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zassu

31
Mar21

Versejando com imagem - De amor nada mais resta que um outubro, de Natália Correia

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DE AMOR NADA MAIS RESTA QUE UM OUTUBRO

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De amor nada mais resta que um Outubro

e quanto mais amada mais desisto:

quanto mais tu me despes mais me cubro

e quanto mais me escondo mais me avisto.

E sei que mais te enleio e te deslumbro

porque se mais me ofusco mais existo.

Por dentro me ilumino, sol oculto,

por fora te ajoelho, corpo místico.

Não me acordes. Estou morta na quermesse

dos teus beijos. Etérea, a minha espécie

nem teus zelos amantes a demovem.

Mas quanto mais em nuvem me desfaço

mais de terra e de fogo é o abraço

com que na carne queres reter-me jovem.

 

Natália Correia

 

29
Mar21

Versejando com imagem - 4 poetas em Macau, de António Manuel Couto Viana

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4 POETAS EM MACAU

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Camões

 

"Em que ano subi esta colina,

Repousei nesta gruta e respirei

Brandas auras? Da pátria e do meu rei,

Aqui, sublime, sublimei a sina?

 

Que fama do meu vulto peregrina

Na voz destas paragens, e da lei

Da morte me liberta? Onde enlacei

A amizade do jau e o amor de Dina?

 

Deixei sinais na areia, no arvoredo?

Quem me ocultou de mim como um segredo?

-Até o longínquo China navegou…

 

Aqui cheguei? Daqui parti? E quando?

Quem salvou do naufrágio miserando

Aquele que não sei se fui, mas sou?"

 

António Manuel Couto Viana

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27
Mar21

Versejando com imagem - Pelo sonho é que vamos, de Sebastião da Gama

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PELO SONHO É QUE VAMOS

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Pelo sonho é que vamos,

Comovidos e mudos.

Chegamos? Não chegamos?

Haja ou não frutos,

Pelo Sonho é que vamos.

 

Basta a fé no que temos.

Basta a esperança naquilo

Que talvez não teremos.

Basta que a alma demos,

Com a mesma alegria,

Ao que desconhecemos

E ao que é do dia-a-dia.

 

Chegamos? Não chegamos?

-Partimos. Vamos. Somos.

 

Sebastião da Gama

26
Mar21

Palavras Soltas... - Património Histórico e cultural e turismo cultural e religioso

PALAVRAS SOLTAS...

 

PATRIMÓNIO HISTÓRICO E CULTURAL E TURISMO CULTURAL E RELIGIOSO

2017.- Fotografia noturna Porto (julho) (28) 

Os bens de natureza material e imaterial que expressam ou revelam a memória e a identidade das populações e comunidades consideram-se património histórico e cultural.

 

Todos os bens culturais de valor histórico, artístico, científico e simbólico são passíveis de se tornarem em atracão turística, como sejam, arquivos, edificações, conjunto urbanísticos, sítios arqueológicos, ruínas, museus, espaços destinados à apresentação ou contemplação de bens materiais i imateriais; bem assim, manifestações como música, gastronomia, artes visuais e cénicas, festas, celebrações, eventos culturais, quer englobem manifestações temporárias, enquadráveis ou não, na definição de património, como eventos gastronómicos, religiosos, musicais, de dança, de teatro, de cinema, exposições de arte, de artesanato e outros ( Brasil, 2006).

 

O património, como interpretação do passado, é uma recriação da história, que emana visões essencialistas do passado e neutraliza as contingências históricas (Peralta, 2003).

 

O legado patrimonial é, assim, “um legado falsificado para fins de identificação coletiva, apesar de beber nos factos históricos e na diversidade cultural os motivos para a sua formulação” (Peralta, 2003: 86). Tem, assim, um uso de identificação simbólica.

 

Para além dos fins de identificação simbólica, o património serve também, intrinsecamente, os propósitos de quem ativa esses repertórios patrimoniais, ou seja, serve fins políticos, quando fornece os símbolos que “favorecem a coesão social ao mesmo tempo que legitima as instituições sociais que emanam estes mitos ma medida em que suprimem a contradição e a tensão dialéticas desfragmentadoras da realidade e a contestação” (Peralta, 2003: 86).

 

Por outro lado, o património tem ainda um outro uso. Por via do seu aproveitamento turístico, ou uso económico, “no contexto de uma sociedade «pós-tradicional», nostálgica e carente de elementos de identificação coletiva, confere ao património uma nova vitalidade” (Peralta, 2003: 87).

 

A dimensão mais explicitamente utilitária do património, como é a turística, convive com as duas anteriores numa relação de complementaridade e de retro alimentação, pois os referentes simbólicos fornecem os motivos que alimentam a indústria turística e a indústria turística recria os elementos culturais e a própria história, emanando novos referentes simbólicos que dão substância à imaginação coletiva (Peralta, 2003: 86), integrando-se naquilo a que Hobsbawm designa na nova “mitologia retrospetiva” que sobre o património é erigida e acrescentando-lhes novos elementos.

 

Sendo a autenticidade um constructo, o património que é inventado para satisfazer a procura turística não é menos autêntico do que aquele que é resgatado de um «corpus» cultural, nem a cultura que resulta desse processo de recriação será, como refere Santana Talavera (1998: 39), uma cultura «bastarda».

 

O património constrói-se, «ativa-se» (Llorenç Prats, 1997:31), significando que toda a operação de construção ou de ativação patrimonial comporta em si mesma um propósito ou finalidade, uma idealização construída por uma sociedade sobre quais são os seus próprios valores culturais, revelando, por conseguinte, a sua identidade coletiva, veiculando uma consciência e um sentimento de grupo, para os próprios e para os demais, erigindo, nesse processo, fronteiras diferenciadoras que permitem manter e preservar a identidade coletiva.

