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zassu

01
Mai15

Grande Guerra (1914-1918) - 10

 

 

 

A GRANDE GUERRA (1914-1918)

E A PARTICIPAÇÃO DOS MILITARES DO RI 19 E DO ALTO TÂMEGA NO CONFLITO

 

PRIMEIRA PARTE

CONTEXTO INTERNACIONAL

(DA PLACIDEZ TECTÓNICA AO MOVIMENTO DAS PLACAS) 

 

II

A CORRIDA ÀS ALIANÇAS E OS FATORES DE PERTURBAÇÃO DO SUL DA EUROPA

 

4.- Outros fatores de perturbação no sul da Europa

4.1.- A questão da Itália

A Itália, depois de assinar a aliança com os Poderes Centrais (Alemanha e Áustria-Hungria), pensando-os mais fortes, ao ver a aproximação da França ao Reino Unido, hesita, fazendo uma política dupla. Formalmente apoia os Poderes Centrais, contudo, a sua diplomacia secreta garante à França que manterá a neutralidade, caso sobrevenha a guerra.

4.2.- O Império Otomano

Desde há muitos anos que vinha evidenciando uma enorme fraqueza, estando-se a desfazer. No Norte de África, os Otomanos perderam a Argélia para a França; o Egito para o Reino Unido; a Líbia para a Itália; Marrocos para a França e Espanha. No desfazer deste império, havia muitas ambições, de vizinhos e grandes poderes, de um modo especial quando começou a sentir-se a importância estratégica do petróleo para as economias, que não existia na Europa e abundante no Médio Oriente. A rivalidade quanto à partilha do Império Otomano provinha principalmente da Rússia, Alemanha, Reino Unido e França, os quatro maiores poderes europeus.

4.3.- Os Balcãs

O seu imenso mosaico de etnias; as mais recentes independências e estados, não coincidindo com as nações, eram ingredientes de um «caldo» imenso prestes, a qualquer momento, a abrir uma violenta fenda.

4.4.- A eclosão de movimentos nacionalistas

Em primeira mão, França e Alemanha.

Depois, quer no Império Otomano, quer na Áustria-Hungria (que não tinha uma forte identidade que servisse de contrapeso e em redor da qual os seus cidadãos pudessem reunir-se, uma vez que não era tanto um país mas um grupo de propriedades adquiridas pelos Habsburgo, ao longo do último milénio, mediante hábeis manobras, casamentos e guerras) ou na Rússia, em que a todo o momento eclodiam movimentos nacionalistas. Não se havia consolidado o sentido de nação. Dai o fomento de atividades terroristas, levando a cabo atentados bombistas, eram uma constante. Viena acusava a Sérvia de fomentar estas atividades, só que o grande problema era que a Sérvia tinha apoio da Rússia que, por sua vez, opunha-se a qualquer ação militar de Viena. Era a tão apregoada proteção russa dos irmãos eslavos do sul...

4.5.- Os efeitos da corrida naval no sul da Europa

HMS_Dreadnought_1906_H61017.jpg

Face ao perigo que a Alemanha poderia representar com a sua esquadra naval, em tempo de guerra, Inglaterra e França chegaram ao seguinte acordo: A Inglaterra concentrava a sua marinha no Mar do Norte para conter a Alemanha; a França ficava responsável pela situação naval no Mediterrâneo. A marinha francesa tinha, em 1914, 703 mil toneladas (números que segundo António José Telo, in ob. cit., correspondem a unidades de combate), significando que, sozinha, poderia derrotar a Áustria (277 toneladas) e a Turquia (61 mil toneladas), caso se juntassem à Alemanha. Simplesmente, ainda segundo este mesmo autor, a Itália tinha 517 mil toneladas e a Espanha 88 mil. Ora, se as quatro se unissem contra a França, os Poderes Centrais teriam no Mediterrâneo 943 mil toneladas, contra as 703 mil da França - o que seria desastroso para os Aliados. Assim, a estratégia era impedir a Itália e a Espanha de alinharem com os Poderes Centrais, negociando com estas um conjunto de concessões. No caso de Espanha, as concessões passaram pela cedência de uma zona de Marrocos e pela condescendência em relação às suas ambições para Portugal.

O Mediterrâneo era uma zona muito sensível para a grande estratégia dos Aliados em caso de guerra. A situação foi tensa enquanto a Itália não definiu a sua posição. E, por isso mesmo, a neutralidade da Espanha era muito importante - particularmente para a Grã-Bretanha -, estando, ainda segundo A. J. Telo “Londres e Paris dispostos a todas as concessões para o conseguir” (Telo, n.d.: 24), residindo aqui, ainda segundo este autor a recusa por parte da aliada Inglaterra da “beligerância portuguesa na fase inicial da guerra: não quer fazer nada que possa levar a Espanha ou a Itália a alinhar com os Poderes Centrais” (Telo, n.d.: 24).

Em 1915, a Itália entra na guerra ao lado dos Aliados, contando estes no Mediterrâneo com 1 220 mil toneladas de navios de guerra para as marinhas da França e da Itália, contra as escassas 338 mil para as marinhas da Áustria e da Turquia. A partir deste momento, a posição da Espanha passa a ter menor importância.

Quando, na Segunda Parte deste trabalho, falarmos da questão da problemática da beligerância portuguesa neste conflito, esta questão será um pouco mais desenvolvida, abordando o jogo da diplomacia entre Londres e Lisboa, nos anos de 1914-1915.

Em suma, para além do seu caráter imperialista, a lógica das alianças “estava ligada ao desigual desenvolvimento das nações, à rivalidade que deriva desse facto [...] Outras nações industriais nasceram, conseguiram crescer e, depois, prosperar, não se deixando dominar pela Inglaterra. Em primeiro lugar, foi a França e depois a Bélgica, que partiram logo a seguir na corrida para a industrialização; depois foram os Estados Unidos, a Rússia e o Japão; por fim, e principalmente, a Alemanha” (Ferro, 2008: 37). Com uma força económica extremamente competitiva, concentrada num território demasiado pequeno, querendo crescer e expandir-se, encontrou rivais que lhe obstaram o caminho, na satisfação das necessidades extraordinárias de um corpo em pleno crescimento.

Tentámos expor o «magma» em que assentava o movimento das placas (instáveis) - poderes imperiais - na Europa.

E, neste jogo de alianças e de preparação para a guerra, a corrida naval e aos armamentos estava na ordem do dia, pese embora o movimento anti belicista.

Assim, qualquer fissura, por mais pequena que fosse, e, ao mais ligeiro descuido, poderia transformar-se num terramoto cujo epicentro criaria ondas de choque imprevisíveis, dificilmente controláveis.

Embora ainda naquela altura não existissem, devidamente estruturados, «observatórios sismológicos» para antecipar fenómenos, prevenir ou minorar as catástrofes, havia, contudo, já planos. Não para por fim ou minorar as ondas de choque, mas infelizmente para as por em marcha.

Vejamos, antes do «apagar das luzes», que Sarajevo representou, quais eram esses planos, começando pelo «ambiente» que presidiu à sua respetiva elaboração.

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