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zassu

26
Mai13

Encontro(s) - Cena 11:- Conclusões do I Congresso Internacional realizado em Boticas

 

 

 

CONCLUSÕES FINAIS

 

A conferência inicial subordinada ao tema Saber Envelhecer dinamizada pelo professor doutor Pinto da Costa abriu de forma magistral o I Congresso Internacional de Animação Sociocultural, Gerontologia, Geriatria: a Intervenção Social, Cultural e Educativa na Terceira Idade, que teve como palco a vila de Boticas e lhe deu mais vida nos dias 23, 24,25 de Maio. Um congresso assumido por todos como necessário, urgente e de extrema importância no cenário actual em que os valores humanos são bruscamente substituídos pelos económicos.

 

De forma muito sintetizada estes serão alguns aspectos que poderemos concluir:

 

Abordando-se o tema do Envelhecimento Activo percebeu-se logo de início que neste congresso mais do que teorias seriam partilhadas experiências e debatidas as alternativas que se querem e necessitam num tempo de mudança global e especificamente na Pessoa Idosa.

 

Incidiu-se na distinção entre ser idoso e ser velho, definindo-se, logo à partida, que deve vigorar o ser idoso no sentido de ter um amanhã e não apenas um ontem.

 

No painel I- As artes no contexto da ASC na Terceira Idade, pelos professores doutores Agostinho Diniz Gomes, Manuel Vieites, Dantas Lima e Marichu Gonzalez, fizemos uma abordagem à música, ao cinema, às formas animadas como estratégias lúdicas e educativas ao serviço da Terceira Idade. Introduziu-se neste painel a ideia de que o idoso tem em si um poderoso e fortíssimo espólio cultural que urge partilhar com outras gerações, daí a passagem de testemunho de pais para filhos, de avós para netos. Deu-se especial ênfase ao papel activo do idoso como criador de projecto e não apenas destinatário do mesmo. O idoso músico, o idoso actor, o idoso realizador, o idoso artesão, aquele que tem o saber e deverá assumir também a função de o partilhar, de ser educador dos mais novos.

 

No painel II- A Animação Sociocultural na Terceira Idade e Educação Intergeracional, ao encargo da doutoranda Cristina Coelho, da mestre Alexandra Carneiro, do professor doutor Armando Loureiro e Mestre Teresa Esteves e Dr. Hugo Andrade, tivemos a oportunidade de colocar “o dedo na ferida”, perceber de forma clara e inequívoca que hoje o idoso é excluído da vida social e vítima de descriminação num contexto político em que o poder económico se sobrepõe até aos direitos humanos.

 

Reforçou-se e definiu-se a velhice como a alma da cultura, precisamente pelo saber que o idoso possui. Percebeu-se que a velhice só começa quando se perde o interesse e que cabe ao Animador Sociocultural ser um facilitador de processos que envolvem o idoso e o motivem. Exemplos: as Universidades Seniores, os grupos de teatro amador e os projectos dinamizados em escolas de forma a reforçar o vínculo familiar e levar os netos a descobrirem o avô para além da figura envelhecida.

 

No painel III- Animação Sociocultural e ócio na Terceira Idade, com a presença do doutorando José Filipe Pinheiro, Dr. António de Souza e Silva e professor doutor Vítor Ventosa, o ócio foi o mote para o debate. O ócio como um tempo livre de grande dimensão pedagógica, um tempo de descanso, diversão, desenvolvimento e em que há que dar primazia aos afectos. Aqui surge-nos o Animador Sociocultural uma vez mais como facilitador de processos de aprendizagem. Reforçou-se a necessidade de combater a infantilização do próprio idoso pela criação de projectos adaptados da Animação Infantil.

 

A Animação Turística surgiu pela primeira vez neste congresso como um âmbito de intervenção em que é o próprio indivíduo idoso aprofunda a sua identidade, comprometendo-se com tarefas que contribuam para o desenvolvimento da sua comunidade de inserção.