 

É uma síntese simbólica permeável às flutuações da moda e aos critérios de gostos dominantes e matizada pelo figurino intelectual, cultural e psicológico de uma época, que compreende todos aqueles elementos que fundem a identidade de um grupo e que os deferencia dos demais (Santana Talavera, 1998: 37). Como diz Geertz (2000: 91), os símbolos são “fontes extrínsecas de informação”, “que enunciam a pertença a um nós por contraponto a uma não pertença a um outro(Peralta, 2003: 87).

 

Cultura e Turismo

A cultura, entendida como “a totalidade ou o conjunto da produção, de todos o fazer humano de uma sociedade, suas formas de expressão e modos de vida” (Brasil, 2006: 9) foi, desde sempre, uma das principais razões para viajar.

 

A relação entre cultura e turismo fundamenta-se em dois pilares: o primeiro, na existência de pessoas motivadas em conhecer culturas diversas; o segundo, na possibilidade do turismo servir como instrumento de valorização da identidade cultural, da preservação e conservação do património, e da promoção económica de bens culturais.

 

Turismo cultural implica a motivação do turista de, especificadamente, vivenciar o património histórico e cultural bem assim determinados eventos, experienciando-os, e preservando a sua integridade.

 

Vivenciar implica, essencialmente, duas formas de relação do turista com a cultura ou algum aspeto da mesma:

  1. Conhecimento – no sentido de aprender e entender o que se visita;
  2. Experiências participativas, contemplativas e de entretenimento – que ocorrem aquando da visita.

 

Muitos locais que são importantes legados artísticos e arquitetónicos de religiões e crenças são compartilhados pelos interesses sagrados e profanos dos turistas.

 

Turismo Cultural e Religioso

Turismo cultural compreende as atividades turísticas relacionadas com a vivência do conjunto de elementos significativos do património histórico e cultural e dos eventos culturais, valorizando e promovendo os bens materiais e imateriais da cultura.

 

Turismo religioso implica a existência de atividades turísticas decorrentes da busca espiritual e da prática religiosa em espaços e eventos relacionados com religiões institucionalizadas.

 

A busca espiritual e a prática religiosa caracterizam-se pelo deslocamento a locais e para a participação em eventos para fins de:

  • Peregrinações e romarias;
  • Retiros espirituais;
  • Festas e comemorações religiosas;
  • Apresentações artísticas de carácter religioso;
  • Encontros e celebrações relacionadas com a evangelização dos fiéis;
  • Visita a espaços e edificações religiosas (igrejas, templos; santuários…);
  • Realização de itinerários e percursos de cunho religioso e outros.

 

As viagens motivadas pelo interesse cultural ou pela apreciação estética do fenómeno ou do espaço religioso serão aqui consideradas como turismo cultural.

2017.- Passeio pedonal urbano rio Tâmega (19)

25
Mar21

Versejando com imagem - O mar dos meus olhos, de Adelina Barradas de Oliveira

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O MAR DOS MEUS OLHOS

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Há mulheres que trazem o mar nos olhos

Não pela cor

Mas pela vastidão da alma

E trazem a poesia nos dedos e nos sorrisos

Ficam para além do tempo

Como se a maré nunca as levasse

Da praia onde foram felizes

Há mulheres que trazem o mar nos olhos

pela grandeza da imensidão da alma

pelo infinito modo como abarcam as coisas e os homens...

Há mulheres que são maré em noites de tardes...

e calma

 

Adelina Barradas de Oliveira

24
Mar21

Palavras Soltas... - O desenvolvimento local e a animação turística

PALAVRAS SOLTAS...

 

O DESENVOLVIMENTO LOCAL E A ANIMAÇÃO TURÍSTICA

2017.- Régua (Julho) (9)

                                          “[…] não é o turismo que permite o desenvolvimento,

                                      mas o desenvolvimento […] que torna o turismo rentável”.

Ascher (1984)

 

Resumo

Apresenta-se o conceito de turismo sustentável e, tendo este conceito como pano de fundo, problematiza-se o papel da inovação versus tradição em termos do desenvolvimento (turístico) local.

Finalmente, releva-se o papel essencial da animação (sociocultural e turística) como filosofia/fundamento, estratégia e técnica, na tarefa da (re)construção (turística) local.

 

Palavras-chave: Desenvolvimento local, turismo, sustentabilidade, animação sociocultural, animação turística.

 

1.- O Turismo no contexto do Desenvolvimento Local

 

“Que o impossível se torne provável”.

Françoise Lanfant (1992)

 

Na Europa, a partir dos anos 50, as conquistas sociais e o aumento da renda salarial tornam possível, a uma parcela crescente da população, o uso do tempo livre em viagens de turismo.

 

O modelo de sociedade urbano/industrial estruturada no tripé trabalho-moradia-lazer, faz surgir, entre outras coisas, o desejo de evasão do quotidiano num número crescente de pessoas que, sujeitas ao ritmo frenético imposto pelas cidades, cada vez mais artificiais, vê na viagem uma maneira de escapar da rotina do trabalho repetitivo, de recuperar-se física e mentalmente do desgaste causado pelo meio urbano, desfrutar de momentos de liberdade, entrar em contacto com a natureza, enfim, viver novas experiências em outros territórios, que não o seu.

 

Neste sentido, também no turismo, como em qualquer ramo de negócios, está por trás um poderoso esquema de promoção e marketing, cujo objetivo é vender o «produto turístico», para usar uma expressão comum na linguagem dos profissionais do sector. Um produto que encarna as virtudes e os defeitos, encontrados em qualquer mercadoria com mercado de consumo garantido na era da civilização global. Os fabricantes da mercadoria «viagem» estão conscientes disso e, prometem satisfação garantida para os que a compram, utilizando um sistema de divulgação cada vez mais sofisticado, onde oferecem muito conforto, muita natureza, descontração e liberdade, enfim, lugares paradisíacos que contrastam com o espaço habitual e banal do turista. A definição de Miossec (1977), de que o espaço turístico é, antes de tudo, uma imagem, é muito bem trabalhada pelos promotores de viagens.

