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25
Abr20

25 Abril Sempre! Em Liberdade...

 

25 DE ABRIL SEMPRE... EM LIBERDADE

 

LIBERDADE

Cartaz da autoria de Maria Helena Vieira da Silva, intitulado A Poesia Está na Rua.

Nos meus cadernos de escola

Nas carteiras e nas árvores

Nas areias e na neve

Escrevo teu nome

 

Em toda página lida

Em toda página em branco

Pedra, papel, sangue ou cinza

Escrevo teu nome

 

Em toda imagem doirada

E nas armas dos guerreiros

Ou nas coroas dos reis

Escrevo teu nome

 

Na floresta e no deserto

Nos ninhos e nas giestas

Nos ecos de minha infância

Escrevo teu nome

 

Nas maravilhas da noite

No pão branco da manhã

Nas estações em noivado

Escrevo teu nome

 

Em todo farrapo azul

No tanque de água mofado

No lago de lua viva

Escrevo teu nome

 

Nos campos e no horizonte

Nas asas dos passarinhos

E nos moinhos de sombra

Escrevo teu nome

 

Em todo sopro da aurora

No mar e em cada navio

Na montanha adormecida

Escrevo teu nome

 

Nas espumas e nas nuvens

Nos suores da tormenta

Na chuva densa e enfadonha

Escrevo teu nome

 

Nas formas resplandecentes

Nos sinos de várias cores

Em toda verdade física

Escrevo teu nome

 

Nos caminhos acordados

E nas estradas vistosas

Ou nas praças transbordantes

Escrevo teu nome

 

Na lâmpada que se acende

Na lâmpada que se apaga

Em minhas casas reunidas

Escrevo teu nome

 

Na fruta cortada ao meio

Do meu espelho e meu quarto

No leito concha vazia

Escrevo teu nome

 

No meu cão guloso e terno

De orelhas que estão em guarda

Nas suas patas sem jeito

Escrevo teu nome

 

Na minha porta de entrada

Nos objetos familiares

Nas ondas de fogo lento

Escrevo teu nome

 

Em toda carne cedida

Na fronte de meus amigos

Em cada mão que se estende

Escrevo teu nome

 

Na vidraça das surpresas

E nos lábios sempre atentos

Bem acima do silêncio

Escrevo teu nome

 

Nos refúgios destruídos

Nos faróis desmoronados

Nas paredes de meu tédio

Escrevo teu nome

 

Nas ausências sem desejo

Na solidão toda nua

Nesta marcha para a morte

Escrevo teu nome

 

Na saúde que retorna

No perigo que passou

Nas esperanças sem eco

Escrevo teu nome

 

E ao poder de uma palavra

Recomeço minha vida

Nasci para conhecer-te

E chamar-te

Liberdade.

 

Paul Éluard, In Œuvres Complètes, Éditions Gallimard, Paris, 1968

(Tradução de Carlos Drummond de Andrade e Manuel Bandeira)

 

Paul Eluard

Era o grande brado do Poeta, identificado com as dores e os anseios do povo e da Pátria. Além de ser um magnífico poema do ponto de vista literário, "Liberté", de Paul Éluard, carrega consigo o peso da História. Escrito em 1942, com o título "Une Seule Pensée" (Um Único Pensamento), esse texto foi transportado clandestinamente da França, ocupada pelos nazistas, para a Inglaterra. Em 1943, traduzido para vários idiomas, o poema foi distribuído como um panfleto, lançado por aviões aliados nos céus da Europa conflagrada. O responsável por contrabandear essa preciosidade da França ocupada para a Inglaterra foi um brasileiro, o pintor pernambucano Cícero Dias (1907-2003). Em reconhecimento a essa proeza, Dias foi condecorado pelo governo francês com a Ordem Nacional do Mérito, em 1998.

Fonte: http://www.algumapoesia.com.br/drummond/drummond23.htm

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