 

Surge-nos um novo paradigma em que o turista tem uma experiência que está intimamente relacionada com o seu próprio desenvolvimento pessoal.

 

Uma vez mais, e pelo professor doutor Vítor Ventosa, sublinhou-se a importância da música neste tempo de ócio, a música como uma metodologia para criar, perceber, sentir, fazer e reflectir.

 

Percebemos ainda que a Animação Sociocultural pode contribuir para diminuir o peso da descriminação. Será pela memória individual e colectiva que se fará uma ligação comunitária.

 

No painel IV, pelas comunicações da professora doutora Lurdes Bermejo, Dr. Luís Gomez Garcia, professor doutor Marcelino de Sousa Lopes e professora doutora Carla Cibele, e subordinado ao tema A Animação Sociocultural na Terceira Idade: Participação, Cidadania e Valores, percebemos que em tempos de mudança, em que vivemos mais (mas não necessariamente melhor) há que adoptar e adaptar um conjunto de boas práticas a nível institucional para que lares e residências seniores não sejam espaços frios, impessoais e de espera lenta pela morte, mas sim espaços para criar uma participação, para a continuação do exercer da cidadania e o aprofundar e/ou adquirir valores. Nem sempre a cidadania é reconhecida ao idoso por se ter tornado um agente não produtivo. Aqui temos um espaço de excelência para a intervenção do Animador promovendo relações inter-geracionais, estabelecendo um efectivo contrato social, abrindo as portas da instituição e levando o idoso a outros espaços.

 

As experiências partilhadas neste painel reforçaram precisamente a necessidade do Animador ver e analisar o Outro, reforçar a ligação com o meio.

 

Como foi dito, se sabemos, temos e cremos, logo poderemos e deveremos avançar.

 

Pelo professor doutor Marcelino de Sousa Lopes reforçou-se a necessidade do idoso interagir. A partir da génese dos étimos “comunidade” e “animação” relembrou-se precisamente a sua origem: os finais da Segunda Guerra Mundial e a necessidade de se recuperar dos escombros. E coube ai, nesse tempo já ido, à Animação Sociocultural a tarefa de dar vida.

 

Introduziu-se a temática da emergência de um novo perfil profissional do Animador Gerontológico, aquele que trabalha não apenas para, mas sobretudo com.

 

Animar definiu-se como incentivar o outro à acção, a ser autónomo e criativo.

 

E foi também o professor que nos deixou a frase: “O futuro para mim tem futuro porque eu acredito no ser humano”.

 

O painel terminou com a música que nos relembrou que não nos podem tirar as palavras e portanto há que (por parte dos Animadores) intervir de forma cirúrgica para que os idosos tenham o seu espaço na sociedade, e que seja um espaço de inclusão e não um que o condene à marginalização e exclusão.

 

No painel V- Animação Sociocultural na Terceira Idade: Educação para a Vida e Educação para a Morte, pelas intervenções da doutoranda Jenny Sousa, professor doutor Parra Marujo, reflectimos uma questão tradicionalmente incómoda: a morte.

 

Colocaram-se questões: em que mundo vivemos hoje? Que responsabilidade temos no tempo e o que fazemos com ele? Assumiu-se a Animação Sociocultural como uma pedagogia específica de reequilíbrio entre tempo e experiências vividas, dando-se ênfase ao papel do Animador como aquele que, também, deve ajudar o idoso a encontrar a sua saúde, levando-o a ver-se como responsável pelo seu corpo, alma e consciência.

 

No painel VI- Animação Sociocultural, Gerontologia, Geriatria, Voluntariado e Empreendedorismo Social na Terceira Idade, pelas comunicações do professor doutor Jacinto Jardim, Dr.ª Teresa Ferreira e professora doutora Maria Teresa Rey, reflectiram-se questões como ter uma atitude mental de cultura empreendedora, de ter capacidade para identificar uma oportunidade e acrescentar um novo valor. E reforçamos a palavra valor, presente na maioria dos painéis e que revela precisamente a necessidade de recuperar e trabalhar os mesmos, encaixando-os no contexto actual. Debateu-se a questão do voluntariado sénior, uma forma de fomentar o envelhecimento activo, na medida em que o idoso tendo terminado a sua fase laboral se sente e é de facto útil.

