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09
Mar21

Palavras Soltas... - Breves notas sobre os artigos de Dematteis e Bagnasco - Cap. I - Novas formas de organização territorial

PALAVRAS SOLTAS...

 

BREVES NOTAS SOBRE OS ARTIGOS DE DEMATTEIS E BAGNASCO

 

CAPÍTULO I 

NOVAS FORMAS DE ORGANIZAÇÃO TERRITORIAL

(GIUSEPPE DEMATTEIS)

 

Tudo começou com a Revolução do Neolítico,

logo que os nossos longínquos antepassados começaram a renunciar à vida errante das tribos de caçadores-predadores.

Para selecionar as raças de animais suscetíveis de serem domesticados, e as espécies vegetais cultiváveis,

foram conduzidos a transformar os seus territórios, a desbravar florestas, a sanear pântanos, a construir,

nos vales do Nilo e do Eufrates, os primeiros ordenamentos hidráulicos.

                Esta Revolução impôs também uma especialização do trabalho entre agricultores, artesãos,

comerciantes e guerreiros que protegiam as reservas alimentares contra rapinas das tribos de caçadores.

As primeiras cidades foram edificadas e a organização social tornou-se mais complexa.

Desde então, esses aspetos da atividade das sociedades humanas não cessaram de evoluir em conjunto:

os modos de ocupação dos territórios continuam sempre determinados,

numa larga medida, pelos sistemas económicos e pelo tipo de civilização

 

(LACAZE, 1998:13-14).

 

“(...) a cidade é um sistema social de grande complexidade que, por assim dizer,

apresenta no seu interior, de forma «concentrada», a quase totalidade dos fenómenos típicos de sistemas de dimensões mais amplos,

como as sociedades nacionais ou mesmo os sistemas internacionais. Por conseguinte,

não se presta a ser interpretada por meio de uma única chave de leitura,

nem se pode dizer que existe uma dimensão prioritária do fenómeno urbano, ou seja,

uma dimensão que determina todas as outras e está em condições de as explicar.

Pode, pois, afirmar-se (ou deve mesmo afirmar-se) que a cidade é simultaneamente um fenómeno

económico, político, cultural, etc., e acrescentar que todo o aspeto está ligado indissoluvelmente aos outros,

por isso, e influenciado por eles é, ao mesmo tempo, contribui para os definir

 

 (MELA, 1999:43).

 

É o que deixam perceber os futuristas e os filósofos ao estimarem

que o desenvolvimento das telecomunicações e dos transportes

acabará por dissolver as cidades num imenso «continuum»

semeado de unidades de habitação autónomas e intercomunicantes.

É o que creem certos sociólogos, que veem desaparecer algumas das formas tradicionais de vida urbana.

É o que preocupa os politólogos, confrontados com a fragmentação dos interesses

coletivos e com a desligitimação das instituições urbanas.

É a isto que os urbanistas procuram opor-se, consagrando os seus esforços na tentativa de recriar a antiga urbanidade,

fazendo e refazendo a cidade como outrora. Agitando estas perspetivas inquietantes

de uma não-cidade em proliferação e sem coesão social – como uma gangrena que ataca zonas extensas

em volta das grandes cidades abafadas pelo seu próprio crescimento

e que deixa o resto do território abandonado – os políticos tornam-se,

então os apóstolos de um ordenamento do território que teria como princípio «o equilíbrio»,

e por prioridade o rural e o urbano profundos.

                O mérito de todas estas teses é o de colocar as cidades no centro das interrogações

sobre o futuro das sociedades industrializadas e urbanizadas

 

(ASCHER,1998:1-2).

 

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Neste texto, GIUSEPPE DEMATTEIS, segundo PETROS PETSIMERIS, vê a contra urbanização e a desconcentração urbana como novas formas de organização do território.

 

Servindo-se  do contributo do geógrafo americano B. BERRY quando, nos inícios dos anos 70, ao examinar os dados demográficos relativos às cidades dos Estados Unidos, utilizou o termo «contra urbanização» para significar que, ao contrário do passado, e nos começos da Revolução Industrial, que se observava uma inversão de tendência na distribuição geográfica das taxas de crescimento da população, ou seja, as áreas centrais (grandes cidades, áreas metropolitanas) tinham taxas de crescimento muito altas em comparação com as áreas não metropolitanas (cidades pequenas e médias e zonas rurais – que regrediam) e que agora sucede o contrário, DEMATTEIS refere que, também anos depois, nos países da Europa Ocidental industrializada, se passou o mesmo. Por outro lado, diz ainda que se se aprofundar a análise, não à escala da cidade mas dos sistemas urbanos, considerados isoladamente, verificou-se que o declínio  urbano se propaga das zonas centrais das áreas urbanas até às periferias, introduzindo assim aqui a hipótese de um ciclo de vida das cidades, quer dizer, o desenvolvimento urbano, no período médio e longo, propagar-se-ia de forma cíclica, partindo primeiro dos centros metropolitanos (core), passando depois para os seus centros externos (ring), indo depois ainda para os centros menores das regiões não metropolitanas para, no final do ciclo, voltar a afectar os mesmos centro urbanos de partida, seguindo assim aqui os quatro estádios, na óptica do «Grupo de Vienna Centre», quando utilizou como sistema de referência a Região Funcional Urbana (RFU): Urbanização; Suburbanização; Desurbanização e Reurbanização.

