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zassu

26
Mai15

Grande Guerra (1914-1918) - 33

 

 

 

A GRANDE GUERRA (1914-1918)

E A PARTICIPAÇÃO DOS MILITARES DO RI 19 E DO ALTO TÂMEGA NO CONFLITO

 

PRIMEIRA PARTE

CONTEXTO INTERNACIONAL

(DA PLACIDEZ TECTÓNICA AO MOVIMENTO DAS PLACAS) 

 

V

AS FRENTES DE COMBATE

(OU AS GRANDES ONDAS DE CHOQUE)

 

 

2.4.3.6.- 2º semestre de 1917 - As batalhas

(junho a dezembro de 1917)

a).- A Batalha de Messines

 

Enquanto o moral das tropas francesas se recompunha, coube à FEB a «despesa» de aguentar ofensivamente a Frente Ocidental Aliada. Douglas Haig desejava reduzir o saliente do dispositivo inimigo, a sul de Ypres, conquistando a crista de Messines. Coube ao general do 2º exército da FEB - general sir Herbert Plumer - executar esta operação. E este general utilizou aqui uma nova modalidade de ataque que, manifestamente, surpreendeu os alemães pelo seu efeito espetacular. Esta nova modalidade consistia em cavar túneis na direção das posições inimigas, a uma profundidade que chegou, em alguns pontos, a atingir os 30 metros de profundidade, prolongando-se até cerca de 50 metros da retaguarda da primeira linha alemã. Na extremidade destes túneis, os sapadores britânicos, a maioria deles mineiros, colocaram 454 toneladas de explosivos para serem detonados, simultaneamente, numa frente de cerca de 50 Km. Este trabalho foi feito com tal perícia, e tamanho segredo, que só um dos túneis construído é que foi descoberto.

Na noite de 6 para 7 de junho de 1917, a artilharia britânica lançou uma violenta preparação sobre as posições alemãs. Quando esta terminou, a maioria das minas colocadas nos túneis explodiram (cinco delas ainda permanecem naquele solo sem detonar e, uma sexta, foi detonada durante uma tempestade, em 1955), deixando os pouco sobreviventes germânicos totalmente fora de combate. Às 7 horas da manhã, Messines estava na posse dos Aliados. A operação atingiu todos os seus objetivos e as unidades britânicas, depois de instaladas, repeliram com êxito os esperados contra-ataques alemães. A operação «Batalha de Messines», ocorrida na zona da Flandres, durou uma semana. Houve 25 000 mortos confirmados e 10 000 desaparecidos. Mais de 10 000 soldados alemães morreram na explosão, a maior planeada na história militar da época, abrindo crateras enormes, que ainda hoje podem ser vistas em fazendas francesas, servindo agora de piscinas ou de reservatórios de água, e criou um terreno muito perigoso para o avanço dos britânicos, onde 7 000 soldados perderam a vida.

a.1.).- Retalho de memória deste período da batalha

Uma semana depois, restabeleceu-se o equilíbrio na linha da frente. Nesse mês de junho, T. S. Eliot enviou à revista Nation uma carta que recebera de um oficial que tinha estado na Frente deste antes do seu décimo nono aniversário. O oficial estava zangado com o que considerava ser uma falta de compreensão, no seu país, das condições da Frente, “«terra leprosa, semeada de corpos inchados e enegrecidos de centenas de jovens. E o pavoroso cheiro a carne putrefacta (...] Lama como papas de farinha, trincheiras com gretas estreitas e inclinadas nas papas - papas que cheiram pessimamente ao sol. Enxames de moscas e moscardos pousados em montes de matéria decomposta. Homens feridos nas crateras de projéteis por entre corpos em decomposição; indefesos sob um sol abrasador e nas noites amargas, sob bombardeamentos permanentes. Homens com as tripas de fora, pulmões desfeitos, rostos enegrecidos, esfacelados, ou membros a voar pelo ar. Homens a gritar e a gemer. Homens feridos pendurados em agonia no arame farpado, até que o caridoso jorro do fogo líquido os façam murchar como uma mosca numa vela». «Mas isto são apenas palavras», concluía o oficial, «e provavelmente transmitem a quem as ouve apenas uma fração do seu significado. Estremecem, e esquecem-nas»” Gilbert, 2007: 503-504).