 

Percebeu-se ainda que até em projectos de intervenção juvenil é possível e necessário fazer-se o elo de comunicação com o idoso.

 

Pelo relato de experiências feito pela Dr.ª Marichu Gonzalez, Dr. Manuel Barros, Dr.ª Teresa Ribeiro e Dr. Jorge Rosado percebemos de forma prática, concreta como a Animação Sociocultural se assume também como uma pedagogia de aproximação de gerações.

 

Reforçou-se a necessidade de dar ao idoso o protagonismo, combatendo a tradicional mas cada vez mais ultrapassada visão paternalista da Terceira Idade e que frequentemente nos leva a nós, Animadores, a não sabermos bem qual o nosso papel e função específica e uma vez mais procurou-se dar voz a novos projectos ajustados às necessidades específicas do público visado neste congresso.

 

A intervenção do Dr. Jorge Rosado fez-nos ainda reflectir sobre os novos espaços de intervenção da Animação Sociocultural, como o contexto hospitalar. Novos espaços, novos públicos, novos valores que nos exigem uma actualização constante.

 

No painel VII- Animação Sociocultural, Geriatria, Saúde, Bem-estar e Envelhecimento Activo, a cargo do professor doutor Francisco Godinho e da doutoranda Patrícia Pires, entramos em contacto com novos termos como a gerontotecnologia e a engenharia da reabilitação e uma vez mais foi reforçada a necessidade de trabalho directo com o idoso, do contacto entre gerações que é promotor de experiências, saberes e fazeres.

 

No painel VIII- A Animação Sociocultural e Gerontologia Social, Cultural e Educativa, pelas comunicações da professora doutora Rosa Marina Afonso, professor doutor Manuel Loureiro, professora doutora Lucília Salgado, professor doutor Joaquim Escola, professora doutora Rita Barros, reflectimos sobre os estereótipos associados à velhice, concluindo que há que os desconstruir, precisamente pela interacção com as pessoas idosas.

 

A professora doutora Lucília Salgado lembrou a questão da prevalência do valor económico que reduz a pessoa a um recurso e não a dignifica enquanto ser.

 

A Animação Sociocultural vem lembrar à sociedade do conhecimento que temos que enriquecer os espaços de formação das pessoas idosas e assim promover efectivamente o envelhecimento activo.

 

As tecnologias de informação e comunicação foram trazidas ao debate como formas de promover o conhecimento e permitir a inclusão.

 

O professor doutor Joaquim Escola abordou a questão do ser estar reduzido à sua função, questionado sobre as medidas a tomar para promover a inclusão do idoso, dando ênfase à inclusão política. E pela segunda vez a música entrou nos ouvidos e na alma dos presentes como forma de despertar os sentidos e gerar a reflexão crítica. E como os idosos não estão “fora de moda” como nos cata Rui Veloso, é que este congresso fez, faz e fará todo o sentido para que este público tenha a atenção e os cuidados que necessita e merece.

 

Há que dar poder aos idosos, dar-lhes dignidade por uma escuta activa que lhes confira realmente o direito à escolha.

 

Terminou-se este congresso com uma mesa redonda subordinada ao tema O Perfil do Animador com os oradores doutorando Rui Fonte, Dr.ª Marina Maltez e mestre Fernanda Barroso.

 

Debateram-se as questões relacionadas com a promoção do encontro entre gerações, salientando-se o papel e perfil do Animador que se quer capaz no âmbito do envelhecimento activo e produtivo.

 

Pelo doutorando Rui Fonte a música entrou uma vez mais no auditório numa mensagem de se criar Tempo para o encontro entre as diferentes faixas etárias.

 

 

 

Boticas, 25 de Maio de 2013

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