 

Mas, para DEMATTEIS, na óptica de PETSIMERIS, estes modelos, assim como o paradigma da tidal wave, que remonta já a BLUMENFELD (1949), funcionam apenas como «representações analógico-metafóricas» destes fenómenos e, por isso, não explicam total e cabalmente aquilo que designa pelos “aspectos mais relevantes dos complexos processos de urbanização”. Estes modelos foram e são metáforas úteis no plano empírico-descritivo ao permitem reunir e confrontar dados sobre regiões e países diferentes.

 

Para DEMATTEIS é necessário passar através do reconhecimento “das dimensões mais vastas da organização territorial”, ou seja, por uma mudança de escala, e também pelo reconhecimento “de uma nova organização do território de tipo reticular”.

 

A nova forma de mobilidade territorial das famílias opera de tal forma que os movimentos demográficos que se dão dentro de uma RFU tem o mesmo significado dos que, no passado, tinham lugar entre distintos sectores de um só centro urbano”. Deste jeito, na apreciação da diferente escala de análise (entre centro urbano e sistema urbano/RFU) há que atender muito bem ao conceito de contra urbanização. O mesmo se passando também com o de desurbanização pois não é correto falar-se de desurbanização à escala da RFU, “só porque algum centro do mesmo sistema esteja em fase de declínio, mesmo que seja o sistema principal”.

 

DEMATTEIS refere que o maior crescimento dos sistemas menores e periféricos deriva do saldo de dois movimentos: por um lado, do descentramento dos postos de trabalho num momento localizados ou localizáveis nos sistemas metropolitanos que se mudam ou criam «ex novo» nos sistemas menores; por outro, na centralização que leva para os centros metropolitanos novos postos de trabalho, quase sempre ligados a atividades muito qualificadas e não presentes, nos sistemas menores. As áreas metropolitanas compactas (tal como enormes manchas de óleo à volta das maiores cidades) dos finais dos anos 60 cedem lugar a «novos campos de externalidades» que já não têm forma compacta, nem um raio tão limitado. Agora configuram-se em redes, articuladas em centros e sistemas urbanos pequenos e grandes, sobre extensões territoriais que tendem a ser nacionais e internacionais.

 

Desta forma, para DEMATTEIS, a circunstância do aparecimento de novos e vastos «campos de externalidades» dá, por sua vez, origem a que se produzam novas externalidades metropolitanas favoráveis ao desenvolvimento centrado de atividades terciárias superiores e de tecnologias avançadas, favorecendo, por esta via, o descentramento de redes de muitas das velhas atividades metropolitanas. Nestes termos reforça-se ainda mais a dependência hierárquica entre o nível metropolitano e os sistemas menores, embora esta diferença seja mais qualitativa que quantitativa (sistema piramidal).

 

E assim DEMATTEIS «arrasta-nos» para a análise das novas dimensões territoriais de forte relevância geográfica como a «despolarização/polarização seletiva», a «nova divisão espacial do trabalho» (NDET), ou como outros, a nova divisão espacial funcional do trabalho (NDEFT), a “nova articulação espacial da procura e da oferta do trabalho e serviços» e, finalmente, “«fatores endógenos de diferenciação territorial». Ou seja, para DEMATTEIS, o que agora aqui está em causa não é o fenómeno polarização/descentramento mas uma nova fase de polarização pouco seletiva, “que tinha em conta também atividades manufatureiras de alta intensidade e trabalho pouco qualificado, a uma fase muito mais seletiva”.