 

Imagem transformada em mercadoria pelo marketing turístico, dentro da lógica do capital e consumida pelo «homem-férias», no dizer de Krippendorf (1989). Com efeito, para compreender o turismo no contexto da sociedade global, é preciso examiná-lo não apenas como fenómeno social mas, sobretudo, como um «produto».

 

O conceito de produto turístico não tem uma única definição. Podem-se perceber três enfoques, segundo Ivars Baidal (2003):

  • Enfoque baseado no carácter descritivo

A oferta turística é entendida como um conjunto de bens e serviços diversos que são guiados pela procura. O elo de ligação é o consumo de alojamento, restaurante, transporte, tudo unido pela comercialização de bens e serviços. Pode-se entender como um produto concreto, orientado para determinados segmentos de mercado, os produtos turísticos específicos, como o turismo cultural e religioso, turismo de saúde, desportivo, de sol e praia, de congresso, etc.

 

  • Focalizado no processo de produção turística

É um plano ou programa de viagem de ida-e-volta que um turista realiza. Pode ser elaborado pelo próprio turista (autoconsumo) ou por um profissional sob a forma de pacote; congresso, etc.

 

  • Enfoque que identifica a oferta turística como um produto global ou destino

Um produto turístico é uma combinação de prestação de elementos tangíveis e intangíveis que oferecem alguns benefícios ao cliente como resposta para certas expectativas e motivações. O produto aqui é concebido como uma realidade integrada que os turistas percebem e que não é composto por um único elemento mas por um conjunto. De um ponto de vista territorial, o produto turístico é o destino no seu todo, ou seja, o território. O espaço/território é, assim, a matéria-prima do turismo (Yázige, 1996).

 

Os componentes do produto global são os atrativos que motivam a deslocação, os serviços públicos e privados, sob um ponto de vista amplo, onde se incluem desde os hotéis e restaurantes, hospital ou o comércio, até mesmo aspetos intangíveis como a atitude da sociedade local para os turistas.

 

Este enfoque é complicado quando se considera que a satisfação do turista dependerá de suas próprias expectativas e sua perceção dos componentes do produto.

 

Percebe-se de uma maneira simplista a constituição do produto turístico sob uma visão basicamente economicista, porém, a perceção obtida pelos turistas é algo mais abrangente, acabando por interferir em todo o território como destino não só de uma forma económica, mas também nos aspetos sociais, naturais e culturais.

 

Quando o turista realiza a viagem, terá consumido o território turístico diretamente, sofrendo este, e tudo quanto o compõe, impactos, quer sejam eles positivos ou negativos.

 

Assim, quando falamos em desenvolvimento turístico, devemos entender que esta expressão não é sinónimo de desenvolvimento pois nenhuma atividade económica sectorial pode assegurar um desenvolvimento global que contemple todas as dimensões da vida social (Cruz, 2000).

 

O fenómeno turístico, alias como em todos os aspetos da sociedade do século XXI, está em profunda mudança. E as grandes mudanças do turismo de hoje, implicam, reforçam o aparecimento de novo(s) modelo(s) turístico(s) alternativo(s), culminando naquilo que autores (Trzyrna, 1995) classificam de lógica da sustentabilidade.

 

Definido como processo de mudança social e de elevação das oportunidades presentes da sociedade, sem comprometer a capacidade das gerações futuras verem atendidas as suas próprias necessidades, o desenvolvimento sustentável requer a compatibilização, no tempo e no espaço, entre crescimento, eficiência económica, conservação ambiental, qualidade de vida e equidade social.

 

A Cimeira do Rio (1992) colocou os princípios de um desenvolvimento sustentável.

 

Por outro lado, a nível dos grandes organismos internacionais, a importância do ambiente, como estratégia do desenvolvimento começa por delinear-se logo em 1972, ano em que a ONU realiza a Conferência de Estocolmo sobre Ambiente Humano, onde são produzidos documentos como a «Declaração sobre Ambiente Humano, um Plano de Acão», e é criado o Programa das Nações Unidas para o Ambiente (PNUMA).

 

Em 1995, a Comunidade Europeia, publica o «V Programa em direção a um Desenvolvimento Sustentável», contendo algumas medidas e ações sectoriais no sentido da sustentabilidade. No mesmo ano, a Conferência Mundial sobre Turismo realizada em Lanzarote, elabora a «Carta Mundial para o Turismo Sustentável».

 

Entre os princípios e objetivos enunciados na Carta, sobressaem alguns elementos chave do desenvolvimento local, entre os quais, o reconhecimento de fatores locais como o ambiente e a cultura na definição da estratégia turística, ou ainda a cooperação e coresponsabilização dos diversos intervenientes e a participação das comunidades locais na satisfação do turista.

 

A Conferência Mundial de Turismo Sustentável recomenda aos governos nacionais e regionais, a construção com urgência de planos de ação para um desenvolvimento sustentável aplicados ao turismo, em consonância com os princípios enunciados na Carta (Batouxas, 2001).

 

O conceito de turismo sustentável compreende cinco dimensões:

  • sustentabilidade ecológica;
  • sustentabilidade social;
  • sustentabilidade cultural;
  • sustentabilidade económica;
  • sustentabilidade espacial.

A sustentabilidade ecológica traduz-se em proteção/ conservação da natureza e da diversidade biológica. Pressupõe o respeito pela capacidade de suporte dos ecossistemas e pelo limite de consumo dos recursos naturais. A sustentabilidade social significa a participação cidadã no processo de desenvolvimento para assegurar um padrão negociado e mais estável de crescimento, e menos desigual, em termos de renda e de qualidade de vida. Já a sustentabilidade cultural pressupõe a necessidade de se buscar soluções de âmbito local, valorizadoras das especificidades das culturas locais. A sustentabilidade económica, por sua vez, significa não só a compatibilização entre crescimento e utilização sustentável dos recursos naturais, mas ainda a internalização nos locais dos vetores de crescimento económico (Sachs, 1993).