Mapa 7.jpg

b).- A 3ª Batalha de Ypres (ou de Passchendeale)

Do êxito de Messines, de um objetivo limitado, mas pleno de sucesso, poderia Douglas Haig ter retirado exemplo para o futuro. Mas assim não aconteceu, pese embora as observações de Lloyd George ao considerar que se tinha atingido um número de baixas demasiado elevado, em perdas humanas, sem significado minimamente significativo em termos de resultados no terreno. Haig insistiu na penetração do dispositivo alemão no setor de Ypres, com um duplo objetivo: numa primeira fase, a conquista das cristas situadas a este de Ypres; depois, a FEB infletiria para norte para conquistar os portos belgas do Canal da Mancha, onde se abrigavam os submarinos alemães. Llyod George, receoso do sucesso, não encontrou argumentos para contrapor aos militares, face à importância do objetivo a atingir, procurando dar um rude golpe à guerra submarina alemã.

A ofensiva foi planeada para o verão. O plano de operações era o seguinte: ao 5º exército, do general Gough, competia-lhe a realização do ataque principal; ao 1º exército, do francês Antoine, a esquerda de apoio; ao 2º exército, do general britânico Plumer, a direita de apoio; meios aéreos, britânicos e franceses, assegurariam o domínio do espaço aéreo, evitando e impedindo a observação e a regulação do fogo alemão; esperando-se a ausência de chuva, para não dificultar a progressão de infantaria e dos carros de combate num terreno habitualmente enlameado e pejado de crateras.

Mapa 8.jpg

A Posição da Flandres, do lado alemão, era assim que era designada, era uma das mais fortes da Frente Ocidental, porquanto se apoiava numa das poucas linhas de elevação existentes na região e dos trabalhos de organização dos terrenos meticulosamente levados a cabo. A ofensiva aliada teria de decorrer numa zona plana, sem vegetação nem edifícios de cobertura, tornando os atacantes num alvo fácil com um campo de tiro ideal para os alemães.

Quando a 31 de julho se deu início à ofensiva, o que aconteceu foi muito diferente do que o planeado. O ataque, com início às 3 horas e 50 minutos, após uma preparação de artilharia, durante a qual foram disparadas 4 milhões de granadas, um número quatro vezes superior ao do Somme, obteve bons resultados - os alemães recuaram entre 5 a 10 Km, relativamente à linha da frente. Com poucas tropas alemãs nas trincheiras avançadas, o escalão de ataque dos Aliados não deparou com obstáculos significativos para percorrer os 2-3 Km iniciais. Mas, depois, começaram as complicações: as ligações telefónicas com a artilharia foram interrompidas; o mesmo sucedeu às que asseguravam o fluxo de informações para os postos de comando dos diferentes escalões; ao início da tarde, uma intensa chuva de granadas da artilharia alemã abateu-se sobre as unidades em progressão atacante, obrigando-as a recuar; e, como se esta chuva de projéteis não bastasse, uma forte chuvada caiu sobre o campo de batalha, transformando o solo num mar de lama, dificultando a progressão da infantaria e dos carros de combate. Face ao embaraço da chuva, não muito esperada neste período do ano, Douglas Haig manda suspender o ataque e consolidar as posições conquistadas. E insistiu, junto do Gabinete de Guerra britânico, para prosseguir a ofensiva, logo que aliviasse o tempo. Mas a chuva não parou de cair nas duas primeiras semanas de agosto. A 16, com a melhoria do tempo, o 5º exército lança-se na direção da linha Gheluvelt-Langemarck, com pesadas baixas. Diminuindo o ânimo da força atacante, do 5º exército, Haig, a 24, transfere a missão do ataque principal para o 2º exército, de Plumer. Mas Plumer entendeu ser oportuno algum tempo de preparação para o novo ataque e prosseguindo objetivos menos ambiciosos daqueles que Haig pretendia.