 

Assim, segundo DEMATTEIS, a desconcentração e a contra urbanização à escala suprarregional, observadas nos últimos 15 anos, vão a par com os processos de reestruturação económica entretanto verificados que têm, entre outros, por base as inovações  de carácter tecnológico e organizativo que permitiram uma articulação do território de uma forma mais vasta por parte das empresas multilocalizadas, graças ao nível e à  expansão das infraestruturas materiais e sociais, numa grande parte do território nos países industrializados, permitindo uma maior difusão e mobilidade das atividades económicas no território. As novas dinâmicas económicas, sociais e políticas e as formas espaciais de elas derivam «obrigam-nos» a substituir a ideia clássica de posição geográfica relativa ou absoluta pela de posição relacional, a qual se refere a um espaço descontínuo e não homogéneo.

 

Segundo nos parece inferir, pela leitura do texto que estamos sumariando, para DEMATTEIS, num mundo e numa economia cada vez mais global, o espaço possui características que mudam de lugar a lugar, “segundo a disposição e a superposição de distintas redes de relações económicas, culturais e políticas que passam por cada um deles”. Ou seja, cada lugar e cada sujeito localizado pode pertencer a redes distintas, com interações a escalas distintas.

 

Neste sentido, a comunidade de interesses baseada na contiguidade de áreas a nível social e regional debilitou-se muito, “seccionando em muitos segmentos as sociedades locais, particularmente as mais complexas, urbanas e metropolitanas”, trazendo assim, ao de cima, a problemática da sua nova gestão e governabilidade.

 

Finalmente para DEMATTEIS, no ponto de vista de PETSIMERIS, para a análise das transformações territoriais, é importante analisar não só os aspetos quantitativos da desconcentração urbana como também, e sobretudo, a evolução das interações entre funções economia e espaço e espaço e sociedade. Porque, se queremos ir mais longe, “devemos ser capazes de elaborar novas representações do território, novos modelos interpretativos capazes de levar a cabo as mesmas funções que os velhos, mas também mais adaptados às novas situações”.

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08
Mar21

Versejando com imagem - Mulher, de J. C. Ary dos Santos

VERSEJANDO COM IMAGEM

 

MULHER

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A mulher não é só casa
mulher-loiça, mulher-cama
ela é também mulher-asa,
mulher-força, mulher-chama

E é preciso dizer
dessa antiga condição
a mulher soube trazer
a cabeça e o coração

Trouxe a fábrica ao seu lar
e ordenado à cozinha
e impôs a trabalhar
a razão que sempre tinha

Trabalho não só de parto
mas também de construção
para um filho crescer farto
para um filho crescer são

A posse vai-se acabar
no tempo da liberdade
o que importa é saber estar
juntos em pé de igualdade

Desde que as coisas se tornem
naquilo que a gente quer
é igual dizer meu homem
ou dizer minha mulher

 

J. C. Ary dos Santos

07
Mar21

Palavras Soltas... - Comentário à obra|comunicação «La ciudad dispersa y las aldeas virtuales. Los estudios geogtáficos y el entorno a la cultura» - Segunda Parte

PALAVRAS SOLTAS...

 

COMENTÁRIO

À OBRA|COMUNICAÇÃO DE CARLOS FERRÁS SEXTO

 

«LA CIUDAD DISPERSA Y LAS ALDEAS VIRTUALES. LOS ESTUDIOS GEOGRÁFICOS Y EL RETORNO A LA CULTURA»

 

SEGUNDA PARTE

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OPINIÃO CRITICA PESSOAL QUANTO À COMUNICAÇÃO DO AUTOR

 

Em nossa modéstia opinião, estamos perante um dos mais interessantes trabalhos publicados e /ou divulgados, de entre alguns, já por nós lidos, da já significativa obra do autor.

 

Cremos estarmos já longe de um certo «fundamentalismo» proselitista quanto ao conceito de contra-urbanização, colocando-nos, aliás como faz FIELDING no artigo que citámos, perante uma realidade para a qual os «antigos instrumentos» de análise espacial já não se dão tão bem perante as novas realidades do(s) novo(s) processo(s) de urbanização.

 

Cremos ainda que o autor nos põe perante a relatividade dos diferentes «tempos» e «processos» de urbanização tendo em conta a diversidade e multiplicidade de elementos a ter em conta na análise face aos diferentes espaços/territórios em presença.

 

Se é certo que os processos de urbanização pós-industrial, na perspetiva do autor, apontam quer na sociedade norte-americana quer nos países da Europa Ocidental mais desenvolvidos, particularmente os de matriz anglo-saxã, para o aparecimento de fenómenos como os da contra-urbanização, já, por outro lado, nos países do sul, mediterrâneos, bem assim noutros quadrantes do globo, tal fenómeno não se processa de igual forma.

