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zassu

18
Nov22

Versejando com imagem - Soneto Moral, Infante D. Luís, Duque de Beja

 

VERSEJANDO COM IMAGEM

 

SONETO MORAL

LUIS-DE-PORTUGAL-–-Portugal.jpg

(Pintura de Luís de Portugal, localizado na Casa Pia Pina Manique Biblioteca, originalmente na parte do Mosteiro de Belém na coleção dos retratos reais)

 

Horas breves do meu contentamento

Nunca me pareceu, quando vos tinha,

Que vos visse mudadas tão asinha

Em tão compridos anos de tormento.

 

Os meus castelos, que fundei no vento,

O vento nos levou, que mos sustinha,

Do mal, que nos ficou, a culpa é minha,

Pois sobre coisas vãs fiz fundamento.

 

Amor com falsas mostras aparece,

Tudo possível faz, tudo assegura

E logo no melhor desaparece.

 

O dano grande, ó grande desventura!

Que por pequeno bem, que enfim falece,

Se aventura um bem, que sempre dura.

 

INFANTE D. LUÍS – DUQUE DE BEJA

Nota - Luís de Portugal (Abrantes, 3 de março de 1506 — Lisboa, 27 de novembro de 1555). Filho do rei Manuel I de Portugal e da infanta espanhola Maria de Aragão, foi 5.º Duque de Beja, 5.º Senhor de Moura, 9.º Condestável de Portugal e Prior da Ordem Militar de S. João de Jerusalém, com sede portuguesa no Crato.

Irmão de D. João III, sobre o infante D. Luís diz-se que só faltou ser rei, dadas as suas qualidades.

Esteve, durante algum tempo, noivo da rainha Maria I de Inglaterra.

Foi, também, considerado para assumir o trono do Reino da Polónia e do Grão-Ducado da Lituânia.

Biografia: https://pt.wikipedia.org/

(Fonte:- http://www.antoniomiranda.com.br/Iberoamerica/portugal/portugal.html, Página publicada em novembro de 2021)

17
Nov22

Versejando com imagem - Saudade, de António Pereira

VERSEJANDO COM IMAGEM

 

SAUDADE

Almeida_Júnior_-_Saudade_(Longing)_-_Google_Art_P

Saudade é um parafuso

Que na rosca quando cai,

Só entra se for torcendo,

Porque batendo num vai

E enferrujando dentro

Nem distorcendo num sai.

 

Saudade tem cinco fios

Puxados à eletricidade,

Um na alma, outro no peito,

Um amor, outro amizade,

O derradeiro, a lembrança

Dos dias da mocidade.

 

Saudade é como a resina,

No amor de quem padece,

O pau que resina muito

Quando não morre adoece.

É como quem tem saudade

Não morre, mas adoece.

 

Adão me deu dez saudades.

Eu lhe disse: muito bem!

Dê nove, fique com uma

Que todas não lhe convêm.

Mas eu caí na besteira,

Não reparti com ninguém.

 

Saudade é a borboleta,

Que não conhece a idade.

Voando, vai lá, vem cá,

Misteriosa, à vontade.

Soltando pêlo das asas,

Cegando a humanidade.

 

Quem quiser plantar saudade

Primeiro escalde a semente.

Depois plante em lugar seco,

Onde bata o sol mais quente.

Pois, se plantar no molhado,

Quando nascer mata gente.

António Pereira, o poeta da saudade

eb6b72e67a-1627549401_0.png

Nota - Conhecido como o poeta da saudade, Antônio Pereira nasceu a 13 de novembro de 1891, no sítio Jatobá, hoje município de Itapetim, onde viveu até a morte, a 07 de novembro de 1982. Violeiro e poeta popular, ele mal assinava o nome e nunca fez da arte a sua profissão, tendo sobrevivido como modesto agricultor.

Antônio Pereira participava de jornadas de improviso apenas com os amigos e os seus versos sobreviveram ao tempo porque eram repassados verbalmente pelos seus admiradores que os decoravam. Em 1980, com a ajuda de amigos, publicou seu único folheto, “Minhas Saudades”, uma coletânea de sua poesia.

(Fonte:-  forrobodologia -  Besta fubana)

16
Nov22

Versejando com imagem - Um poema, de Dom Manuel de Portugal

VERSEJANDO COM IMAGEM

 

UM POEMA

a-perfeicao-a-graca.jpg

A perfeição, a graça, o suave geito,

A primavera cheia de frescur

Que sempre em vós florece, a quem Ventura

E a Razão entregaram este peito;

 

Aquelle cristalino e puro aspeito

Que em si comprende toda a fermosura;

O resplendor dos olhos, e a brandura

De que Amor a ninguem quis ter respeito

 

Se isto, que em vós se vê, ver desejaes

Como digno de ser visto somente,

Por mais que vós de amor vos isentaes

 

Traduzido o vereis tam fielmente

No meio d’este peito onde estaes

Que, vendo-vos, sintaes o que elle sente.

 

Dom Manuel de Portugal

 

Nota - Contemporâneo de Camões, a quem sobreviveu mais de 20 anos, é curta a obra que de Dom Manuel de Portugal (c. 1516 – 1606) se conhece.

Neste retrato de mulher, a delicadeza e o quase pudor da descrição comove pela perfeição, pela graça e pelo suave jeito, tal como o poeta define a mulher a quem o dedica.

É um segredo da poesia portuguesa de meados de quinhentos, esta suavidade de linguagem em que as palavras transmitem todo o resplendor do que os olhos vêem associando delicadeza de imagens e profundidade de sentimento.

Na transcrição do poema conservei a ortografia adotada por Carolina Michaelis de Vasconcellos na sua escolha das “Cem Melhores Poesias (Líricas) da Língua Portuguesa”, onde o conheci.

 

(In - https://viciodapoesia.com/2010/03/18/dom-manuel-de-portugal-c-1516-1606/)

01
Nov22

Versejando com imagem - Já não posso ser contente, de Diogo Bernardes

VERSEJANDO COM IMAGEM

 

JÁ NÃO POSSO SER CONTENTE

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Já não posso ser contente,

Tenho a esperança perdida,

Ando perdido entre a gente,

Nem morro, nem tenho vida.

 

Prazeres que tenho visto

Onde se foram, que é deles,

Fora-se a vida com eles

Não ma vira agora nisto,

Vejo-me andar entre a gente

Como coisa esquecida,

Eu triste, outrém contente,

Eu sem vida, outrém com vida.

 

Vieram os desenganos,

Acabaram os receios;

Agora choro meus danos,

E mais choro bens alheios;

Passou o tempo contente,

E passou tão de corrida,

Que me deixou entre a gente

Sem esperança de vida.

 

Diogo Bernardes

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