A 20 de setembro, a ofensiva continua. Agora imperava uma tática mais cautelosa: os primeiros avanços eram obtidos a partir de curtos lanços, de aproximadamente 1 500 metros, sempre acompanhados do apoio de artilharia. Tinha-se, finalmente, aprendido alguma coisa com este método. E, usando esta tática, todo o planalto de Gheluvelt foi conquistado e os alemães ficaram sem observação direta sobre o terreno imediatamente a este de Ypres.

O último assalto à colina de Passchendeale foi levado a cabo por tropas do corpo canadiano, a 6 de novembro.

No balanço final da 3ª Batalha de Ypres (ou de Passchendeale), eis o preço da iniciativa: 300 000 perdas britânicas; 8 500 francesas; 260 000 alemãs, entre mortos, feridos e desaparecidos, muitos deles submersos nas crateras do campo de batalha. David Martelo diz que as perdas sofridas pelos britânicos “adquiriram, agora, uma gravidade acrescida porque se haviam esgotado os voluntários de 1914 [da campanha de Kitchener] e, apesar de o governo ter decretado a conscrição, a qualidade física dos novos recrutas era claramente inferior aos padrões até então praticados” (Afonso; Gomes, 2013: 299).

Britânicos e franceses lutavam com um mesmo problema - o manter o mesmo número de divisões. Para a obtenção deste desiderato, o recurso foi reduzir os seus quadros orgânicos de 12 para 9 batalhões.

Do lado alemão, a situação não era assim tão grave, de momento. Estabelecida a paz com o novo regime dos sovietes, poder-se-ia agora contar com mais 50 divisões provenientes da Frente Oriental. Mas eram as únicas reservas a injetar nas trincheiras da Frente Ocidental.

c).- A Batalha de Cambrai

No outono de 1917, o brigadeiro H. Elles, comandante do Corpo de Carros de Combate da FEB, tendo intacto o seu grosso de carros de combate, aspirava o emprego destes veículos em massa compacta, em vez de os dispersar pelas unidades de infantaria (nova tática, portanto). Não sendo o solo lamacento da Flandres propício a esta ação, o brigadeiro H. Elles persuadiu o comandante do 3º exército, Byng, para, em frente a Cambrai, efetuar uma operação compacta destes carros. Byng, por sua vez, convence Haig das potencialidades desta nova tática e operação. Haig aprovou-a.

Na madrugada de 20 de novembro de 1917, 324 carros de combate, juntamente com o 3º exército, após uma preparação de artilharia, usando novo método de registo, que prescindia dos habituais fogos de regulação, apanhou os alemães desprevenidos. Neste contexto, dá-se início à ofensiva. O ataque britânico progride 6Km rapidamente, mercê da pouca guarnição das primeiras linhas alemãs, cujo padrão já era habitual. Os carros de combate iam à frente; a infantaria logo a seguir, a 150 metros. Embora houvesse alguma destruição de carros de combate, por manifesta descoordenação com a infantaria, no final do primeiro dia de operações, os britânicos não podiam estar mais felizes por este sucesso. Pensava-se que, agora, com estes meios, a guerra estaria ganha para os Aliados e o célebre KO de Llyod George seria aplicado, finalmente, aos alemães. O entusiamo foi tanto que até os sinos em Londres começaram a repicar.

Mas o uso dos carros de combate e as suas técnicas ainda não estavam suficientemente maduras para o sucesso que, mais tarde, se obteve deles. E os alemães, demonstrando uma enorme capacidade para manobrar as suas reservas, iniciaram um movimento de contra-ataque que, em poucos dias, recuperaram parte do terreno perdido.

O saldo desta operação, de ambos os lados, seguia o padrão do costume - 45 000 mortos.

d).- Outras operações das tropas francesas

Começando a voltar à normalidade o moral das tropas francesas, durante o último trimestre de 1917, os franceses conseguiram operações limitadas, com sucesso, recuperando todas as posições perdidas por ocasião da ofensiva de fevereiro de 1916 (Verdun).

Em outubro, na região de Aine, também empurraram os alemães para norte do rio Ailette, atingindo o objetivo que se propunham alcançar na ofensiva de abril.

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