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zassu

26
Dez22

Versejando com imagem - Natal é quando um homem quiser, Ary dos Santos

VERSEJANDO COM IMAGEM

NATAL É QUANDO UM HOMEM QUISER 

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Tu que dormes a noite na calçada de relento
Numa cama de chuva com lençóis feitos de vento
Tu que tens o Natal da solidão, do sofrimento
És meu irmão amigo
És meu irmão

O Natal é quando um Homem quiser!

E tu que dormes só no pesadelo do ciúme
Numa cama de raiva com lençóis feitros de lume
E sofres o Natal da solidão sem um queixume
És meu irmão amigo
És meu irmão

Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um homem quiser
Natal é quando nasce uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher

Tu que inventas ternura e brinquedos para dar
Tu que inventas bonecas e combóios de luar
E mentes ao teu filho por não os poderes comprar
És meu irmão amigo
És meu irmão

E tu que vês na montra a tua fome que eu não sei
Fatias de tristeza em cada alegre bolo-rei
Pões um sabor amargo em cada doce que eu comprei
És meu irmão amigo
És meu irmão

Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um homem quiser
Natal é quando nasce uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher

ARY DOS SANTOS, IN «AS PALAVRAS DAS CANTIGAS (EDIÇÃO AVANTE, 2017)

16
Dez22

Versejando com imagem - Desencanto, de Mário Quintana

VERSEJANDO COM IMAGEM

DESENCANTO

istockphoto-1180809193-640x640.jpg

Eu faço versos como quem chora

De desalento… de desencanto…

Fecha o meu livro, se por agora

Não tem motivo nenhum de pranto.

Meu verso é sangue. Volúpia ardente…

Tristeza esparsa… remorso vão…

Dói-me nas veias. Amargo e quente,

Cai, gota a gota, do coração.

E nestes versos de angústia rouca

Assim dos lábios a vida corre,

Deixando um acre sabor na boca.

– Eu faço versos como quem morre.

 

Mário Quintana

13
Dez22

Versejando com imagem - Trovas, de Garcia de Resende

VERSEJANDO COM IMAGEM

 

 TROVAS

Ines_de_castro.jpg

(Quadro de Columbano Bordalo Pinheiro)

Senhoras, s'algum senhor

vos quiser bem ou servir,

quem tomar tal servidor,

eu lhe quero descobrir

o galardam do amor.

Por Sua Mercê saber

o que deve de fazer

vej'o que fez esta dama,

que de si vos dará fama,

s'estas trovas quereis ler.

 

Fala D. Inês

 

Qual será o coraçam

tam cru e sem piadade,

que lhe nam cause paixam

úa tam gram crueldade

e morte tam sem rezam?

Triste de mim, inocente,

que, por ter muito fervente

lealdade, fé, amor

ó príncepe, meu senhor,

me mataram cruamente!

 

A minha desaventura

nam contente d'acabar-me,

por me dar maior tristura

me foi pôr em tant'altura,

para d'alto derribar-me;

que, se me matara alguém,

antes de ter tanto bem,

em tais chamas nam ardera,

pai, filhos nam conhecera,

nem me chorara ninguém.

 

Eu era moça, menina,

per nome Dona Inês

de Castro, e de tal doutrina

e vertudes, qu'era dina

de meu mal ser ó revés.

Vivia sem me lembrar

que paixam podia dar

nem dá-la ninguém a mim:

foi-m'o príncepe olhar,

por seu nojo e minha fim.

 

Morte de Inês

 

Começou-m'a desejar,

trabalhou por me servir;

Fortuna foi ordenar

dous corações conformar

a úa vontade vir.

Conheceu-me, conheci-o,

quis-me bem e eu a ele,

perdeu-me, também perdi-o;

nunca té morte foi frio

o bem que, triste, pus nele.

 

Dei-lhe minha liberdade,

nam senti perda de fama;

pus nele minha verdade

quis fazer sua vontade,

sendo mui fremosa dama.

Por m'estas obras pagar

nunca jamais quis casar;

polo qual aconselhado

foi el-rei qu'era forçado,

polo seu, de me matar.

 

Estava mui acatada,

como princesa servida,

em meus paços mui honrada,

de tudo mui abastada,

de meu senhor mui querida.

Estando mui de vagar,

bem fora de tal cuidar,

em Coimbra, d'assessego,

polos campos de Mondego

cavaleiros vi somar.

 

Como as cousas qu'ham de ser

logo dam no coraçam,

comecei entrestecer

e comigo só dizer:

"Estes homens donde iram?

E tanto que que preguntei,

soube logo qu'era el-rei.

Quando o vi tam apressado

meu coraçam trespassado

foi, que nunca mais falei.

 

E quando vi que decia,

saí à porta da sala,

devinhando o que queria;

com gram choro e cortesia

lhe fiz úa triste fala.

