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zassu

28
Ago12

Encontro(s) - Cena um:- À volta das amizades do Facebook

 

ENCONTRO(S)

 

CENA UM - À VOLTA DAS «AMIZADES DO FACEBOOK 

  

Faz hoje oito dias, que um dos meus «amigos» do Facebook “partilhava”, na sua página pessoal, uma ligação que tinha a ver com uma entrevista dada por Zygmunt Bauman, no âmbito da iniciativa “Fronteiras do Pensamento”, promovida, entre outros, pelas Universidades Federais, de São Paulo e Porto Alegre, Brasil.

 

Julgava eu que o visionamento daquele entrevista, de meia hora, abordando questões que hoje em dia se põem ao homem na sociedade actual, levaria a que alguns «amigos» “pegaria” em algum dos temas abordados e, a partir daqui, eventualmente, iniciar-se um diálogo e discussão profícua.

 

Puro engano!

 

Apenas uma pessoa «clicou» no «like».

 

Bem sei que estas «amizades» do Facebook são de outra ordem. Mesmo assim estava esperançado que alguém lhe "pegasse".

 

E veio-me à lembrança uma das passagens da entrevista de Bauman, quando se referia ao Facebook, e aos «amigos» desta «rede». Dizia ele tratar-se de uma pessoa solitária, numa multidão de solitários. Só?

 

Será como Bauman diz que a atractividade deste tipo de rede é que não cria compromissos, não estabelece verdadeiros laços humanos, ao não se efectuar uma conexão de verdade como aquela que põe face a face, corpo a corpo e olhos nos olhos as pessoas?

 

Que este tipo de relação não cria compromisso nenhum entre amigos?

 

Que é pura espetacularização da vida privada, em plena praça pública, promovida por esta «rede»?

 

Que a essência desta relação está só no «conectar» e «desconectar» do «amigo» conforme lhe der na “real gana”?

 

Não provocando, assim, situações difíceis que o «desconectar» real de uma amizade concita, na rotura da mesma, e que, até, pode ser traumática?

 

É certo que o Facebook está na moda. E que reflecte um dos “sinais dos tempos” propiciados pela novas tecnologias da informação e comunicação, no contexto de uma sociedade globalizada como aquela em que vivemos.

 

Uma sociedade em que se acentua, de forma cada vez mais clara, os sinais identificadores da perda das identidades e das raízes dos cidadãos. Uma sociedade em que assistimos ao paradoxo de sermos cidadãos do mundo, graças às fantásticas inovações tecnológicas e, ao mesmo tempo, sentimo-nos isolados diante de uma realidade que, muitíssimas vezes, nos escapa do controlo.

 

O homem globalizado do nosso tempo é um homem fragmentado e eticamente confuso, num processo acelerado de homogeneização e uniformização.

 

Sabendo embora tudo isto, pergunto-me:

  • Será que as «amizades», os diálogos e trocas de opinião que «a rede» estabelece e propicia podem-se entender como uma nova forma de “espaço público”, compreendido como ambiente de convívio e de formação da cidadania, sobretudo num momento histórico marcado pelo isolamento cada vez maior dos indivíduos, engaiolados em espaços privados, em nítida demonstração de retrocesso e de vitória do individualismo, em detrimento das conquistas colectivas?

Para mim a pergunta pode ter duas respostas.

 

Pela minha parte prefiro aquela que vê e se serve da «rede» como uma possibilidade de “alcance de campo” que esta propicia, ao ampliar as possibilidades de conhecimento e de “mobilização” do cidadão  em ordem à construção da “polis”. Pela convivência com os seus pares, integrantes da comunidade a que voluntariamente “aderiu” e/ou à qual pertence. Comunidade efectiva e afectiva de homens e mulheres livres. Solidários. Justos. Que procuram o contacto equilibrado e harmónico com a mãe-natureza.

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