 

O turismo sustentável é um instrumento de fixação das populações. Mas pensar em estratégias baseadas na sustentabilidade implica um questionamento que não tenha somente em conta o equilíbrio do crescimento turístico ou a proteção do património e das áreas naturais protegidas. Um turismo sustentado é um modelo que apela a uma lógica de autenticidade, porque integrador de sentidos múltiplos e vários agentes, sendo, para isso necessário alargar a noção de experiência turística para além do olhar do visitante e da estratégia do vendedor.

 

A haver uma ética na indústria turística atual, ela deverá passar por uma política que privilegie a relação:

  • Dos visitantes com as comunidades locais

A indústria turística não pode privilegiar unicamente os turistas, esquecendo que os produtos culturais têm origem em atores sociais, com uma dignidade intrínseca, e uma palavra a dizer do património e dos espaços que partilham com aqueles que os visitam. A qualidade de vida das populações e o enriquecimento mútuo entre população e visitantes deve ser uma preocupação dos modelos turísticos. Nos contactos culturais está sempre presente uma possibilidade de conflito (Eller, 1999), o qual não pode ser alimentado pela indústria turística.

 

  • Dos atores sociais com o meio ecológico e o património histórico e cultural

Não se pode continuar a desenvolver um turismo ecológico meramente com a gestão de visitantes e com a defesa do ambiente. Os atores devem assumir uma experiência de relação com o meio que visitam, em que o próprio processo turístico seja planeado como forma de o preservar e valorizar. A relação com o meio ambiente deverá resultar num sistema sócio natural criativo e em constante renovação (Bennett, 1995).

 

O património, por outro lado, constrói-se, «ativa-se» (Llorenç Prats, 1997:31), significando que toda a operação de construção ou de ativação patrimonial comporta em si mesma um propósito ou finalidade, uma idealização construída por uma sociedade sobre quais são os seus próprios valores culturais, revelando, por conseguinte, a sua identidade coletiva, veiculando uma consciência e um sentimento de grupo, para os próprios e para os demais, erigindo, nesse processo, fronteiras diferenciadoras que permitem manter e preservar a identidade coletiva.

 

O património, como interpretação do passado, é uma recriação da história, que emana visões essencialistas do passado e neutraliza as contingências históricas (Peralta, 2003).

 

O legado patrimonial é, assim, “um legado falsificado para fins de identificação coletiva, apesar de beber nos factos históricos e na diversidade cultural os motivos para a sua formulação” (Peralta, 2003: 86). Tem, assim, um uso de identificação simbólica.

 

Para além dos fins de identificação simbólica, o património serve também, intrinsecamente, os propósitos de quem ativa esses repertórios patrimoniais, ou seja, serve fins políticos, quando fornece os símbolos que “favorecem a coesão social ao mesmo tempo que legitima as instituições sociais que emanam estes mitos ma medida em que suprimem a contradição e a tensão dialéticas desfragmentadoras da realidade e a contestação” (Peralta, 2003: 86).

 

Por outro lado o património tem ainda um outro uso. Por via do seu aproveitamento turístico, ou uso económico, “no contexto de uma sociedade «pós-tradicional», nostálgica e carente de elementos de identificação coletiva, confere ao património uma nova vitalidade” (Peralta, 2003: 87).

 

A dimensão mais explicitamente utilitária do património, como é a turística, convive com as duas anteriores numa relação de complementaridade e de retroalimentação, pois os referentes simbólicos fornecem os motivos que alimentam a indústria turística e a indústria turística recria os elementos culturais e a própria história, emanando novos referentes simbólicos que dão substância à imaginação coletiva (Peralta, 2003: 86), integrando-se naquilo a que Hobsbawm designa na nova «mitologia retrospetiva» que sobre o património é erigida e acrescentando-lhes novos elementos.

 

Sendo a autenticidade um constructo, o património que é inventado para satisfazer a procura turística não é menos autêntico do que aquele que é resgatado de um «corpus» cultural, nem a cultura que resulta desse processo de recriação será, como refere Santana Talavera (1998: 39), uma cultura «bastarda».

 

Contextualizar o turismo não significa unicamente salientar a dimensão local e estabelecer as relações com os espaços envolventes, no sentido de turismo aberto. Contextualizar significa, aqui, partilhar os «textos» (estratégias e discursos) de realidades diferentes num espaço comum, de modo a que os agentes desta relação de partilha possam entender os vários sentidos presentes. Só dentro desta lógica da relação de partilha se pode compreender hoje o turismo, nas variadas dimensões de que ele se reveste.

 

E, assim, evitar-se aquilo que, como afirma Joaquim (2003: 5), a preservação da tradição leve, como aconteceu na última década, “ao florescimento de aldeias cenário, fantasmas, propriedade de citadinos, que nos poucos fins de semana que passam na aldeia alentejana, carregados de compras dos hipermercados da capital, se arriscam a ir aliviar o stress, para um Alentejo sem alentejanos”.

 

Como diz Giddens: “Uma tradição que é esvaziada de conteúdo, comercializada, torna-se uma herança ou um kitsch, um berloque sem valor que se compra na loja do aeroporto. Quando tratada pela indústria da herança, a herança é a tradição refeita em termos de espetáculo. Os edifícios reconstruídos em locais de interesse turístico podem parecer esplêndidos, e a reconstrução pode ter sido autêntica até ao mais ínfimo pormenor. Mas a herança assim protegida deixa de ser alimentada pelo sangue vital da tradição, a qual está em conexão com a experiência da vida corrente”. (Giddens: 2000: 51).