 

Aliás o Autor, revelando já reflexão, mediante trabalho de campo e estudo comparado, na sua própria comunicação, acaba por, relativizando o fenómeno, afirmar, quando, citando MONCLÚS, diz: “Devemos ter presente que foram definidos dois modelos de expansão difusa da cidade. Por um lado, o próprio do mediterrâneo tradicional pelo qual a cidade e a expressão física de um núcleo amuralhado que, a partir do Século XIX, se expande sobre o campo mais próximo, mas que continua sendo rural; por outro lado, o modelo anglo-saxão pelo qual a cidade e a sociedade urbana se expandem sobre o campo, substituindo a sua condição rural pela urbana”.

 

Noutro registo ainda, e no novo quadro do processo de urbanização postindustrial ou urbanização sobremoderna, como mais prefiro chamar, há que distinguir entre cidade difusa ou desconcentrada, processo(s) de metropolização ou, no dizer de ASCHER, metapolização, e fenómenos de suburbanização e/ou contra-urbanização associados.

 

Salvo melhor entendimento, e face a leitura de alguma literatura sobre o assunto, a sociedade postindustrial ou sobremoderna, fundamentalmente a dos países «relativamente periféricos» dos países do «centro», Europa Ocidental, como Portugal e Espanha – e, no que concerne a Portugal, a Região Norte de Portugal – para além do fenómeno de litoralização (alta concentração populacional na faixa litoral), aliás como na Galiza, embora aqui nos pareça um pouco menos acentuada, atravessa, face inclusive ao fenómeno da globalização, um processo de metropolização difusa, com desconcentração da área central e aparecimento de novas centralidades e criação de outros espaços urbanos, outrora suburbanos. [Veja-se INE, Destaque de 26 de Junho de 2001, Informação à Comunicação Social, Censos 2001 – Resultados Preliminares para a Região Norte. Da análise dos dados que nos são aqui disponibilizados, comparados com os dos Censos de 1991, para além do reforço da Área Metropolitana do Porto, (embora com desconcentração da área central da cidade do Porto mas com aumentos muito significativos nas outrora coroas circundantes, como sejam, Maia, Vila Nova de Gaia, Gondomar, etc.) no conjunto da Região Norte, e do reforço da conurbação litoral em detrimento das zonas mais periféricas a esta área, profundamente rurais, e em perda acentuada há duas décadas a esta parte, como sejam, e em termos de NUTS III, o Douro e Alto Trás-os-Montes, somente os aglomerados urbanos das áreas urbanas sedes dos Municípios, e aglomerados rurais periféricos a estas, como sejam Vila Real, Chaves, Bragança e Mirandela, é que mantêm alguma vitalidade].

 

Sem deixarmos de estar de acordo com aquilo que o autor designa na sua comunicação «como as primeiras conclusões» de um trabalho de investigação e reflexão comparada, pensamos que a realidade apresentada, resultante de um trabalho de campo por si efectuado em Inglaterra, não é, contudo, passível, de excessiva generalização para outros contextos. Quiçá para parte do território galego e «a fortiori» para grande parte da Região Norte de Portugal.

 

Entendemos, por outro lado, que, trabalhos de campo desta natureza, são deveras importantes e fundamentais para, e como muito bem diz o nosso autor, não só aprofundar o debate (internacional) sobre a problemática da cidade postindustrial, dispersa ou sobremoderna como forma de se “investir mais” na ordenação, planificação e marketing territorial.

 

Quando abordávamos a problemática do desenvolvimento do Concelho de Chaves, face a este pano de fundo, dizíamos que:

É, assim, essencialmente nestes espaços urbanos, de pequena e média dimensão, que a revalorização dos espaços rurais é indissociável da valorização do quadro de vida, dos equipamentos e da animação sócio-cultural dos principais centros urbanos".

 

Por outras palavras, a aposta na valorização dos pólos urbanos principais surge como praticamente a última oportunidade de suster a desertificação, de potenciar os esforços realizados na dinamização do mundo rural e, consequentemente, de evitar a transferência da população mais jovem para áreas de concentração com quadros de vida mais atraentes e compatíveis com os valores associados à urbanização.

 

Em jeito de conclusão global, pode dizer-se que a contenção e, a prazo, a inversão das tendências de despovoamento global da sub-região e de cada um dos concelhos que a constituem surge como a condição-base e uma aposta de viabilização de um processo de desenvolvimento que urge dinamizar.

 

Complementarmente, estamos de acordo quando, em sede do Plano Estratégico da Cidade de Chaves, se diz: “deve ser encarado com frontalidade o facto de que não é muito folgada a «margem de manobra» disponível para essa dinamização, devido não só à magnitude das carências e bloqueamentos que é necessário ultrapassar, mas também ao facto de nenhuma das potencialidades latentes apresentar individualmente dimensão suficiente para se constituir como motor do referido processo”.

