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zassu

29
Mai15

Grande Guerra (1914-1918) - 37

 

 

A GRANDE GUERRA (1914-1918)

E A PARTICIPAÇÃO DOS MILITARES DO RI 19 E DO ALTO TÂMEGA NO CONFLITO

 

PRIMEIRA PARTE

CONTEXTO INTERNACIONAL

(DA PLACIDEZ TECTÓNICA AO MOVIMENTO DAS PLACAS) 

 

V

AS FRENTES DE COMBATE

(OU AS GRANDES ONDAS DE CHOQUE)

 

3.3.- As ofensivas Aliadas

a).- 2ª Batalha do Marne

 

Os seis meses de ofensivas alemãs provocaram um número de baixas tão elevado que já não era possível o seu recompletamento. Dos efetivos globais de 5 100 000 caiu para 4 200 000 homens. Mal alimentados, como se deu conta na Operação Michael, tornavam-se vulneráveis a doenças de tipo epidémico. A partir de junho de 1918, foram atingidos pela chamada gripe espanhola, trazida da América pelos soldados norte-americanos, que também foram afetados e muitos pereceram em resultado desta doença. Da parte alemã, meio milhão de homens foram contaminados pelo vírus desta epidemia, reduzindo substancialmente o potencial das suas forças.

Mas os senhores da guerra - Hindenburg e Ludendorff -, principalmente este último, que não estava preparado para perder, abandonou o novo ataque à Flandres, o que podendo produzir efeitos mais decisivos, era de mais difícil execução. Optou-se por uma manobra mais fácil - prosseguir o avanço sobre Paris.

Neste intuito, reúne 52 divisões e lança-se numa ofensiva para sul de Châtillon-sur-Marne.

Só que a pausa de cerca de um mês deu aos Aliados o tempo e a tranquilidade necessárias para uma contraofensiva. Para além do mais, as unidades americanas, que entravam na frente de combate, eram cada vez mais numerosas.

O comandante da Força do Exército Americano (FEA), general Pershing, apesar de se bater pela constituição de um bloco exclusivamente americano, à semelhança da FEB, foi paulatinamente, e de uma forma razoável e bem pragmática, permitindo a integração de um certo número de divisões da FEA no exército francês.

A 18 de junho, as tropas Aliadas tendo sido alertadas para os indícios de uma ofensiva alemã, lançaram uma contraofensiva no setor do Marne. Os alemães aqui sofreram pesadas baixas - 30 000, entre mortos e feridos, e perdas de material, como 800 bocas de artilharia.

A Primeira Batalha do Marne passou à história como um marco importante da Grande Guerra - a derrota do Plano Schlieffen, da guerra do movimento, e do começo da guerra das trincheiras; a Segunda Batalha do Marne representa também um marco decisivo da Grande Guerra - representa o fim das ofensivas alemãs e o recomeço da guerra do movimento. A partir daqui, os aliados tomaram sempre a iniciativa das operações, não mais a perdendo até ao fim da guerra.

Ludendorff foi obrigado a recuar para o saliente de Soissons-Château-Thiérry-Reims, reduzindo a extensão da sua frente. E começa a liderança de Ludendorff a ser posta em causa, aparecendo a ideia de negociações com os Aliados, no próprio seio do OHL.

A 6 de agosto de 1918, os Aliados travam definitivamente a capacidade de avanço alemão. E tomam, continuamente, a iniciativa.

Mapa 10.jpg

 

b).- A Batalha de Amiens

 

Os novos generais agora envolvidos, do lado britânico - Rawlinson (britânico), Monash (australiano) e Currie (canadiano) eram homens eminentemente práticos e, chegada a hora, conseguiram convencer Haig para não insistir no ataque mais do que alguns dias. O 4º exército britânico e o 1º exército francês, posicionados em Amiens, preparam-se para dar um rude e decisivo golpe no dispositivo alemão. Os dois exércitos tinham 600 carros de combate - Mark V e Whippet -, muito mais velozes e fiáveis. O barulho dos tanques que se concentravam para o arranque foi dissimulado por aviões que voavam para a frente e para trás a baixa altitude.