 

Mas aqui devemos também ter em devida conta Augusto Santos Silva quando nos alerta para o carácter dinâmico do património ao nos alertar que “o que definimos hoje como valor patrimonial não é o mesmo que definíamos noutras épocas. E o que valorizamos hoje como referência patrimonial – por exemplo um sítio monumental – é o resultado de múltiplas e, muitas vezes, contrárias intervenções humanas. Não vejo, pois, como haveremos de pensar produtivamente, em matéria de conservação e salvaguarda, se teimarmos em procurar autenticidades e primordialidades imaginárias” (citado por Santos, 2002: 348).

 

Conceitos como inovação e tradição, num contexto de sustentabilidade, pressupõem em primeiro lugar, espaços vividos, habitados, com estratégias realistas de desenvolvimento socioeconómico, onde a fixação de populações é o fator determinante.

 

Entre o liberalismo selvagem, que não reconhece valores ecológicos e culturais, e o ambientalismo radical que só reconhece florzinhas e passarinhos, o desafio para as comunidades locais que queiram apostar no turismo como uma das estratégias para o seu desenvolvimento é o de abrirem-se ao exterior, modernizando-se pela função turística e, ao mesmo tempo, implicarem-se num reinvestimento do seu passado, reestruturação do seu património, na manutenção e revitalização das suas tradições, realçando a topofilia, o elo emocional entre uma pessoa e um lugar ou envolvente física, o mesmo que dizer, o sentimento de pertença a um lugar ou região de origem, de residência, de trabalho ou de lazer.

 

Como afirmam Roca e Oliveira (2002: 12), ”temos todas as razões para acreditar que para além dos efeitos benéficos derivados da coesão entre as «forças» locais e  , um forte sentido de topofilia entre os atores e agentes de desenvolvimento individuais e institucionais poderão favorecer a compatibilização com as «forças» globalizadas no processo de (re)valorização das identidades territoriais. Dado que a topofilia reflete bem o nível de satisfação das pessoas com os vários parâmetros da qualidade de vida sobre um dado território (de carácter ambiental, económico, cultural e político, entre outros), então será de esperar que um mais forte sentido de pertença territorial poderá ser complementar ao fortalecimento do poder de atração dos lugares e das regiões”, ou, como diz Santos (2002: 349), “importa vitalizar construções culturais dos espaços, associadas à capacidade de afirmação das singularidades locais adequadas a um nível global”.

 

A sustentabilidade, que alguns autores já designaram de a quadratura do círculo, ao postular a simultaneidade da rentabilidade económica, equidade social e preservação dos ecossistemas, é um desafio que as populações locais enfrentam, dispondo atualmente de um conjunto de instrumentos onde a tradição materializada pelas especificidades locais e a inovação, produto do partenariado local com os poderes públicos e a comunidade científica, se torna hoje possível, pela profunda alteração do perfil dos visitantes em curso.

 

2.- Animação Turística no contexto da Animação Sociocultural e do Desenvolvimento Local

 

É preciso não se render a quem proclama que

sonhar é uma forma de fugir do mundo e não de recriá-lo

Paulo Freire

 

O turismo insere-se no âmbito do tempo livre. Mas, como afirma Manuel Cuenca Cabeza, “se admitirmos a separação entre ócio e tempo livre, considerando que o tempo livre é simplesmente uma possibilidade ou, em todo o caso, uma condição para a prática do ócio, mas que no fundo não se pode identificar com ele, o ponto de partida [para o turismo] temo-lo agora no ócio” (Cuenca, 2006: 131).

 

Tradicionalmente, diz Manuel Cuenca Cabeza, “o ócio tem sido considerado um aspeto residual da vida, uma parte pouco significativa, secundário, um luxo, algo periférico”. Contudo, “atualmente, começa a ser um elemento central, qualquer coisa que pode ser experimentada pela maioria das pessoas”. (Cuenca, 2004: 336) “uma ocasião para viver experiências satisfatórias, que se transformam em âmbito de realização pessoal, identificação e integração comunitária, quando se vivem de um modo positivo” (Cuenca, 2006: 133).

 

A conceção que fazemos do ócio é, assim, na esteira de Cuenca Cabeza, uma conceção que parte do ócio como exercício de liberdade e, como tal, de desenvolvimento pessoal e comunitário do ser humano; de um conjunto de direitos fundamentais, incluídos na categoria jurídica dos direitos humanos e do ócio encarado como qualidade de vida, entendida como a satisfação das distintas necessidades humanas, sob parâmetros sociais e humanos equitativos e justos, numa base de igualdade, respeito e não discriminação, ou seja, “falar de ócio […] é falar da prática de um novo humanismo tornado realidade através do desporto, do turismo, da leitura, do desfrute da arte, da distração, do jogo, do encontro com a natureza, da vivência de festividades ou do exercício da solidariedade” (Cuenca, idem. 338).

 

Entendido desta forma, o ócio é um dos âmbitos, e objeto, da animação. Contudo, e como afirma Cuenca Cabeza, citando Maria do Cármen Vega, a diferença com o turismo está em que “as actuações da indústria do ócio [em que se incluem a recreação, turismo, desporto e cultura, entre outras] dão prioridade ao consumo de um produto, de uma actividade de ócio com a intencionalidade última de obter uma rentabilidade económica” (Cuenca, 2006: 134)

 

 Praticar turismo é afirmar-nos como seres “modernos” através do uso de bens de consumo convertidos em signos e veículos de significação (Pereiro, 2006b).

 

O consumo turístico não está influenciado apenas pelo preço das suas mercadorias mas também pela construção e invenção social da sua necessidade (Pereiro, 2006b).

 

Neste sentido, “a relação entre turismo e animação é cada vez mais debatida. Tal discussão advém, no meu ponto de vista, de uma necessidade do mercado turístico em ocupar o tempo de estadia do turista, distender a duração da estadia e fidelizar o turista. Apostar na animação tem, portanto, um significado mercantil básico: a animação é uma estratégia de cativação turística. A animação pode aparecer numa oferta turística, como algo complementar, como mais um produto da oferta turística ou como um produto central na oferta turística que relega outros aspetos para um segundo plano” (Pereiro, 2006a: 290).

