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18
Fev21

Palavras Soltas - Plano Estratégico da cidade de Chaves - Parte II

PALAVRAS SOLTAS...

 

PLANO ESTRATÉGICIO DA CIDADE DE CHAVES

 

2015 - Chaves VIII (5)

PARTE II

 

2.1.- INTEGRAÇÃO TERRITORIAL, ACESSIBILIDADES E TRANSPORTES

2.1.1.- VOCAÇÃO DE CHAVES NO PLANO GEOTERRITORIAL

Duas vocações essenciais emergem:

  • Uma vocação de encruzilhada para Chaves à qual é necessário dar um conteúdo inequívoco do ponto de vista geo-territorial e funcional e, sobretudo, condições de viabilização infra-estrutural.

 

  • A função de "relais", nó de intermediação ou simplesmente encruzilhada constitui uma amplificação estratégica considerável do já de per si meritório e promissor estatuto de plataforma de recepção de fluxos turísticos e de placa giratória difusora do relacionamento transfronteiriço para todo o Trás-os-Montes, que decorre da sua localização e tradição face ao interior galego.

 

PRIMEIRA VOCAÇÃO A CONSOLIDAR

Trata-se de consolidar a dimensão transfronteiriça interior e utilizar designadamente esse estatuto para ganhar os territórios de proximidade e a sua área de influência natural que é o Agrupamento do Alto Tâmega.

 

SEGUNDA VOCAÇÃO A EXPLORAR

A sua localização, através da ligação IP-3 até à fronteira, no eixo interior que ligará o eixo de desenvolvimento urbano em estruturação de Vila Real-Régua-Lamego à cidade de Ourense, possibilitará A Chaves explorar uma posição intermédia entre estes dois extremos, conquistando designadamente área de influência nos territórios galegos de fronteira, incluindo a cidade de Verin.

 

O conteúdo funcional e a dinâmica local necessárias para concretizar esta vocação potencial são mais exigentes, não só do ponto de vista de ganhar espaço de influência na raia galega, mas também em relação ao eixo de desenvolvimento urbano em estruturação de Vila Real-Régua-Lamego, o qual parte de uma base de prestação de serviços de maior porte e diversidade.

 

A natureza de espaço da água e do lazer termal garante a Chaves algum potencial nesta matéria.

 

UMA VOCAÇÃO A PRAZO QUE É NECESSÁRIO VIRTUALIZAR

Resta finalmente equacionar a vocação que pode resultar para Chaves num cenário de concretização a médio prazo da autoestrada Fafe-Chaves (IC5-A7) e a sua interligação com a autoestrada galega de Vigo a Madrid, conectada por sua vez com os grandes eixos viários europeus.

 

Neste caso trata-se de equacionar o estatuto de nó de intermediação com maior ambição, situando-o do ponto de vista das relações entre a Área Metropolitana do Porto e a concentração industrial do Ave e as grandes saídas de internacionalização.

 

Não nos parece correto ignorar esta oportunidade estratégica, usando o argumento de que Chaves não vende para o centro da Europa ou de que a maior proximidade à Área Metropolitana do Porto pode gerar um efeito contrário de não fixação de energias e de capacidade de iniciativa locais.

 

A importância estratégica desta via para Chaves não resultará, numa primeira aproximação, do potencial de escoamento dos seus próprios produtos não só para a Área Metropolitana do Porto (AMP) mas também para os mercados exigentes do centro da Europa. A sua importância é claramente de natureza geo-territorial e será ou não preenchida em função do tipo de novas funções e atratividades que essa localização irá potenciar.

 

Este potencial de atratividade, sobretudo do ponto de vista logístico, exigirá ações voluntaristas da parte dos atores e agentes de desenvolvimento locais, na medida em que tal localização necessita de ser promovida, não só no plano imaterial, mas também em matéria infraestrutural.

 

Da análise das condições de inserção territorial de Chaves resulta um conjunto de oportunidades, as quais são suscetíveis de ser equacionadas no quadro de uma estratégia faseada, gradual, por conseguinte com menores riscos do que uma aposta exclusivista determinaria.

 

Cabe essencialmente ao Município clarificar os investimentos e as ações suscetíveis de dar corpo a estas vocações geo-territoriais e, consequentemente, fazer passar a mensagem aos atores/agentes de desenvolvimento.