 

BIBLIOGRAFIA

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  • VELTZ, Pierre (1999): Mundialización, Ciudades y Territorios, Barcelona, Ariel Geografía.

 

06
Mar21

Versejando com imagem - Para um amigo tenho sempre um relógio, de António Ramos Rosa

VERSEJANDO COM IMAGEM

 

PARA UM AMIGO TENHO SEMPRE UM RELÓGIO

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esquecido em qualquer fundo da algibeira.


Mas esse relógio não marca o tempo inútil.


São restos de tabaco e de ternura rápida.


É um arco-íris de sombra, quente e trémulo.


É um copo de vinho com o meu sangue e o sol.

 

António Ramos Rosa
de Viagem através duma Nebulosa (1960)

 

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05
Mar21

Palavras Soltas... - Comentário à obra|comunicação «La ciudad dispersa y las aldeas virtuales. Los estudios geogtáficos y el entorno a la cultura» - Primeira Parte

PALAVRAS SOLTAS...

 

COMENTÁRIO

À OBRA|COMUNICAÇÃO DE CARLOS FERRÁS SEXTO

 

«LA CIUDAD DISPERSA Y LAS ALDEAS VIRTUALES. LOS ESTUDIOS GEOGRÁFICOS Y EL RETORNO A LA CULTURA»

PRIMEIRA PARTE

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DESENVOLVIMENTO DAS PRINCIPAIS IDEIAS

 

CARLOS FERRÁS SEXTO, na sua Introdução, explica o quadro do projeto de investigação em que a sua comunicação se insere - «A contra-urbanização e as políticas de desenvolvimento rural-regional». Refere que a mesma representa as primeiras conclusões da sua investigação e reflexão comparada que levou a cabo no Condado de Staffordshire-Inglaterra, sob o assessoreamento do Professor John Naylon e, com o trabalho de campo que levou a cabo na cidade de Newcastle Under Lyme e nas paróquias de Bartley e Keele, e que pretendia dar resposta à seguinte pergunta: “Como se podia estudar, desde o ponto de vista da geografia, as novas relações rural-urbanas de fim de século?” (Sublinhado nosso).

 

1.- CIDADE DISPERSA

Segundo o autor, a “identificação do Declínio das Cidades postindustriais e o Renascimento Rural postprodutivo”, em conformidade com os autores que cita como BERRY, CLOKE, HALL, FIELDING, entre outros, é um “processo de mudança que traz consigo a superação da Urbanização Industrial, caracterizada pela concentração demográfica e o emprego não agrário em grandes aglomerações urbanas, a favor da Urbanização Postindustrial, onde a desconcentração é dominante”. Assim surge o conceito de Cidade Dispersa, em oposição e substituindo a Cidade Compacta, fordista, dos «Trinta Gloriosos» que, segundo o Autor, está associado, e em íntima relação, com a difusão da urbanização do campo.

 

Com a Cidade Dispersa, o êxodo do campo-cidade transformou-se no sentido contrário, ou seja, êxodo cidade-campo, ao se verificar que um grande número de famílias e indivíduos abandonam a cidade para fixarem residência nos espaços rurais tradicionais, atraídos por imagens bucólicas do campo e «fustigados» por aquilo que, na linha de FONT et al designamos pelas novas «terrae incognitae», do Quarto Mundo, de matriz Ocidental.

 

Com efeito, o êxodo das famílias e indivíduos dos núcleos urbanos tem ínsito uma nova conceção de cidade cuja característica principal é a dispersão, definidora de um novo processo de urbanização. Associado a este novo processo de urbanização andam dois conceitos: o de contra-urbanização e o de suburbanização. O primeiro, e ainda segundo o nosso Autor, citando CLOKE (1985), a favor de um novo renascimento das áreas rurais remotas; o segundo, a favor de áreas rurais próximas das cidades.

 

Fatores económicos, nomeadamente relacionados com a crise das indústrias tradicionais de fabricação de automóveis, aço ou têxtil mediante a competência de novos países industrializados ou em vias de industrialização bem como a aparição de novas indústrias de alta qualificação técnica como a aeroespacial ou a eletrónica, que se localizam foram das grandes aglomerações urbanas bem assim ainda os fatores sociais e culturais, decorrentes dos económicos, levam a que um número cada vez maior de pessoas prefiram viver e instalar-se fora das aglomerações urbanas atraídas por novos empregos que nelas se localizam. Por outro lado, considerações sobre o meio ambiente com menos contaminações, melhor qualidade da habitação e a menores custos e uma maior segurança cidadã, andam também aliados ao fenómeno da desconcentração [veja-se FIELDING, A. J.: «Contra-urbanização: Ameaça ou Bênção?», in PINDER, David (Org.) (1994): Europa Ocidental – Desafios e Mudanças, Oeiras, Celta Editora, pág.s 295-313].