 

Mas, por outro lado, refere ainda este autor, “a animação turística – seja aplicada em hotéis, casas TER, por empresas específicas ou pelas comunidades recetoras de turistas – tem outra dimensão que é a possibilidade de criar um espaço de enriquecimento intercultural, entre locais e visitantes. Isto implica considerar a animação como um simples negócio turístico, no qual se procura a mera recreação e alienação, mas também como uma oportunidade de intercâmbio que contribui para o entendimento mútuo entre pessoas vindas de diferentes universos sociais e culturais (Pereiro, 2006a: 290).

 

Lopes (2006: 362 e 364) entende, também, a animação turística como “(…) um conjunto de técnicas orientadas para potenciar e promover um turismo que estimula as pessoas a participarem, crítica e informadamente, na descoberta dos locais, sítios e monumentos que visitam”, tendo como “pressuposto a necessidade de se criar motivação e implicar o turista numa participação cultural e social que não descure o relacionamento com o meio e com as populações visitadas”.

 

E refere que “o aspeto fundamental da Animação turística é a interação com as pessoas e com o meio onde se está, gerador de um potencial desenvolvimento económico, social, cultural, ambiental” (Lopes, 2006: 364-365).

“Para este autor, a animação turística tem como objetivos centrais:

  • "levar as pessoas a relacionarem-se com o meio que visitam (pessoas, património natural, paisagem, crenças e tradições, património arquitetónico, associações existentes, artesanato, gastronomia, festas populares, etc.;
  • substituir o ver pelo envolver, procurando uma integração ativa social e cultural;
  • criar processos dinâmicos e criativos, fruto de diferentes interações, em que se articulem valências culturais, sociais e educativas;
  • transformar o tempo livre em ócios criativos e rejeitar o tempo morto e a ociosidade depressiva;
  • estabelecer comunicação entre a população nativa de um espaço visitado com a população visitante, através de eventos e experiências que passem por convivências, assentes em partilhas de saberes, partilhas culturais, partilhas inter e multiculturais, etc.” (Lopes, 2006: 362-363).

 

Para Lopes (2006) e Pereiro (2006a), a animação turística deve ser entendida primacialmente como um instrumento, uma técnica de envolver o turista, partilhando com ele, e uma estratégia de ação, projetando, junto do turismo, a sua capacidade técnica e metodológica de gerar processos participativos e criativos.

 

Pensamos, contudo, que a animação turística deve ter como matriz a animação sociocultural como “o conjunto de ações realizadas por indivíduos, grupos ou instituições numa comunidade (ou sector da mesma) e dentro do âmbito de um território concreto, com o objetivo principal de promover nos seus membros uma atitude de participação ativa no processo do seu próprio desenvolvimento quer social quer cultural” (Trilla, 2004: 26). Animação sociocultural que, na linha de Ucar (1992: 63-64), deve ser entendida tendo em conta os seus elementos teleológicos e metodológicos, como sejam, o desenvolvimento da conscientização e o sentido crítico; a participação; a integração social; a dinamização sociocultural; a inovação e a criação cultural; a utopia e, finalmente, a intervenção social e as técnicas. Ou ainda, partilhando da posição de Caride Gómez, quando afirma que o sentido último da animação sociocultural “é a democracia como envolvimento duradouro e estável na resolução dos problemas quotidianos, alargando a participação dos cidadãos a todos os espaços e tempos possíveis: empresas, escolas, povoações, zonas residenciais, centros cívicos, etc.”, não se devendo “hesitar em reivindicar uma reinterpretação do conceito de cultura, do papel do homem e da sua contribuição para o êxito de um desenvolvimento mais harmonioso, integrado e global” (Caride, 2004: 61).

 

 Estamos com Xavier Puertas (2004: 32-33) quando defende que ao conceito de animação turística proposto por Trilla – que enfatiza as dimensões cultural, social, de participação e associacionismo, humanos e educativos – se deve juntar uma quinta dimensão ou grupo de finalidades, as que realçam o desenvolvimento económico da empresa, do local e da região.

 

A animação turística, na linha do que vimos defendendo em termos de desenvolvimento local, deve ter sempre como filosofia, fundamento da ação, a comunidade residente recetora que, no ato da relação e da partilha, se apresenta em toda a plenitude do seu ser, evidenciando e partilhando com o outro (o turista) o seu saber e saber fazer, sabendo estar, aprendendo juntos.

 

Assim, todo e qualquer produto turístico, simples ou compósito, como seja o território como destino, que não se impregne e comprometa com a construção de uma “identidade” e “autenticidade”, própria e específica, de cada sítio, local ou região, sujeita-se a não passar de uma simples e fugaz mercadoria, num mercado turístico global, prenhe de agressividade e cada vez mais exigente de verdadeira especificidade.

 

Considerações finais

Face ao que acima ficou dito, e tendo em conta as novas subjetividades e identidades que constantemente a dita pós-modernidade está criando e recriando (Giddens, Touraine), o território, que se quer também turístico, deve ser (re)construído envolvendo, e unindo, todos os «atores» que, no local, «visionam» o seu futuro, usando a inovação, aprendizagem, as redes e a governância como fatores decisivos, e em que a coesão interna de todos os elementos que o compõem, aliada a uma necessária abertura ao exterior, se assumem como determinantes para o seu sucesso.

 

Mas a sustentabilidade do território, que também se quer turístico, não se faz apenas com os atores locais. Faz-se, transforma-se e reconstrói-se também pela partilha e aprendizagem com os visitantes, nossos hóspedes.

 

Em suma, o desenvolvimento (turístico) local (re)constrói-se pelo embate quotidiano dos diferentes atores do local, movidos pelos seus interesses, e reprocessado pelas suas representações político-sociais, pelas suas empresas, planeadores e governos, tendo como referência os padrões de consumo dos atuais e novos turistas, as necessidades das populações locais, as expectativas de lucratividade e os imperativos de conservação ambiental, tendo, sempre, como pano de fundo, a qualidade de vida das populações e dos cidadãos e a sustentabilidade.

