um puro jogo das escondidas,

como se nos criasses apenas

para te servirmos de passatempo.

 

Não é fácil, Senhor, a vida que nos deste.

Por isso, muitos corações

se vão assemelhando a pequenos pântanos

onde se desenvolve o limo da melancolia

ou a serpente do desespero.

Por isso as árvores do sonho

mal conseguem dar frutos

e os poucos frutos

deixam nos lábios um sabor a fel…

 

Não é fácil, Senhor, a vida que nos deste.

 

António Cabral, in Poemas Durienses

16
Fev20

Versejando com imagem - A amendoeira do cômoro, António Cabral

 

VERSEJANDO COM IMAGEM

 

A AMENDOEIRA DO CÔMORO

 

2020.- Alfandega da Fé (253)

A amendoeira do cômoro floriu.

Vamos, irmã, vamos ao campo:

Doce é o perfume

que entra, com sol, em nossa casa.

 

A amendoeira do cômoro floriu.

Vamos colher duas pétalas

das mais belas,

                               das mais brancas,

e pô-las no regaço da brisa.

A brisa tem palavras de bondade

e irá ter

                com uns lábios roxos,

uma alma triste,

e levará um pouco de beleza.

 

A amendoeira do cômoro floriu.

Vamos, irmã, vamos ao campo.

Naquele altar de flores

rezaremos a Deus.

 

António Cabral

in Poemas Durienses

 

2020.- Alfandega da Fé (264)

09
Fev20

Versejando com imagem - O Pinhão, António Cabral

 

VERSEJANDO COM IMAGEM

 

O PINHÃO

 

2019.- ADV - I (58)

 

Lá em baixo, na curva do rio,

vazadouro e fornalha, está o Pinhão.

 

Belo!, belo- dirá o turista.

E o burocrata: progressivo.

 

Mas o Pinhão não é nada disso,

é mais do que isso, não é nada

 

do que mostram os documentários de cinema

ou qualquer “Life” comercial.

 

Pinhão!, capital do suor, os teus caminhos

são pedaços de sangue coagulado.

 

António Cabral, In Poemas Durienses

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