A iniciativa iniciou-se a 8 de agosto - que, mais tarde, Ludendorff chamar-lhe-ia o Dia Negro do exército alemão - com o máximo de surpresa e com um ataque liderado por unidades de carros de combate. A tática foi inovadora: criação de uma cortina de gás e explosivos nas áreas de retaguarda alemã. Não houve nenhum bombardeamento preliminar e as brumas matinais esconderam o ataque inicial. Havia uma abundância de todos os tipos de armamento, em particular metralhadoras ligeiras Lewis, facilmente transportáveis pela infantaria. Os infantes dos corpos de exércitos canadianos e australianos, em apoio aos carros de combate, irrompem sobre as defesas alemãs. Em apenas 4 dias, as unidades Aliadas reconquistaram a maior parte do campo de batalha do Somme. Em inícios de setembro, os alemães procuram fixar-se no seu sistema fortificado das linhas de Hindenburg (Wotan e Siegfried). O general Pershing, já tendo o seu 1º exército constituído, passou a operar em bloco, sob a coordenação de Foch, sendo-lhe atribuído o setor de Verdun. Em outubro, a FEA tem já no terreno o 2º exército, comandado pelo general Bullard, passando a FEA ao escalão grupo de exércitos e Pershing o comandante da FEA. O general Ligget passou a comandar o 1º exército.

No primeiro dia de combate foram feitos 12 000 prisioneiros e capturados 400 canhões. Até ao fim da operação, foram feitos prisioneiros quase 50 000 homens.

Mapa 11.jpg

 

c).- Ofensiva de Saint Mihiel

 

A 12 de setembro, o 1º exército da FEA, ainda sob o comando de Pershing, lança a sua primeira ofensiva. O seu brio queria mostrar a sua capacidade para planear e executar autonomamente uma operação. O objetivo era reduzir o saliente de Saint Mihiel, em poder dos alemães desde 1914. Com o apoio do II CE Colonial francês, a oeste, o 1º exército de Pershing irrompe sobre o saliente e conquista-o. É a primeira operação de grande envergadura do exército norte-americano desde o final da Guerra da Secessão. Nesta operação a FEA implicou meio milhão de soldados, apoiados por 1 500 aviões e 270 tanques ligeiros. A 16 de setembro, o saliente foi conquistado, limpo, com 13 000 prisioneiros e 466 bocas-de-fogo. Do lado americano, as baixas foram de 7 000 homens.

A vitória americana de Saint Mihiel abalou profundamente o moral das tropas alemãs. Estávamos agora em presença de um exército em permanente declínio e descrente. A diferença de meios, quer humanos quer materiais, era notória.

A partir daqui toda a Linha Hindenburg foi constante, e sucessivamente, desmoronada, levando as tropas Aliadas os alemães na sua frente. Em meados de outubro, os americanos romperam finalmente a Linha Kriemhild, ameaçando a grande base ferroviária de Metz. No princípio de novembro, as linhas estabilizaram-se frente a Bruxelas e a Namur.

Os alemães, entre março e julho, perderam mais de 1 milhão de homens e, nos meses seguintes, outros 750. 000, na sua maioria, prisioneiros.

A economia de guerra estava em crise, com as fábricas à beira da rutura. O líder social-democrata queixava-se que as classes trabalhadoras das zonas norte e leste de Berlim careciam de 4 000 vagões ferroviários para serem utilizados no vital aprovisionamento em batatas.

O choque agora das unidades dos contendores era de tal modo favorável aos Aliados que Ludendorff foi ter com Hindenburg sugerindo-lhe que, face à situação do exército alemão, se impunha a rápida obtenção de um armistício. E desabafava que «não se pode confiar minimamente nas tropas».

Mapa 12.jpg

Positivamente, Ludendorff estava desorientado, completamente em baixo!

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