 

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016

23
Mar21

Versejando com imagem - Menina e moça, de Machado de Assis

VERSEJANDO COM IMAGEM

 

MENINA E MOÇA

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(Imagem de Pablo Serrano)

 

Está naquela idade inquieta e duvidosa,

Que não é dia claro e é já o alvorecer;

Entreaberto botão, entrefechada rosa,

Um pouco de menina e um pouco de mulher.

 

Às vezes recatada, outras estouvadinha,

Casa no mesmo gesto a loucura e o pudor;

Tem coisas de criança e modos de mocinha,

Estuda o catecismo e lê versos de amor.

 

Outras vezes valsando, e seio lhe palpita,

De cansaço talvez, talvez de comoção.

Quando a boca vermelha os lábios abre e agita,

Não sei se pede um beijo ou faz uma oração.

 

Outras vezes beijando a boneca enfeitada,

Olha furtivamente o primo que sorri;

E se corre parece, à brisa enamorada,

Abrir asas de um anjo e tranças de uma huri.

 

Quando a sala atravessa, é raro que não lance

Os olhos para o espelho; e raro que ao deitar

Não leia, um quarto de hora, as folhas de um romance

Em que a dama conjugue o eterno verbo amar.

 

Tem na alcova em que dorme, e descansa de dia,

A cama da boneca ao pé do toucador;

Quando sonha, repete, em santa companhia,

Os livros do colégio e o nome de um doutor.

 

Alegra-se em ouvindo os compassos da orquestra;

E quando entra num baile, é já dama do tom;

Compensa-lhe a modista os enfados da mestra;

Tem respeito a Geslin, mas adora a Dazon.

 

Dos cuidados da vida o mais tristonho e acerbo

Para ela é o estudo, excetuando talvez

A lição de sintaxe em que combina o verbo

To love, mas sorrindo ao professor de inglês.

 

Quantas vezes, porém, fitando o olhar no espaço,

Parece acompanhar uma etérea visão;

Quantas cruzando ao seio o delicado braço

Comprime as pulsações do inquieto coração!

 

Ah! se nesse momento alucinado, fores

Cair-lhes aos pés, confiar-lhe uma esperança vã,

Hás de vê-la zombar dos teus tristes amores,

Rir da tua aventura e contá-la à mamã.

 

É que esta criatura, adorável, divina,

Nem se pode explicar, nem se pode entender:

Procura-se a mulher e encontra-se a menina,

Quer-se ver a menina e encontra-se a mulher!

 

Machado de Assis,

in 'Falenas'

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22
Mar21

Palavras soltas... - A Sociedade «sobremoderna» - Conclusão

PALAVRAS SOLTAS...

 

A SOCIEDADE «SOBREMODERNA»

  

CONCLUSÃO

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Ao longo destes humildes textos que fomos aqui editando, uma pergunta não cessou de nos perturbar e de constantemente nos questionar: que modelo de desenvolvimento territorial queremos?

 

E uma passagem de LACAZE (:14-15) não cessava de a cada passo bailar no nosso pensamento: “Os Fenícios e os Gregos são povos de marinheiros; interessam-se pelo comércio à distância que permite realizar benefícios importantes. Vão até à Inglaterra, para procurar o estanho necessário à fabricação do bronze e exploram a orla atlântica da costa africana. Partindo de uma cidade mãe, a que chamaram a «metrópole» - Tiro ou Atenas – criaram redes de feitorias, cidades portuárias onde se instalam para negociar as suas trocas com as populações autóctones que não procuram subjugar (...) O Egipto e Roma desenvolvem desta forma outro modelo: o «império» que organiza o território como um espaço contínuo a duas dimensões, e não mais uma rede de pontos fortes. Também a criação de cidades teve aí lugar. Mas estas assumem um papel diferente: controlam e vigiam as populações, organizam a produção agrícola e fazem a quadrícula do espaço de uma forma mais sistemática”.

           

Á  frente o mesmo LACAZE sintetiza o processo de urbanização ao longo do tempo, de forma assaz simples e clara (:94-95) “No passado, as territorializações ligadas à vida de família, ao trabalho e à vida social eram fortemente imbricadas e organizavam-se num único e mesmo espaço: a quinta, o espaço da aldeia, da pequena cidade ou do bairro na grande cidade (...) A urbanização generalizada do modo de vida e a ampla difusão do automóvel fizeram disparar este modelo (...) Uma nova forma de territorialização em arquipélago, segundo a expressão do sociólogo JEAN VIARD, rompe com a unidade. Cada habitante apropria-se assim de uma série de ilhotas à volta dos diferentes lugares que frequenta regularmente (...)Neste mosaico de espaços mutuamente imbricados, a mobilidade torna-se um valor central, o que reunifica as ilhas e confere, portanto, a sua unidade ao arquipélago”.

 

Ainda mais à frente o mesmo autor, e finalizando este despretensioso ensaio (:116-117): “A organização galo-romana, a centralização de Luís XIV e de Napoleão (...) todas estas grandes etapas da nossa história comum declinaram, a seu modo o modelo romano. Tratamento igualitário, quadrícula, hierarquia das cidades, são então as palavras mestras, em referência a uma concepção de sociedade baseada na ordem e na estabilidade (...) Se parecia necessário referir amiúde o sistema grego, não era por razões ideológicas, mas simplesmente porque os Franceses ratificaram significativamente a escolha do modo de vida urbano, e também pelo facto da nova ordem mundial não deixar alternativas à proeminência de cidades e áreas metropolitanas. Que temos nós a perder, além da nostalgia dos locais notáveis e das polémicas estéreis? As cidades permanecem mais do que nunca o local privilegiado da criação, da inovação, da abertura sobre o mundo e sobre os outros, «as quentes estufas de toda a civilização», lembra BRAUDEL. Compete-nos geri-las da melhor maneira, associando-lhes os territórios que elas próprias organizam e utilizam, porque o nosso futuro comum depende disso”.