 

O autor refere ainda na sua comunicação que os estudos levados a cabo sobre a Cidade Dispersa, ou sobre os fenómenos associados com a desconcentração urbana ou o renascimento rural foram elaborados fundamentalmente a partir de estatísticas demográficas gerais e, salvo raras exceções, os autores/investigadores, a partir daqui, elaboraram as suas teorias. O nosso Autor, CARLOS FERRÁS aconselha a que se façam mais estudos de detalhe que possam permitir “um maior conhecimento das implicações que geram nas comunidades rurais e o significado para a urbanização e a cidade do futuro” (O trabalho de FIELDING acima citado achamos muito oportuno para o efeito).

 

Segundo ainda CARLOS FERRÁS, e na perspetiva dos investigadores urbanos, o Declínio Urbano postindustrial, manifestando-se na perda da população das grandes concentrações urbanas, “é uma fase da evolução das cidades, ainda que não exista acordo sobre se esta é irreversível ou transitória”. Na perspetiva dos investigadores rurais, a urbanização do campo é um processo que “adquire maior relevância com o passar do tempo” (veja-se «CAP. IV.- Dos novos desafios à nova abordagem», in SOUTO GONZÁLEZ et al (2001): Planeamento Estratéxico e Mercadotecnia Territorial, Vigo, Eixo Atlântico do Noroeste Peninsular, pág.s 63 a 71).

 

A contra urbanização contribui para a difusão da urbanização no território e na sociedade, implicando assim a difusão de valores, de hábitos, de cultura e de atividades económicas mais relacionadas com o espaço urbano no espaço rural.

 

Contudo, e como muito bem diz o nosso autor, reportando-se aos trabalhos dos investigadores sociais, “a difusão do urbano é espacial e socialmente seletivas”, provocadora de desigualdades e contradições bem assim, e ainda segundo o nosso Autor, criadora de desherarquização dos sistemas de povoamento, de ineficiências funcionais, de impactos ambientais, da dependência excessiva do automóvel, dos deslocamentos diários em massa, do desperdício energético e dos recursos para dotar de serviços uma população desconcentrada ou a ocupação indiscriminada de grande parte de parcelas de solo rural (veja-se também a este propósito o artigo de FIELDING já supra citado) .

 

2.- AS ALDEIAS VIRTUAIS COMO HIPÉRBOLE SOCIAL

Concordamos com CARLOS FERRÁS quando afirma que existe uma imagem bucólica do campo entre as famílias urbanas, razão pela qual se estão criando autênticas Aldeias Virtuais na perceção das famílias acomodadas de origem urbana que procuram satisfazer o seu desejo de fugir do ruído da cidade, da poluição e dos perigos que podem chegar a seus filhos.

 

Neste sentido, o meio rural postindustrial converte-se numa construção cultural mercantilizada.

 

Os meios de comunicação e determinadas campanhas publicitárias, as empresas imobiliárias, ou seja, a aldeia em potência ou possível, onde não existem problemas e a harmonia e convivência é perfeita para o desenvolvimento humano, mercantilizam o desejo de se escapar dos perigos e vícios das grandes metrópoles, de «possuir uma casa no campo», na mais estreita obediência aos interesses capitalistas e do mercado. Assim, “o desejo das famílias de viver numa casa unifamiliar ampla no campo, rodeada de amplos espaços verdes e num meio ambiente tranquilo, mas bem ligada por uma auto-estrada com a cidade, converteu-se num estereotipo internacional”.

           

Desta forma, aliado ao conceito de Cidade Dispersa joga um papel fundamental a imagem virtual dos valores culturais relativos ao urbano e ao rural. “Viver no campo sem renunciar às comodidades da cidade” é, no dizer de CARLOS FERRÁS, um projeto que reflete o histórico e tradicional desejo dos britânicos de viver no campo, com o mais profundo significado pela circunstância de terem sidos eles os pioneiros da industrialização e da urbanização no século XVIII.

 

Em conclusão, «Construir uma casa no campo», imagem essencialmente criada de forma idílica pelas empresas imobiliárias, de molde a ampliarem e diversificarem os seus negócios, tem por trás de si o conceito de Aldeias Virtuais, mais entendido como uma «hipérbole social» do que um novo «construto social».

