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zassu

24
Abr15

Grande Guerra - 4

 

 

A GRANDE GUERRA (1914-1918)

E A PARTICIPAÇÃO DOS MILITARES DO RI 19 E DO ALTO TÂMEGA NO CONFLITO

 

PRIMEIRA PARTE

CONTEXTO INTERNACIONAL

(DA PLACIDEZ TECTÓNICA AO MOVIMENTO DAS PLACAS)

 

I

 

FIN DE SIÈCLE, DESENVOLVIMENTO CIENTÍFICO E TECNOLÓGICO E FÉ NO PROGRESSO

 

As grandes potências dependem tanto

do seu prestígio e de serem consideradas

poderosas pelo outros,

como de fatores materiais,

como a sua força militar e a economia.

 

(MacMillan, 2013: 61)

 

Para tentarmos conhecer, e porventura compreender, o Mundo que antecedeu a Grande Guerra, a sociedade ocidental dos finais do século XIX - e o seu espírito da época -, com as suas conquistas, ideias, esperanças quanto a um futuro melhor, mas também as suas tensões e clivagens, nada como, munidos da pena de Margaret MacMillan, acompanhados do Guia Especial Hachette, mergulharmos na cidade de Paris, de 1900, e, em especial, percorrermos o espaço da sua Exposição Universal.

Figura 1

(Paris 1900 - Vista panorâmica da Exposição)

Figura 2

 (Paris 1900 - Plano da Exposição)

 

1.- Mensagens, temas e ideias decorrentes na Exposição de Paris de 1900

Comecemos primeiro pelas declarações dos seus protagonistas mais responsáveis, e organizadores.

Em 14 de Abril de 1900, o Presidente da França, Émile Loubet, na abertura da Exposição Universal de Paris, em tom aprovador, falava sobre a justiça e a bondade humana. E, muitos dos seus responsáveis franceses diziam que a Exposição era um «símbolo de harmonia e de paz» para toda a Humanidade.

Segundo o Guia Especial Hachette, citado por Margaret MacMillan, “todos os povos da Terra trabalharam na Exposição, «acumularam as suas maravilhas e tesouros, para que se revelassem artes desconhecidas e descobertas esquecidas e para competirem connosco de uma forma pacífica, de modo que o Progresso não abrande» ” (MacMillan, 2013: 41).

Figura 3.jpg

Nas palavras de Margaret MacMillan, “a exposição pareceu uma maneira apropriada de assinalar o fim de um século que começara com revoluções e guerras, mas que simbolizava agora progresso, paz e prosperidade”. E continua, “a Europa não podia dizer que não houvera guerras no século XIX, mas tinham sido insignificantes, se comparadas com as longas lutas do século XVIII ou as guerras da Revolução Francesa e, mais tarde, aquelas para as quais Napoleão arrastaria quase todas as potências europeias” (MacMillan, 2013: 39-40). E acrescenta, “não há dúvida de que os factos ocorridos no século que terminara havia pouco demostraram que o mundo, em particular o mundo europeu, se afastava da guerra” (MacMillan, 2013: 55). A Europa recriou aquilo a que se passou a designar como o «concerto europeu», uma fórmula encontrada para gerir os assuntos internacionais do continente, no hábito, criado pelos estadistas, de se consultarem uns aos outros para tratar questões prementes e dirimir conflitos.

Na verdade, para além da Exposição Universal de Paris de 1900 ser uma montra gigante dos países representados foi também um monumento às maiores e mais recentes realizações da civilização ocidental, em domínios como a indústria, o comércio, a ciência, a tecnologia e as artes.

Quer nos pavilhões temáticos, quer nas reuniões do Palácio dos Congressos, a temática geral era a de que “o progresso e a paz tinham avançado no mesmo ritmo pelo que a Europa de 1900 era muito diferente da que existia no século anterior, infinitamente mais próspera e manifestamente mais notável” (MacMillan, 2013: 55). E acreditava-se, em todas as suas reuniões, que o futuro viria a ser ainda mais risonho.

Para além dos temas decorrentes dos avanços científicos e tecnológicos e da importância da educação como fonte do progresso, a par do aumento de bibliotecas públicas e “das aulas para adultos incentivaram a leitura e as editoras responderam aos novos mercados de massas com livros de banda desenhada, literatura de cordel, romances policiais e histórias de aventuras como «westerns»” (MacMillan, 2013: 43), também se dá conta que aparecem os “jornais de massa, com os seus grandes títulos a cores e profusamente ilustrados” (MacMillan, 2013: 43), contribuindo para alargar os horizontes dos europeus e levá-los a sentirem que faziam parte de comunidades maiores do que aquelas às quais os seus antepassados estavam ligados.

Por outro lado, também se abordava e fazia sentir que “melhores comunicações, nomeadamente o novo, rápido e barato correio público e o telégrafo não só puseram os europeus em contacto uns com os outros” (MacMillan, 2013: 45) como fez nascer neles um sentimento nacionalista, informando-os do que se passava nos outros restantes países.

“As cidades, reconhecia-se, libertaram-se dos seus velhos bairros degradados e ruelas estreitas e construíram artérias mais largas e espaços públicos mais vastos” (MacMillan, 2013: 45).

Em suma, a Europa começa a parecer-se, nesta altura, mais com o mundo que hoje conhecemos do que com o passado.

Noutras exposições, como a de tecidos e vestuários “os franceses mostravam o trabalho dos seus melhores costureiros mas também peças de pronto a vestir, graças às quais a moda começava a ficar ao alcance do consumidor da classe média. Nos bens de consumo - bicicletas, telefones, linóleo, jornais e livros baratos - passaram a fazer parte da vida quotidiana e os grandes armazéns e a compra por catálogo permitiam que todos os que dispusessem de recursos financeiros tivessem acesso a eles” (MacMillan, 2013: 46). E estamos a falar de um número cada vez mais crescente de europeus.

Face a este (excesso) de confiança no progresso e na paz duradoura, veiculada pela «propaganda» dos seus protagonistas e organizadores, na amostra de bens de consumo disponíveis às grandes massas, particularmente da classe média, e pela amostra das realizações científicas e tecnológicas, vejamos o que os principais pavilhões temáticos nos patenteiam:

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