 

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21
Mar21

Versejando com imagem - Rapariga de Ipanema, de Vinicius de Moraes e Tom Jobim

VERSEJANDO COM IMAGEM

 

RAPARIGA DE IPANEMA

helo

Olha que coisa mais linda

Mais cheia de graça

É ela menina

Que vem e que passa

Num doce balanço

A caminho do mar

 

Moça do corpo dourado

Do sol de lpanema

O seu balançado é mais que um poema

É a coisa mais linda que eu já vi passar

 

Ah, por que estou tão sozinho?

Ah, por que tudo é tão triste?

Ah, a beleza que existe

A beleza que não é só minha

Que também passa sozinha

 

Ah, se ela soubesse

Que quando ela passa

O mundo sorrindo se enche de graça

E fica mais lindo

Por causa do amor

 

Vinicius de Moraes e Tom Jobim

 

20
Mar21

Palavaras Soltas... - A sociedade«sobremoderna» - Cap. V - A globalização e a emergência do local na sociedade «sobremoderna»

PALAVRAS SOLTAS...

 

A SOCIEDADE «SOBREMODERNA»

  

CAPÍTULO V

A GLOBALIZAÇÃO E A EMERGÊNCIA DO LOCAL NA SOCIEDADE «SOBREMODERNA»

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A globalização e a localização são, segundo FONT et al. (:85) “dois processos sociais, económicos e políticos determinantes no mundo contemporâneo, que se retroalimentam porquanto são as duas caras de uma mesma moeda”.

 

A globalização, ao contrário do que se poderia supor, e de tudo quanto vimos dito, estimula a consolidação do local (não confundindo com localismo), dos lugares, ao mesmo tempo que cria, é certo, mecanismos de homogeneização. A globalização e os lugares são os pontos de territorialização, de materialização, a partir dos quais – segundo as teorias possibilistas, na esteira de DEMATTEIS, ao contrário do que pensa CASTELLS, se abre a porta aos conceitos da tradição geográfica, da relação entre o local e o global, no novo contexto da sociedade «sobremoderna».

 

Assim, se a conceção e o papel do Estado nas sociedades de hoje está constantemente se recompondo, alterando, em suma, se adaptando, também «o local» passa por outros tipos de espaços e de agregações sociais.

 

Segundo SASKIA SASSEN, citada por FONT et al. (:85) um dos espaços, e talvez o mais característico, é a denominada «Cidade Global»: “Na fase atual da economia mundial, é precisamente a combinação da dispersão global das atividades económicas e uma integração global que contribuiu para a atribuição de um «papel» estratégico a certas grandes cidades a que chamo cidades globais (...) hoje as cidades globais são centro de decisão da organização da economia mundial; lugares chave e mercados para as atuais indústrias líderes, as financeiras e de serviços às empresas, incluindo a produção de inovação”. Para esta autora, entre elas, estariam Nova Iorque, Londres, Los Angeles, Tóquio, Hong Kong-Guandong ou Paris.

 

O «papel» global implica transformações do espaço urbano e dos seus usos, muito importantes, e por vezes traumáticos, tanto para adaptar-se às novas funções como pela circunstância de serem espaços muito rentáveis desde o ponto de vista imobiliário.

 

   Esta transformação, desde uma perspetiva da geografia política, teve inúmeros efeitos, entre eles, o da alienação do espaço dos poderes políticos locais e estatais, deixando-os nas mãos do mercado mundial, quer no que respeita aos já referidos aspetos imobiliários quer funcionais.

 

As cidades globais outra coisa não são que uma parte da alteração da soberania estatal a partir de escalas menores (FONT et al.: 86). Desde os anos 80, outros tipos de espaços subestatais ou transestatais vêm ganhando protagonismo, em especial os que se têm vindo a designar, com uma certa ambiguidade, regiões, (na senda da escola da geografia francesa), ou seja, espaços territorialmente definidos e que contêm sistemas sociais e económicos, até certo ponto, coesos e diferenciados. Esta integração é a que permite que as regiões se singularizem e tenham uma identidade no que respeita à globalização, sejam reconhecíveis e possam competir dentro dela. Segundo FONT et al. (:86), “nesta lógica regional cabem teorias tão bem-sucedidas na literatura como a dos «distritos industriais», do «desenvolvimento endógeno (BENKO e LIPIETZ, 1994) ou a dos sistemas territoriais locais (DEMATTEIS, 1995; CAMAGNI, 1998), para além de todas as interpretações de carácter menos económico e mais político e cultural ou de carácter identitário e nacionalista (de Nações sem Estado).

 

Desde os anos 80 são cada vez mais as cidades e as regiões que encetaram políticas de atracão de investimentos, de coesão social ou de promoção cultural, evidenciando uma «performance» e eficiência e protagonismo, tendo a União Europeia se destacado como um grande laboratório para este tipo de processos e experiências.

 

Nas teorias urbanas e urbanísticas, a cidade é hoje apreendida como um «sistema complexo», irredutível, como vimos afirmando, à separação em funções elementares e em zonas; ela deve ser concebida como uma realidade flexível que se pode adaptar e modificar ao longo do tempo, ao contrário da produção massificada dos grandes conjuntos habitacionais, ilustração dramática da rigidez do período precedente. Em suma, é preciso promover nas cidades a miscigenação funcional e a polivalência, como mais atrás referimos. O planeamento urbano deve ser mais pragmático e mais elástico; o desenvolvimento local deve apoiar-se de forma decisiva num «marketing urbano».

 

Finalmente, acima de tudo isto, está o peso do espaço e do tempo históricos, (significando histórico não pretérito, mas enraizamento), que leva a que a reestruturação do local gerada pela globalização leve a que os territórios estejam já dispostos e se proponham a acolher e a alimentar os fluxos do sistema mundial.

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