 

3.- A NECESSIDADE DO ESTUDO DOS SIGNIFICADOS CULTURAIS DAS RURALIDADES

 Segundo ainda CARLOS FERRÁS, antes de 1950 primava o regionalismo segundo o qual os estudos geográficos descreviam individualmente a cidade e o campo como duas partes integrantes da região; depois de 1950, os estudos de geografia aplicada desenvolveram-se no sentido de contribuir para a planificação do campo e da cidade; atualmente, as novas formas de teorização das ciências sociais vinculadas à economia política, ao postmodermismo e ao postestruturalismo obrigam o geógrafo a procurar novas formas de análise do campo e da cidade, ou seja, “já não é suficiente o estudo morfológico ou estrutural da paisagem e da tecnologia”, impõe-se agora “a necessidade de estudar a cultura social como elemento fundamental para compreender o comportamento do ser humano e as relações que estabelece com o meio urbano e rural. O postmodernismo enfatiza-nos a ideia de superação da tirania urbana associada ao racionalismo cartesiano e à confiança cega no binómio razão-progresso, e apresenta-nos a ruralidade como uma categoria discursiva, socialmente construída, ambígua e ambivalente, numa sociedade post-rural”.

 

Ao conformar Cidade Dispersa com o conceito e em relação com a «criação» das Aldeias Virtuais, com a consequente mudança de valores que tem experimentado a sociedade postindustrial, CARLOS FERRÁS remata dizendo que devemos “prestar mais atenção à cultura como elemento de análise espacial”. Os geógrafos, diz, devem “analisar documentos escritos como novelas, periódicos ou revistas, documentos visuais como fotografias, quadros pictóricos, mapas, material de propaganda, postais, películas, programas de televisão ou vídeos amadores (pessoais) e promocionais, além das mensagens e sons provenientes da telefonia ou da música popular”.

 

Parafraseando ainda uma vez mais o nosso Autor, “devemos superar o fetichismo numérico, ou seja, a quantificação obsessiva do comportamento do ser humano, e encontrar a interpretação qualitativa da condição cultural dos indivíduos e das sociedades de que fazem parte (...) A mercadotecnia vende imagens de estilo de vida ideais em conformidade com os valores culturais das pessoas”.

 

Em suma, e na nossa opinião, CARLOS FERRÁS «apela» para a necessidade de o Geógrafo utilizar novas metodologias, novos enfoques metodológicos perante o novo paradigma social do «viver humano profusamente urbano».

 

04
Mar21

Versejando com imagem - Morna, de João Filipe

VERSEJANDO COM IMAGEM

 

MORNA

Benguela-Dança

 

É já saudade a vela, além.

Serena, a música esvoaça

na tarde calma, plúmbea, baça,

onde a tristeza se contém.

 

os pares deslizam embrulhados

de sonhos em dobras inefáveis.

 

 

(Ó deuses lúbricos, ousáveis

erguer, então, na tarde morta

a eterna ronda de pecados

que ia bater de porta em porta!)

 

E ao ritmo túmido do canto

na solidão rubra da messe,

deixo correr o sal e o pranto

- subtil e magoado encanto

que o rosto núbil me envelhece.

 

João Filipe

02
Mar21

Poesia em tempos de desassossego - Gaivota, de Alexandre O'Neill

POESIA EM TEMPOS DE DESASSOSSEGO

 

GAIVOTA

gaivotas

Se uma gaivota viesse

trazer-me o céu de Lisboa

no desenho que fizesse,

nesse céu onde o olhar

é uma asa que não voa,

esmorece e cai no mar.

 

Que perfeito coração

no meu peito bateria,

meu amor na tua mão,

nessa mão onde cabia

perfeito o meu coração.

 

Se um português marinheiro,

dos sete mares andarilho,

fosse quem sabe o primeiro

a contar-me o que inventasse,

se um olhar de novo brilho

no meu olhar se enlaçasse.

 

Que perfeito coração

no meu peito bateria,

meu amor na tua mão,

nessa mão onde cabia

perfeito o meu coração.

 

Se ao dizer adeus à vida

as aves todas do céu,

me dessem na despedida

o teu olhar derradeiro,

esse olhar que era só teu,

amor que foste o primeiro.

 

Que perfeito coração

morreria no meu peito morreria,

meu amor na tua mão,

nessa mão onde perfeito

bateu o meu coração.

 

Alexandre O’Neill

01
Mar21

Palavras Soltas... Breve abordagem ao conceito de Marketing Territorial

PALAVRAS SOLTAS...

