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14
Mar21

Palavras Soltas... - A Sociedade «sobremoderna» - Cap. II - A cidade e o urbanismo «fordista»

PALAVRAS SOLTAS...

 

A SOCIEDADE «SOBREMODERNA»

 

CAPÍTULO II 

A CIDADE E O URBANISMO «FORDISTA»

04.- Hawthorne,_Illinois_Works_of_the_Western_Electric_Company,_1925

Os economistas «regulacionistas» chamaram «fordista» ao «modo de regulação» de que parecemos sair, particularmente depois da crise de 1973.

 

A noção de fordismo sublinha o lugar que ocupou a indústria automóvel na economia dos países industrializados, a partir dos anos 20.

 

Outros «teóricos» desempenharam um papel importante na formalização deste período: em primeiro lugar, TAYLOR, cujos princípios, elaborados desde o final do século XIX, levaram muito tempo a implantar-se – e ainda de forma muito imperfeita – nas indústria dos diferentes países ocidentais: a organização científica do trabalho, a racionalização através da decomposição em tarefas e funções elementares, a separação das funções «intelectuais» das manuais, a delegação da direção patronal despótico-neomilitar, acabaram por ficar, de facto, limitadas por inércias técnicas, sociais e culturais consideráveis.

 

KEYNES simboliza também de forma muito expressiva o período que se segue à crise dos anos 30. Isto porque, para lá das suas teorias económicas, ele trouxe toda uma filosofia de intervenção dos poderes públicos, legitimando a intervenção do Estado para assegurar conjuntamente o pleno emprego e uma certa distribuição dos lucros.

 

Taylorismo-fordismo-keynesianismo – uma forma de pensamento que caracteriza as conceções económicas do pós-guerra, apesar de eles serem relativamente mais antigos que esse ciclo e de não terem sido completamente simultâneos. A indústria nunca foi redutível aos princípios de TAYLOR e de FORD, nem as políticas económicas aos de KEYNES. Mas por questão de comodidade empregaremos o termo «fordismo» significando a sua utilização, não para nos dar conta de um período definido de forma precisa, mas antes de uma coerência de conjunto, mais ou menos atingida segundo a época e segundo os países, e da qual encontrámos os primeiros elementos desde os anos 20, e que se revelou particularmente eficaz durante os célebres «Trinta Gloriosos».

            ... E CORBUSIER.

Apresentando o nosso estudo como objeto as cidades e o urbanismo, podemos também, numa certa medida, qualificar este período de «taylorismo-fordismo-keynesiano-corbusiano», tal foi a forma como CORBUSIER, à sua maneira, simbolizou neste período a corrente dita do urbanismo moderno. Certamente que não foi o próprio quem concebeu muitas cidades, uma vez que isso esteve a cargo de muitos arquitetos, mas, pela importância dos seus escritos, pelas suas fórmulas, pela forma sistemática da sua pesquisa, pelo papel que desempenhou nos CIAM (Congrès Internationaux d’Architecture Moderne, 1933, Carta de Atenas), pelas reações que provocou, ele simboliza, melhor que ninguém, as teses «funcionalistas» desta época.

 

O urbanismo corbusiano decompôs a complexidade da urbe em funções elementares e procurou a eficiência na monofuncionalidade: um só gesto, uma só função tal como FORD, que atribui o primado ao movimento e à velocidade, funcionando a estrada como um «transportador», “tentando sistematizar as economias de escala ao tipificar o alojamento e industrializar a construção” (ASCHER: 57) e KEYNES,  que preconizou a intervenção do poder público sem pôr em causa as realizações privadas, exigindo a planificação para pôr fim à anarquia urbana e regular o mercado fundiário, propondo também toda a espécie de equipamentos sociais de «bem-estar».

 

O ciclo, que tão bem parecia ter funcionado, a tal ponto que é frequentemente glorificado sob a já aludida denominação de «Os Trinta Gloriosos», surge cada vez mais perturbado por disfuncionamentos e incoerências. TAYLOR, FORD, KEYNES e CORBUSIER já não constituem referência, sendo até acusados de todos os pecados.

 

Tal como no final do capítulo anterior dizíamos, a aproximação de um novo movimento, segundo alguns «estudiosos», e de acordo com uma aproximação em termos de ciclos, podemos então dizer ou pôr a hipótese que estamos perante um novo ciclo, classificado frequentemente de «pós-fordista».

 

Mas, tal como ASCHER (:58), esta denominação é um pouco ambígua, uma vez que supõe a ultrapassagem completa do fordismo e “dos paradigmas do ciclo precedente, o que não é exatamente o caso”.

 

Na esteira de ANTHONY GIDDENS, utilizaremos o termo «sobremodernidade», em vez de «pós-modernidade», termo utilizado por J.F. LYOTARD, para caracterizar este novo ciclo na medida em que o projeto de estruturação que caracteriza a modernidade, baseada no uso da razão e da ciência, está mais presente que nunca, tendo apenas mudado os paradigmas científicos quando “passaram do universo da complicação para o da complexidade” (ASCHER: 58).

04a.- carro1

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