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20
Mar21

Palavaras Soltas... - A sociedade«sobremoderna» - Cap. V - A globalização e a emergência do local na sociedade «sobremoderna»

PALAVRAS SOLTAS...

 

A SOCIEDADE «SOBREMODERNA»

  

CAPÍTULO V

A GLOBALIZAÇÃO E A EMERGÊNCIA DO LOCAL NA SOCIEDADE «SOBREMODERNA»

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A globalização e a localização são, segundo FONT et al. (:85) “dois processos sociais, económicos e políticos determinantes no mundo contemporâneo, que se retroalimentam porquanto são as duas caras de uma mesma moeda”.

 

A globalização, ao contrário do que se poderia supor, e de tudo quanto vimos dito, estimula a consolidação do local (não confundindo com localismo), dos lugares, ao mesmo tempo que cria, é certo, mecanismos de homogeneização. A globalização e os lugares são os pontos de territorialização, de materialização, a partir dos quais – segundo as teorias possibilistas, na esteira de DEMATTEIS, ao contrário do que pensa CASTELLS, se abre a porta aos conceitos da tradição geográfica, da relação entre o local e o global, no novo contexto da sociedade «sobremoderna».

 

Assim, se a conceção e o papel do Estado nas sociedades de hoje está constantemente se recompondo, alterando, em suma, se adaptando, também «o local» passa por outros tipos de espaços e de agregações sociais.

 

Segundo SASKIA SASSEN, citada por FONT et al. (:85) um dos espaços, e talvez o mais característico, é a denominada «Cidade Global»: “Na fase atual da economia mundial, é precisamente a combinação da dispersão global das atividades económicas e uma integração global que contribuiu para a atribuição de um «papel» estratégico a certas grandes cidades a que chamo cidades globais (...) hoje as cidades globais são centro de decisão da organização da economia mundial; lugares chave e mercados para as atuais indústrias líderes, as financeiras e de serviços às empresas, incluindo a produção de inovação”. Para esta autora, entre elas, estariam Nova Iorque, Londres, Los Angeles, Tóquio, Hong Kong-Guandong ou Paris.

 

O «papel» global implica transformações do espaço urbano e dos seus usos, muito importantes, e por vezes traumáticos, tanto para adaptar-se às novas funções como pela circunstância de serem espaços muito rentáveis desde o ponto de vista imobiliário.

 

   Esta transformação, desde uma perspetiva da geografia política, teve inúmeros efeitos, entre eles, o da alienação do espaço dos poderes políticos locais e estatais, deixando-os nas mãos do mercado mundial, quer no que respeita aos já referidos aspetos imobiliários quer funcionais.

 

As cidades globais outra coisa não são que uma parte da alteração da soberania estatal a partir de escalas menores (FONT et al.: 86). Desde os anos 80, outros tipos de espaços subestatais ou transestatais vêm ganhando protagonismo, em especial os que se têm vindo a designar, com uma certa ambiguidade, regiões, (na senda da escola da geografia francesa), ou seja, espaços territorialmente definidos e que contêm sistemas sociais e económicos, até certo ponto, coesos e diferenciados. Esta integração é a que permite que as regiões se singularizem e tenham uma identidade no que respeita à globalização, sejam reconhecíveis e possam competir dentro dela. Segundo FONT et al. (:86), “nesta lógica regional cabem teorias tão bem-sucedidas na literatura como a dos «distritos industriais», do «desenvolvimento endógeno (BENKO e LIPIETZ, 1994) ou a dos sistemas territoriais locais (DEMATTEIS, 1995; CAMAGNI, 1998), para além de todas as interpretações de carácter menos económico e mais político e cultural ou de carácter identitário e nacionalista (de Nações sem Estado).

 

Desde os anos 80 são cada vez mais as cidades e as regiões que encetaram políticas de atracão de investimentos, de coesão social ou de promoção cultural, evidenciando uma «performance» e eficiência e protagonismo, tendo a União Europeia se destacado como um grande laboratório para este tipo de processos e experiências.

 

Nas teorias urbanas e urbanísticas, a cidade é hoje apreendida como um «sistema complexo», irredutível, como vimos afirmando, à separação em funções elementares e em zonas; ela deve ser concebida como uma realidade flexível que se pode adaptar e modificar ao longo do tempo, ao contrário da produção massificada dos grandes conjuntos habitacionais, ilustração dramática da rigidez do período precedente. Em suma, é preciso promover nas cidades a miscigenação funcional e a polivalência, como mais atrás referimos. O planeamento urbano deve ser mais pragmático e mais elástico; o desenvolvimento local deve apoiar-se de forma decisiva num «marketing urbano».

 

Finalmente, acima de tudo isto, está o peso do espaço e do tempo históricos, (significando histórico não pretérito, mas enraizamento), que leva a que a reestruturação do local gerada pela globalização leve a que os territórios estejam já dispostos e se proponham a acolher e a alimentar os fluxos do sistema mundial.

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