Meus filhos pus de redor

de mim com gram homildade;

mui cortada de temor

lhe disse: -"Havei, senhor,

desta triste piadade!"

 

"Nam possa mais a paixam

que o que deveis fazer;

metei nisso bem a mam,

qu'é de fraco coraçam

sem porquê matar molher;

quanto mais a mim, que dam

culpa nam sendo rezam,

por ser mãi dos inocentes

qu'ante vós estam presentes,

os quais vossos netos sam.

 

"E que tem tam pouca idade

que, se não forem criados

de mim só, com saudade

e sua gram orfindade

morrerám desemparados.

Olhe bem quanta crueza

fará nisto Voss'Alteza:

e também, senhor, olhai,

pois do príncepe sois pai,

nam lhe deis tanta tristeza.

 

"Lembre-vos o grand'amor

que me vosso filho tem,

e que sentirá gram dor

morrer-lhe tal servidor,

por lhe querer grande bem.

Que, s'algum erro fizera,

fora bem que padecera

e qu'este filhos ficaram

órfãos tristes e buscaram

quem deles paixam houvera;

 

"Mas, pois eu nunca errei

e sempre mereci mais,

deveis, poderoso rei,

nam quebrantar vossa lei,

que, se moiro, quebrantais.

Usai mais de piadade

que de rigor nem vontade,

havei dó, senhor, de mim

nam me deis tam triste fim,

pois que nunca fiz maldade!"

 

El-rei, vendo como estava,

houve de mim compaixam

e viu o que nam oulhava:

qu'eu a ele nam errava

nem fizera traiçam.

E vendo quam de verdade

tive amor e lealdade

ó príncepe, cuja sam,

pôde mais a piadade

que a determinaçam;

 

Que, se m'ele defendera

ca seu filho não amasse,

e lh'eu nam obedecera,

entam com rezam podera

dar m'a morte qu'ordenasse;

mas vendo que nenhú'hora,

dês que naci até'gora,

nunca nisso me falou,

quando se disto lembrou,

foi-se pola porta fora,

 

Com seu rosto lagrimoso,

co propósito mudado,

muito triste, mui cuidoso,

como rei mui piadoso,

mui cristam e esforçado.

Um daqueles que trazia

consigo na companhia,

cavaleiro desalmado,

de trás dele, mui irado,

estas palavras dezia:

 

-"Senhor, vossa piadade

é dina de reprender,

pois que, sem necessidade,

mudaram vossa vontade

lágrimas dúa molher.

E quereis qu'abarregado,

com filhos, como casado,

estê, senhor, vosso filho?

de vós mais me maravilho

que dele, qu'é namorado.

 

"Se a logo nam matais,

nam sereis nunca temido

nem farám o que mandais,

pois tam cedo vos mudais,

do conselho qu'era havido.

Olhai quam justa querela

tendes, pois, por amor dela,

vosso filho quer estar

sem casar e nos quer dar

muita guerra com Castela.

 

"Com sua morte escusareis

muitas mortes, muitos danos;

vós, senhor, descansareis,

e a vós e a nós dareis

paz para duzentos anos.

O príncepe casará,

filhos de bençam terá,

será fora de pecado;

qu'agora seja anojado,

amenhã lh'esquecerá."

 

E ouvindo seu dizer,

el-rei ficou mui torvado

por se em tais estremos ver,

e que havia de fazer

ou um ou outro, forçado.

Desejava dar-me vida,

por lhe nam ter merecida

a morte nem nenhum mal;

sentia pena mortal

por ter feito tal partida.

 

E vendo que se lhe dava

a ele tod'esta culpa,

e que tanto o apertava,

disse àquele que bradava:

-"Minha tençam me desculpa.

Se o vós quereis fazer,

fazei-o sem mo dizer,

qu'eu nisso nam mando nada,

nem vejo essa coitada

por que deva de morrer."

 

Fim

 

Dous cavaleiros irosos,

que tais palavras lh'ouviram,

mui crus e nam piadosos,

perversos, desamorosos,

contra mim rijo se viram;

com as espadas na mam

m'atravessam o coraçam,

a confissam me tolheram:

este é o galardam

que meus amores me deram.

 

Garcia de Resende, Cancioneiro Geral, V, 357-364

Nota  Trovas que Garcia de Resende fez à morte de D. Inês de Castro, que el-rei D. Afonso, o Quarto, de Portugal,

matou em Coimbra por o príncipe D. Pedro, seu filho, a ter como mulher, e, polo bem que lhe queria, nam queria casar. Enderençadas às damas.

 

12
Dez22

Versejando com imagem - Serranilha, de Gil Vicente

VERSEJANDO COM IMAGEM

 

SERRANILHA

2022.- ADV - Panoramas outonais (170).png

A serra é alta, fria e nevosa;

vi venir serrana gentil, graciosa.