 

BREVE ABORDAGEM AO CONCEITO DE MARKETING TERRITORIAL

Ponte Barbosa Carmona - Chaves

 

Neste pequeno texto pretendemos fazer uma brevíssima abordagem ao conceito de marketing territorial, procurando evidenciar a sua «filosofia» enquanto instrumento de atuação em termos do desenvolvimento dos lugares, regiões e cidades.

 

O conceito de marketing territorial, é ainda relativamente recente. Ele é referenciado e desenvolvido de modo mais consistente nos últimos anos e, claramente, em fase de amadurecimento “numa perspetiva de integração dos recentes avanços nos campos conceptuais do marketing e da comunicação, por um lado, e da gestão do território, por outro”.

 

O marketing territorial seria, pois, entendido como “a análise, planificação, execução e controle de processos concebidos pelos atores de um território, de modo mais ou menos concertado e institucionalizado, que visa, por um lado, responder às necessidades e expectativas das pessoas e das entidades e, por outro, melhorar a qualidade e a competitividade global de uma cidade (e do território adjacente) no seu ambiente concorrencial”.

 

Assim, e na perspetiva deste conceito, marketing territorial inverte os conceitos operatórios do planeamento, centrando-o mais nos processos de comunicação e nas necessidades, nas expectativas e nos comportamentos das pessoas e organizações.

 

Nesta aceção, marketing territorial deve ser entendido como “uma perspetiva sistémica de análise e sistemática de ações que revaloriza a dimensão humana e analisa o território integrado numa rede de competitividades a diferentes escalas, confrontando ambientes externos e internos”.

 

Entendido desta forma, numa perspetiva integrada, o marketing territorial pode, em primeiro lugar,ser uma forma de potencializar o desenvolvimento de confiança mútua, de parcerias, da participação e da cidadania, do envolvimento, da mobilização e da democracia”; concomitantemente, e em segundo lugar, releva da preocupação de se trabalhar nas questões da infraestruturação do território para satisfação das necessidades e expectativas dos residentes, turistas e investidores internos e externos.

 

Assim, entendemos que as Câmaras Municipais são os atores principais do desenvolvimento, ao nível local, deste sistema de gestão do território. As suas «práticas» condicionam profundamente os processos de afirmação territorial. A abertura para a gestão planeada segundo o «projeto de cidade», ou melhor, para a implementação prática de uma perspetiva de marketing territorial é um fator fundamental para a mudança das práticas e das políticas de emancipação territorial das cidades médias e dos seus territórios adjacentes.

 

Estamos, contudo, conscientes, e a nossa antiga experiência como autarca assim no-lo provou, que os limites para o marketing territorial se consubstanciar em emancipação efetivamente participativa e inovadora, são definidos e/ou condicionados pelas condições territoriais e pela capacidade técnica e criativa dos atores do desenvolvimento local e regional. Porque, a escassa dimensão demográfica, a insuficiente densidade da rede de atores e a cultura tradicional representam entraves à afirmação do territorial através de uma perspetiva de marketing estratégico e integrado do território.

 

Acima de tudo, estamos também muito conscientes que a afirmação prática de uma perspetiva de marketing territorial (estratégico) pressupõe uma mudança cultural forte, difícil de se conseguir no curto prazo.

           

É fundamental que os atores e agentes do desenvolvimento local e regional tomem perfeita consciência, no sentido querido e sentido, de que o “estudo da mercadotecnia territorial pretende abrir caminho para a reflexão e ação tendo em vista a tomada de decisões (...) no sentido de modificar o desenvolvimento económico e social de um território”.

 

Ou seja, a finalidade da mercadotecnia territorial não é apenas a «escolha» de uma imagem do lugar, substituindo-a pelas já existentes, vagas e /ou negativas, mas sim o de promover o desenvolvimento sustentável do território, melhorando a sua economia e a qualidade de vida dos seus habitantes, aumentando a eficácia e utilização dos recursos.

Em suma, o marketing e a mercadotecnia territorial devem ser entendidas como ferramentas para o desenvolvimento económico e social de um território, não mascarando os problemas, mas chegando à raiz dos mesmos, pondo em evidência o papel do planeamento estratégico – mais entendido como participação cidadã – por forma a se tentar encontrar e dar solução as necessidades sentidas.

 

Nestes termos, é fundamental o papel aqui desempenhado pelo planeamento estratégico para a construção do(s) lugar(es) e da(s) cidade(s). Dar ênfase á imprescindível participação pública na seleção das atuações.

 

E não só para a seleção das atuações, mas também para a construção da própria cidade, lugar ou região.

 

São, em síntese, os cidadãos quem decidem o que vai ou deve ser o seu lugar, região ou cidade do futuro e que “ao mesmo tempo também são eles que revelam às administrações públicas quais são os problemas mais graves”.

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