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zassu

09
Jun20

Poesia em tempos de desassossego - Sobre o poema, Herberto Helder

 

POESIA EM TEMPOS DE DESASSOSSEGO

 

SOBRE O POEMA

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Um poema cresce inseguramente

na confusão da carne,

sobe ainda sem palavras, só ferocidade e gosto,

talvez como sangue

ou sombra de sangue pelos canais do ser.

 

Fora existe o mundo. Fora, a esplêndida violência

ou os bagos de uva de onde nascem

as raízes minúsculas do sol.

Fora, os corpos genuínos e inalteráveis

do nosso amor,

os rios, a grande paz exterior das coisas,

as folhas dormindo o silêncio,

as sementes à beira do vento,

— a hora teatral da posse.

E o poema cresce tomando tudo em seu regaço.

 

E já nenhum poder destrói o poema.

Insustentável, único,

invade as órbitas, a face amorfa das paredes,

a miséria dos minutos,

a força sustida das coisas,

a redonda e livre harmonia do mundo.

 

— Em baixo o instrumento perplexo ignora

a espinha do mistério.

 

— E o poema faz-se contra o tempo e a carne.

 

Herberto Hélder

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    Olá, por acaso tem a análise deste poema?

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  • Aqui há coração

    Poesia em cada palavra.

  • Anónimo

    Depois de ler o texto e do qual gostei imenso (poi...

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