 

Vi venir serrana, gentil, graciosa,

cheguei-me per'ela com grã cortesia.

 

Cheguei-me per'ela de grã cortesia,

disse-lhe: senhora, quereis companhia?

 

Disse-lhe: senhora, quereis companhia?

Disse-me: escudeiro, segui vossa via.

 

Gil Vicente, in 'Farsa dos Almocreves'

09
Dez22

Versejando com imagem - Não sou casado senhora, de Bernardim Ribeiro

VEWRSEJANDO COM IMAGEM

 

NÃO SOU CASADO SENHORA

beda-francesco-the-suitor.jpg

Não sou casado, senhora,

que ainda não dei a mão,

não casei o coração.

 

Antes que vos conhecesse,

sem errar contra vós nada,

uma só mão fiz casada,

sem que mais nisso metesse.

Dou-lhe que ela se perdesse!

solteiros e vossos são

os olhos e o coração.

 

Dizem que o bom casamento

se há de fazer de vontade.

Eu, a vós, a liberdade

vos dei, e o pensamento.

Nisto só me achei contento:

que, se a outrem dei a mão,

dei a vós o coração.

 

Como, senhora, vos vi,

sem palavras de presente

na alma vos recebi,

onde estareis para sempre,

não de palavra somente;

nem fiz mais que dar a mão,

guardando-vos o coração.

 

Casei-me com meu cuidado

e com vosso desejar.

Senhora, não sou casado,

não mo queirais acuitar!

que servir-vos e amar

me nasceu do coração

que tendes em vossa mão.

 

O casar não fez mudança

em meu antigo cuidado,

nem me negou a esperança

do galardão esperado.

Não me engeiteis por casado,

que, se a outra dei a mão,

a vós dei o coração.

 

Bernardim Ribeiro, in 'Antologia Poética'

07
Dez22

Versejando com imagem - Crisfal, de Cristóvão Falcão

VERSEJANDO COM IMAGEM 

 

CRISFAL

 (extracto)

a-pastora-vida-no-campo-cena-bucolica-linda-garota

1

Antre Sintra, a mui prezada,

e serra de Ribatejo

que Arrábeda é chamada,

perto donde o rio Tejo

se mete n'água salgada,

houve um pastor e pastora,

que com tanto amor se amarom

como males lhe causarom

este bem, que nunca fora,

pois foi o que não cuidarom.

2

A ela chamavam Maria

e ao pastor Crisfal,

ao qual, de dia em dia,

o bem se tornou em mal,

que ele tam mal merecia.

Sendo de pouca idade,

não se ver tanto sentiam

que o dia que não se viam,

se via na saudade

o que ambos se queriam.

3

Algüas horas falavam,

andando o gado pascendo;

e então se apascentavam

os olhos, que, em se vendo,

mais famintos lhe ficavam.

E com quanto era Maria

piquena e, tinha cuidado

de guardar milhor o gado

o que lhe Crisfal dezia;

mas, em fim, foi mal guardado;

4

Que, depois de assi viver

nesta vida e neste amor,

depois de alcançado ter

maior bem pera mor dor,

em fim se houve de saber

por Joana, outra pastora,

que a Crisfal queria bem;

(mas o bem que de tal vem

não ser bem maior bem fora,

por não ser mal a ninguém).

5

A qual, logo aquele dia

que soube de seus amores,

aos parentes de Maria

fez certos e sabedores

de tudo quanto sabia.

Crisfal não era então

dos bens do mundo abastado

tanto como do cuidado;

que, por curar da paixão,

não curava do seu gado.

6

E como em a baixeza

do sangue q e pensamento

é certa esta certeza –

cuidar que o mericimento

está só em ter riqueza –

enquerirom que teriam

e do amor não curarom;

em que bem se descontarom

riquezas, se faleciam,

por males que sobejarom.

7

Então, descontentes disto,

levarom-na a longes terras

esconderom-na entre üas serras,

onde o sol não era e visto

e a Crisfal deixarom guerras.

Além da dor principal,

pera mor pena lhe dar,

puserom-na em lugar

mau para dizer seu mal,

mas bom pera o chorar.

8

Ali os dias passava

em mágoas, da alma saídas,

dizer a quem longe estava,

e chorava por perdidas

as horas que não chorava.

Em vale mui solitário e

sombrio e saudoso,

send'o monte temeroso

pera o choro necessário

pera a vida mui danoso,

9

Dizer o que ele sentia,

em que queira, não me atrevo,

nem o chorar que fazia;

mas as palavras que escrevo

são as que ele dezia.

