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zassu

16
Fev14

Encontro(s) - Cena 15:- Até já!

ATÉ JÁ!

 

Hoje estivemos num jantar muito especial.

 

 

Especial mas, simultaneamente, com dificuldade em classificá-lo: se despedida ou de homenagem.

 

Por nós, preferimos mais a palavra homenagem. Porque, com ele, queríamos assinalar o fim de um ciclo e o começo de outro.

 

E, talvez, até mais do que isso - o da passagem de um testemunho.

 

O Professor Doutor Américo Nunes Peres, distinto professor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) e, durante muitos anos, Delegado do Magnífico Reitor, no Pólo de Chaves da UTAD, aposentou-se.

 

Os funcionários daquele Pólo não quiseram deixar «partir» Américo Nunes Peres, para uma nova fase da sua vida, sem antes lhe mostrarem a sua estima, amizade e gratidão por tantos anos de convivência e trabalho, em conjunto, a favor da causa do ensino superior público em Chaves.

 

Os seus colegas e colaboradores na docência - bem assim representantes institucionais da UTAD (Vila Real) - estiveram também presentes.

 

Nas suas palavras finais, Américo Peres, da forma que sempre nos já habituou e lhe é peculiar, sucinta e sentidamente, com humildade, pediu desculpas por alguma falha cometida e por não ter feito mais e melhor pela UTAD em Chaves.

 

Vimos que proferia as palavras com emoção, vindas mesmo do fundo da alma, evidenciando um profundo sentido de tristeza, como que se justificando do fracasso de um sonho.

 

 

Na circunstância - porventura quebrando o protocolo, e agindo de uma forma (eventualmente) politicamente incorreta - não resistimos, contrapondo ao seu discurso, que o sentimos no final como se duma despedida se tratasse.

 

E referimos que, no fim da nossa adolescência e começo da nossa primeira juventude, houve 3 personalidades que tiveram uma influência decisiva em termos do que, a partir daí seria o nosso caminho do futuro e a interiorização e vivência de princípios e valores que acabaram por nortear a nossa vida: Martin Luther King; John F. Kennedy e Che Guevara. O primeiro, quando apelava a termos um sonho (tal como ele o teve e pelo qual lutou e morreu); o outro, quando, no seu discurso de tomada de posse como Presidente dos Estados Unidos da América, dizia aos seus compatriotas que «não perguntem o que o seu país pode fazer por vocês - mas o que vocês podem fazer pelo seu país»; o terceiro, quando, pelo seu exemplo de vida, nos incita à rebeldia, à luta pelos nossos ideais, contra a injustiça social e a incorruptibilidade da conduta humana pois, mais importante que os povos e as nações é o Homem, o seu bem-estar e a sua dignidade.

 

De certa forma, Américo Nunes Peres, nosso amigo e companheiro de luta pelas causas da educação - que assumíamos não apenas como uma simples profissão mas como uma verdadeira vocação - preparando jovens (mulheres e homens) para os novos desafios da sociedade do futuro, também, connosco, teve um sonho: fazer crescer o Pólo da UTAD em Chaves, contribuindo, assim, com uma nova «massa crítica», não só para preparar os jovens, construtores da sociedade do futuro - uma sociedade cada vez mais heterogénea, diversa, complexa, multi, pluri e intercultural - mas também para que a instituição de formação e investigação da qual fazia parte, e da qual aqui em Chaves era responsável como Delegado da entidade máxima da UTAD, contribuísse e trabalhasse para o desenvolvimento de um território de fronteira, periférico, em desertificação crescente, deprimido.

 

E deu exemplo de luta e perseverança por esse ideal (ou desiderato) ao interiorizar que o desenvolvimento de um lugar, de uma terra ou território não se consubstancia - ou se espera apenas que venha dos que são e vêm de fora - mas, essencialmente, se faz e se constrói a partir de nós próprios.

 

Américo Nunes Peres lutou, às vezes com rebeldia - nunca desistindo -, para que os responsáveis da UTAD entendessem que o alargamento da UTAD, com um autêntico Pólo, criando uma academia, num dos lugares estratégicos do território transmontano, como Chaves, trazia uma mais-valia, uma outra notoriedade, e uma mais eficaz intervenção em termos de influência e atuação da UTAD na Região de Trás-os-Montes de Alto Douro nas suas múltiplas relações e interconexões, essencialmente com a Galiza, e não se confinando, quase exclusivamente, à cidade onde tem a sua sede.

 

Teve, pois, este sonho; interiorizou e fez sentir, a quem de direito, que não eram apenas os dinheiros ou as eventuais más vontades do poder central que iriam impedir um verdadeiro Pólo da UTAD em Chaves; porque sempre teve como lema que «ninguém desenvolve ninguém a não ser nós próprios».

 

Houve muitos ouvidos moucos e ventos que, de muitos lados, não sopraram de feição!

 

O sonho, para ele, (e tenho sérias dúvidas se algum dia foi para alguns!) não se tornou realidade.

 

Mas a fé e a esperança, como é costume dizer-se, são as únicas a morrer!

 

Por isso, Américo Nunes Peres, ao sair do Pólo de Chaves, para iniciar um novo ciclo da sua vida, não se despediu dele: apenas passou o testemunho de um sonho; a perseverança de uma luta e a convicção, eivada de um grande apelo - e que  todos os flavienses devem também interiorizar: que não é apenas contarmos só com os de fora - pois ninguém dá nada sem luta! - para  adquirirmos aquilo que consideramos ser mais justo e adequado para o desenvolvimento das pessoas que aqui vivem, lutam e trabalham em ordem a uma melhor qualidade de vida e ao desenvolvimento harmónico, sustentável e equilibrado da sua terra.

 

Por isso, o ato a que hoje assistimos, não foi uma despedida, simplesmente um até já.

 

Aqui deixamos, publicamente, um abraço amigo ao colega de tantos anos de trabalho e luta naquilo que sempre nos moveu: a qualidade da educação numa melhor formação dos nossos jovens em ordem a uma melhor cidadania para a sociedade do amanhã.

 

António de Souza e Silva

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