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zassu

13
Jun15

Grande Guerra (1914-1918) - 51

 

 

 

A GRANDE GUERRA (1914-1918)

E A PARTICIPAÇÃO DOS MILITARES DO RI 19 E DO ALTO TÂMEGA NO CONFLITO

 

PRIMEIRA PARTE

CONTEXTO INTERNACIONAL

(DA PLACIDEZ TECTÓNICA AO MOVIMENTO DAS PLACAS) 

 

V

AS FRENTES DE COMBATE

(OU AS GRANDES ONDAS DE CHOQUE)

 

7.- Frente do Sudeste Europeu e Médio Oriente

 

7.1.- Turquia e Sudeste Europeu

a).- Turquia

 

Em novembro de 1914, a guerra começava a assumir feição verdadeiramente à escala mundial.

Stone (2010) afirma que Napoleão teve o seu calcanhar de Aquiles, que foi a Península Ibérica; os Aliados iriam também ter o seu, que se chamava Turquia.

Procuremos entender melhor o «estorvo» que a Turquia representou para os Aliados, face à importância vital da sua posição charneira no Império Otomano, mas principalmente como porta de entrada para os territórios do Médio Oriente (Mesopotâmia-Iraque) e a Pérsia (Golfo Pérsico), estratégicos, pelas suas jazidas de petróleo, e, como tal, fundamentais para alimentar uma economia agora mais baseada no consumo deste produto e já não tanto no carvão.

Importava, pois, que a Turquia fosse «engolida». As grandes potências consideravam-na fraca e, portanto, presa fácil. Para os Aliados, as minorias cristãs poderiam ser úteis, em termos de seus agentes. Embora alguns especialistas soubessem que os turcos não estavam bem armados, nem todos, contudo, pensavam da mesma maneira.

Na pressuposição desta mal preparação da Turquia, surge o primeiro erro dos britânicos na zona, protagonizado por Winston Churchill. Em 1914, Churchill, comandante do Almirantado, requisitou dois couraçados, que estavam a ser construídos em Newcastle, por subscrição pública, para a Marinha turca.

Prontamente, os alemães, com os seus dois couraçados - Goeben e Breslau -, entram em águas turcas do mar Negro e põem-se ao serviço da Turquia. Foi o suficiente para a opinião pública turca se virar pró-alemã.

Não se pense que na Turquia tudo se passava como se houvesse uma unidade nacional firmemente consolidada. Muito pelo contrário. No seio da sociedade turca começou a despontar um movimento, liderado pelos denominados Jovens Turcos, pró-germânicos que, juntamente com Enver Paxá, ministro da Guerra, e aparentado com o sultão, seguia o modelo de nacionalismo revolucionário francês, militantes fervorosos do evoluir dos vitoriosos estados balcânicos. Estes militantes revolucionários estavam apostados na construção de um novo país, com uma nova língua, uma nova interpretação da história e um futuro exclusivamente nacional.

A entrada dos dois couraçados alemães no mar Negro foi um daqueles momentos providenciais para levarem por diante os seus desígnios: assumindo formalmente o controlo daqueles navios alemães, fingindo-se de turcos, içando o pavilhão otomano, bombardearam os portos russos de Odessa, Sebastopol, Novorossik e Feodosia na expectativa de os russos declararem guerra à Turquia. E foi o que aconteceu. Enver Paxá,

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e os Jovens Turcos, saíram-se bem. Seguiu-se depois a demissão de vários ministros otomanos do governo, em protesto contra esta provocação.

A 5 de outubro, a Turquia declara guerra à França e à Grã-Bretanha.

Enver Paxá começa por invadir a Rússia pelo Cáucaso, mas sofreu um revés colossal: no planalto de Sarikamis, 100 000 dos seus homens morreram de doenças e de frio. Um comandante alemão, Kress von Kressenstein, sofreu outro desaire no Suez. Mas, para Enver Paxá, o episódio era um simples acidente de percurso. Segundo ele, do sofrimento nasceria uma nação turca que olharia para a Turquia propriamente dita e não para o mundo árabe.

Se bem que o projeto tivesse pernas para andar, não foi Enver Paxá que o concretizou, mas um outro homem, de muito maior estatura - Kemal Atatürk.

Com a situação no Império Otomano neste pé, para os britânicos fazia todo o sentido um avanço para Levante a fim de «arrumar» com os turcos. E os argumentos que se punham na balança tinham algum peso.

Primeiro, perante a gritante falta de armamento, munições e equipamento nos exércitos russos, era necessário um transporte rápido e curto do ocidente para o oriente. Para o levar a cabo a via mais indicada era a marítima. Como o Báltico era dominado pela Marinha alemã, havia três vias ou rotas possíveis: a que conduzia aos portos do mar Barents; a rota de Vladivostoque e a do mar Negro. Afastadas as duas pelos inconvenientes ponderados, restava a mais fácil - a terceira - que, a ser bem-sucedida, possuía duas vantagens: aliviar os russos da gritante falta do material bélico de que precisavam e por fora de combate os Jovens Turcos e a sua nova Turquia. Face ao impasse e imobilismo da guerra a Ocidente, políticos e militares viam nesta manobra uma ação de diversão que poderia vir a tornar-se não só interessante para o futuro da guerra como, porventura, decisiva.

O segundo argumento era que esta iniciativa poderia levar a que alguns países neutros ponderassem ou admitissem juntarem-se aos Aliados. Foi o que aconteceu com a Itália, a Grécia e a Bulgária. Embora a segunda voltasse depois à neutralidade, com os Aliados a deixar uma força em Salónica subaproveitada e a ser atacada pela malária, e a terceira a interromper as negociações e a lançar-se nas mãos das Potências Centrais, era uma estratégia correta, pois, quantos mais países aliados houvesse com posições estratégicas, melhor seria para o destino do conflito.

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