Ali sobre üa ribeira

de mui alta penedia,

donde a água d'alto caía,

dizendo desta maneira

estava a noite e o dia:

10

«Os tempos mudam ventura

bem o sei, pelo passar;

mas, por minha gram tristura,

nenhuns puderam mudar

a minha desaventura.

Não mudam tempos nem anos

ao triste a tristeza;

antes tenho por certeza

que o longo uso dos danos

se converte em natureza.

11

Coitado de mim, cuitado

pois meu mal não se amansa

com choro nem com cuidado!

Quem diz que o chorar descansa

é de ter pouco chorado;

que, quando as lágrimas são

por igual da causa delas,

virá descanso por elas;

mas como descansar hão

pois que são mais as querelas?

12

Com tudo, olhos de quem

não vive fazendo al,

chorai mais que os de ninguém,

que o que é para maior mal

tenho já para maior bem.

Lágrimas, manso e manso,

prossigam em seu ofício;

que não façam beneficio :

não servindo de descanso,

servirão de sacrefício.

13

Minhas lágrimas cansadas,

sem descanso nem folgança,

a minha triste lembrança

vos tem tam aviventadas

como morta a esperança.

Correi de toda vontade,

que esta vos não faltará.

Mas isto como será?

Pedi-la-ei à saudade,

e a saudade ma dará.

14

Todos os contentamentos

da minha vida passarom,

e em fim não me ficarom

senão descontentamentos

que de mim se contentarom.

Destes, polo meu pecado

(inda que nunca pequei

a e quem amo e amarei),

nunca desacompanhado

me vejo nem me verei.

15

Faz-me esta desconfiança

ver meu remédio tardar,

e já agora esperar

não ousa minha esperança,

por me mais não magoar.

Se por isto desmereço,

dê-se-me a culpa assim

e seja só com a fim,

que há muito que me conheço

aborrecido de mim

16

Meu coração, vós abristes

caminho a meus cuidados,

pera virem a ser banhados

na água de meus olhos tristes,

tristes, mal galardoados.

Necessário é que vamos

algum remédio buscar

para se a vida acabar .

est'é bem que dessejamos,

est'é nosso dessejar.

17

Iremos pela estrada

por onde os tristes vão

porque nela, por rezão

deve ser de nós achada,

achada consolação.

Sobir-me-ei ao pensamento

qu'é alto; de ali verei

verei eu se poderei

ver algum contentamento

de quantos perdidos hei.

18

Mas o que poderá ver

quem já da vista cegou?

Porque quem me a mim levou

meu alongado prazer

nenhum bem ver me deixou.

Deixou-me em escuridade

um mal sobre outro sobejo,

pelo que triste me vejo

tam longe da liberdade

como do bem que dessejo.

19

Verei a vida, que em vida

bem vista tanto aborrece

aborrece a quem padece

tristeza mal merecida,

que minha fé mal merece.

Levarom-me toda a glória,

com quanto bem dessejei,

dessejei e alcancei;

ficou-me só a memória,

por dor, de quanto passei.

20

Lembrança do bem passado,

que não devera passar,

esta me há-de matar;

dá-me tal dor o cuidado,

que se não pode cuidar.

Nada, se não for a morte,

me dará contentamento:

segundo sei do que sento,

não sento prazer tão forte

que conforte meu tormento.

(...)

 

Cristóvão Falcão

05
Dez22

Versejando com imagem - Minha morte nasceu, de Mário Quintana

VERSEJANDO COM IMAGEM

 

MINHA MORTE NASCEU

criancas.jpg

Minha morte nasceu quando eu nasci.

Despertou, balbuciou, cresceu comigo...

E dançamos de roda ao luar amigo

Na pequenina rua em que vivi.

Já não tem mais aquele jeito antigo

De rir e que, ai de mim, também perdi!

Mas inda agora a estou sentindo aqui,

Grave e boa, a escutar o que lhe digo:

Tu que és a minha doce prometida,

Nem sei quando serão as nossas bodas,

Se hoje mesmo... ou no fim de longa vida...

E as horas lá se vão, loucas ou tristes...

Mas é tão bom, em meio às horas todas,

Pensar em ti... saber que tu existes!

 

Mário Quintana

(A rua dos cataventos, 1940)

03
Dez22

Versejando com imagem - Comigo me desavim, Francisco de Sá de Miranda

VERSEJANDO COM IMAGEM

 

COMIGO ME DESAVIM

Pier-lake-mountains-lonely-man_iphone_640x960.jpg

Comigo me desavim,

Sou posto em todo perigo;

Não posso viver comigo

Nem posso fugir de mim.

 

Com dor da gente fugia,

Antes que esta assi crecesse:

Agora já fugiria

De mim, se de mim pudesse.

Que meo espero ou que fim

Do vão trabalho que sigo,

Pois que trago a mim comigo

Tamanho imigo de mim?

 

Sá de Miranda, in 'Antologia Poética'

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