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zassu

23
Abr20

Palavras Soltas - Orlando Ribeiro e Portugal, o Mediterrâneo e o Atlântico - a propósito do Dia Mundial do Livro

 

PALAVRAS SOLTAS

 

A PROPÓSITO DO DIA MUNDIAL DO LIVRO

 

2015 - Outono no Douro Vinhateiro IIII (447)

Antes de entrarmos neste período de confinamento social forçado, tínhamos acabado de ler uma obra do geógrafo Orlando Ribeiro – «Introduções Geográficas à História de Portugal – Estudo Crítico» na qual o autor tecia algumas considerações críticas aos nossos historiadores (nomeadamente, Oliveira Martins, Jaime Cortesão, António Sérgio, entre outros) quando, ao abordarem a História de Portugal, se esquecerem, ou não terem em conta, a «contextualização» geográfica, aliás na linha do que, já nos finais do século XIX e, principalmente,  princípios do século XX, outros historiadores, na Europa, faziam, ou tinham em conta.

 

Foi tendo em conta esta obra crítica que - de um momento para outro -, nos ocorreu a lembrança de voltarmos a ler o clássico livro de Orlando Ribeiro «Portugal, o Mediterrâneo e o Atlântico».

 

Só que a leitura foi iniciada numa casa e, quando surge o atual estado de  emergência, estávamos noutra casa.

 

Tentámos continuar a leitura desta obra e, para o efeito, vasculhámos na internet, a ver se a encontrávamos em formato digital.

 

Enquanto pesquisávamos, demos com este Documentário sobre, para nós, o maior geógrafo português:

 

ORLANDO RIBEIRO, ITINERÂNCIAS DE UM GEÓGRAFO

Deixamos aqui o Documentário para quem gostar de geografia e tiver paciência em o ver, de princípio ao fim.

 

A certa altura do Documentário, sensivelmente aos 9 minutos e 9 segundos, António Barreto, entrevistado, diz:

“Eu considero este livrinho Portugal, o Mediterrâneo e o Atlântico (1945), 

 uma verdadeira pérola da cultura portuguesa. É certamente um dos melhores livros de todo o século XX e um dos grandes livros da literatura portuguesa, científica ou não. Neste caso, científica.

É um livro maravilhosamente bem escrito, duma precisão, dum rigor, duma modéstia académica e universitária em que ele sugere, propõe, define.

Este livro deveria ser sempre, sempre lido nas escolas. Desde a escola básica à secundária.

É certamente um dos melhores livros de toda a literatura portuguesa”.

 

É a opinião de António Barreto à qual nós, sempre amante, desde tenra idade, da Geografia, partilhamos.

 

Por isso, na determinada vontade de continuar a ler «esta verdadeira pérola da cultura portuguesa», tanto vasculhámos que, a determinada altura, fomos dar com a 1ª edição da obra, publicada em 1945 pela Coimbra Editora, limitada, Coleção «Universitas», exemplar 801.

 

É, pois assim, este livro que, no Dia Mundial do Livro, recomendamos a sua leitura.

 

Mas as surpresas não ficaram por aqui – o termos encontrado a 1ª edição desta obra, de 1945.

 

Quando começámos a folheá-lo, nas primeiras páginas, antes do Prefácio do autor, deparamos com um poema-soneto do nosso poeta maior, Miguel Torga – MENSAGEM – que aqui reproduzimos:

 

Vinde à terra do vinho, deuses novos!

Vinde, porque é de mosto

O sorriso dos deuses e dos povos

Quando a verdade lhes deslumbra o rosto.

 

 

Houve olimpos onde houve mar e montes.

Onde a flor da amargura deu perfume.

Onde a concha da mão tirou das fontes

Uma frescura que sabia a lume.

 

 

Vinde, amados senhores da juventude!

Tendes aqui o louro da virtude,

A oliveira da paz e o lírio agreste…

 

 

E carvalhos e velhos castanheiros,

A cuja sombra um dormitar celeste

Pode fazer os sonhos verdadeiros.

Miguel Torga, Libertação, 1944

 

Demoramos alguns minutos a encontrar, para além de outras razões, o porquê de Orlando Ribeiro ter inserido este soneto no início desta 1ª edição da sua obra. E alvitramos que o fez acertadamente: pois nada melhor que a Poesia para fazer a síntese (ou a junção) entre a História e a Geografia, entre o Homem, a sua história, e o Local onde habita e vive.

 

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