 

2.1.2.- ACESSIBILIDADES E TRANSPORTES

 

Em termos de acessibilidade antevêem-se mudanças radicais.

 

Inteiramente dependente do transporte rodoviário, Chaves é presentemente uma cidade "isolada" pelos maus acessos que possui, não podendo tirar partindo da excelente localização que tem como fronteira privilegiada de acesso à Europa para toda o Norte de Portugal.

 

A EN2, ligação a Vila Real e principal acesso à AMP sofreu, como atrás se referiu, algumas obras de beneficiação, mas continua a atravessar aglomerados urbanos e possui um traçado sinuoso em alguns dos seus troços que a impossibilitam de oferecer um grau de conforto de circulação compatível com o volume de tráfego que a percorre. Note-se que este é o eixo viário com um maior volume de tráfego médio diário anual (TMDA) em todo Trás-os-Montes, com valores superiores aos 4000 veículos/dia.

 

A outra via que liga Chaves ao litoral, a EN103, "Estrada das Barragens", também conhecida por Estrada de Braga, quando comparada com as exigências técnicas de tráfego de longo curso, só poderá ser entendida como uma estrada de vocação turística ou para servir o tráfego local.

 

Apesar das difíceis condições de circulação em todas vias que concorrem radialmente para Chaves, verificou-se nas duas últimas décadas uma mais que duplicação dos valores de TMDA, valores ímpares no espaço de Trás-os-Montes, o que atesta o potencial de atratividade de Chaves em relação aos municípios vizinhos.

 

Estão, no entanto, previstos para Chaves a construção de dois eixos viários que poderão "revolucionar" o atual estado de coisas. São eles, como já referimos, o IP3, na ligação desde a fronteira até Vila Real com continuação para sul e o traçado da autoestrada Fafe-Chaves (IC5 – A7) que fará a ligação direta à AMP.

 

Não querendo retirar a importância à construção do IP3 pelas funções que este eixo desempenhará na estruturação regional, não cremos que seja por ele que Chaves se destacará dentro de seu território envolvente. Se pensarmos, por exemplo, na sua utilização como eixo internacional continuará a ter que se cumprir a travessia do Marão, fator fortemente dissuasor do tráfego pesado. O papel que este eixo irá desempenhar prende-se mais com:

 

  • alargamento a sul da área de influência de Chaves;
  • criação de melhores condições de conforto e segurança para o tráfego;
  • aumento da coesão territorial no espaço do Alto-Tâmega e melhoria das ligações com o eixo urbano Vila Real, Régua, Lamego;
  • estruturação do tráfego inframunicipal, uma vez que liga os dois polos urbanos de maior dinamismo: Chaves e Vidago.

 

Contudo, em relação à autoestrada Fafe-Chaves, os objetivos são mais ambiciosos. Este eixo viário permite perspetivar-se como a principal ligação ao mercado europeu de regiões fortemente exportadoras como sejam a AMP e o Vale do Ave. E, desta forma, Chaves poderá beneficiar de vantagens comparativas, induzidas pela nova acessibilidade para a fixação de empresas industriais.

 

Estes factos são complementados pela proximidade de Chaves à rede de autopistas espanhola, que passando em Verin, oferece um excelente canal de escoamento de produtos.

 

Assim, e de forma sistemática, este novo eixo poderá proporcionar:

  • a recolocação de Chaves no principal eixo rodoviário de acesso à Europa em toda a Região do Norte;
  • a possibilidade de atração de empresas industriais, pela dupla facilidade de acesso aos mercados finais e à AMP;
  • a constituição de uma plataforma logística, beneficiando da presença de uma cidade de média dimensão, com uma elevada oferta de alojamento e de serviços urbanos;
  • a atração de fluxos ocasionais por motivos de lazer, tirando partido das potencialidades locais ao nível dos recursos endógenos.

 

Se é verdade que as ligações entre Chaves e os principais centros urbanos da região são muito deficitárias, não é menos verdade, que ao nível do seu território de proximidade, elas também apresentam carências. O reforço destas ligações poderá ser um elemento importante para a coesão territorial no espaço do Alto Tâmega.

 

No mesmo plano se colocam as ligações em transporte público rodoviário, classificadas unanimemente como de melhor qualidade na direção da AMP do que com os Concelhos vizinhos.

 

INTEGRAÇÃO TERRITORIAL, ACESSIBILIDADES E TRANSPORTES

PE Cidade de Chaves01

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