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zassu

22
Mar21

Palavras soltas... - A Sociedade «sobremoderna» - Conclusão

PALAVRAS SOLTAS...

 

A SOCIEDADE «SOBREMODERNA»

  

CONCLUSÃO

turimm

Ao longo destes humildes textos que fomos aqui editando, uma pergunta não cessou de nos perturbar e de constantemente nos questionar: que modelo de desenvolvimento territorial queremos?

 

E uma passagem de LACAZE (:14-15) não cessava de a cada passo bailar no nosso pensamento: “Os Fenícios e os Gregos são povos de marinheiros; interessam-se pelo comércio à distância que permite realizar benefícios importantes. Vão até à Inglaterra, para procurar o estanho necessário à fabricação do bronze e exploram a orla atlântica da costa africana. Partindo de uma cidade mãe, a que chamaram a «metrópole» - Tiro ou Atenas – criaram redes de feitorias, cidades portuárias onde se instalam para negociar as suas trocas com as populações autóctones que não procuram subjugar (...) O Egipto e Roma desenvolvem desta forma outro modelo: o «império» que organiza o território como um espaço contínuo a duas dimensões, e não mais uma rede de pontos fortes. Também a criação de cidades teve aí lugar. Mas estas assumem um papel diferente: controlam e vigiam as populações, organizam a produção agrícola e fazem a quadrícula do espaço de uma forma mais sistemática”.

           

Á  frente o mesmo LACAZE sintetiza o processo de urbanização ao longo do tempo, de forma assaz simples e clara (:94-95) “No passado, as territorializações ligadas à vida de família, ao trabalho e à vida social eram fortemente imbricadas e organizavam-se num único e mesmo espaço: a quinta, o espaço da aldeia, da pequena cidade ou do bairro na grande cidade (...) A urbanização generalizada do modo de vida e a ampla difusão do automóvel fizeram disparar este modelo (...) Uma nova forma de territorialização em arquipélago, segundo a expressão do sociólogo JEAN VIARD, rompe com a unidade. Cada habitante apropria-se assim de uma série de ilhotas à volta dos diferentes lugares que frequenta regularmente (...)Neste mosaico de espaços mutuamente imbricados, a mobilidade torna-se um valor central, o que reunifica as ilhas e confere, portanto, a sua unidade ao arquipélago”.

 

Ainda mais à frente o mesmo autor, e finalizando este despretensioso ensaio (:116-117): “A organização galo-romana, a centralização de Luís XIV e de Napoleão (...) todas estas grandes etapas da nossa história comum declinaram, a seu modo o modelo romano. Tratamento igualitário, quadrícula, hierarquia das cidades, são então as palavras mestras, em referência a uma concepção de sociedade baseada na ordem e na estabilidade (...) Se parecia necessário referir amiúde o sistema grego, não era por razões ideológicas, mas simplesmente porque os Franceses ratificaram significativamente a escolha do modo de vida urbano, e também pelo facto da nova ordem mundial não deixar alternativas à proeminência de cidades e áreas metropolitanas. Que temos nós a perder, além da nostalgia dos locais notáveis e das polémicas estéreis? As cidades permanecem mais do que nunca o local privilegiado da criação, da inovação, da abertura sobre o mundo e sobre os outros, «as quentes estufas de toda a civilização», lembra BRAUDEL. Compete-nos geri-las da melhor maneira, associando-lhes os territórios que elas próprias organizam e utilizam, porque o nosso futuro comum depende disso”.

 

BIBLIOGRAFIA

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