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zassu

28
Abr20

Poesia em tempos de desassossego - Pequeno poema, Sebastião da Gama

 

POESIA EM TEMPOS DE DESASSOSSEGO

 

PEQUENO POEMA

 

mother-and-baby1

Quando eu nasci,

ficou tudo como estava,

Nem homens cortaram veias,

nem o Sol escureceu,

nem houve Estrelas a mais...

Somente,

esquecida das dores,

a minha Mãe sorriu e agradeceu.

 

Quando eu nasci,

não houve nada de novo

senão eu.

 

As nuvens não se espantaram,

não enlouqueceu ninguém...

 

P'ra que o dia fosse enorme,

bastava

toda a ternura que olhava

nos olhos de minha Mãe...

Sebastião da Gama

25
Abr20

25 Abril Sempre! Em Liberdade...

 

25 DE ABRIL SEMPRE... EM LIBERDADE

 

LIBERDADE

Cartaz da autoria de Maria Helena Vieira da Silva, intitulado A Poesia Está na Rua.

Nos meus cadernos de escola

Nas carteiras e nas árvores

Nas areias e na neve

Escrevo teu nome

 

Em toda página lida

Em toda página em branco

Pedra, papel, sangue ou cinza

Escrevo teu nome

 

Em toda imagem doirada

E nas armas dos guerreiros

Ou nas coroas dos reis

Escrevo teu nome

 

Na floresta e no deserto

Nos ninhos e nas giestas

Nos ecos de minha infância

Escrevo teu nome

 

Nas maravilhas da noite

No pão branco da manhã

Nas estações em noivado

Escrevo teu nome

 

Em todo farrapo azul

No tanque de água mofado

No lago de lua viva

Escrevo teu nome

 

Nos campos e no horizonte

Nas asas dos passarinhos

E nos moinhos de sombra

Escrevo teu nome

 

Em todo sopro da aurora

No mar e em cada navio

Na montanha adormecida

Escrevo teu nome

 

Nas espumas e nas nuvens

Nos suores da tormenta

Na chuva densa e enfadonha

Escrevo teu nome

 

Nas formas resplandecentes

Nos sinos de várias cores

Em toda verdade física

Escrevo teu nome

 

Nos caminhos acordados

E nas estradas vistosas

Ou nas praças transbordantes

Escrevo teu nome

 

Na lâmpada que se acende

Na lâmpada que se apaga

Em minhas casas reunidas

Escrevo teu nome

 

Na fruta cortada ao meio

Do meu espelho e meu quarto

No leito concha vazia

Escrevo teu nome

 

No meu cão guloso e terno

De orelhas que estão em guarda

Nas suas patas sem jeito

Escrevo teu nome

 

Na minha porta de entrada

Nos objetos familiares

Nas ondas de fogo lento

Escrevo teu nome

 

Em toda carne cedida

Na fronte de meus amigos

Em cada mão que se estende

Escrevo teu nome

 

Na vidraça das surpresas

E nos lábios sempre atentos

Bem acima do silêncio

Escrevo teu nome

 

Nos refúgios destruídos

Nos faróis desmoronados

Nas paredes de meu tédio

Escrevo teu nome

 

Nas ausências sem desejo

Na solidão toda nua

Nesta marcha para a morte

Escrevo teu nome

 

Na saúde que retorna

No perigo que passou

Nas esperanças sem eco

Escrevo teu nome

 

E ao poder de uma palavra

Recomeço minha vida

Nasci para conhecer-te

E chamar-te

Liberdade.

 

Paul Éluard, In Œuvres Complètes, Éditions Gallimard, Paris, 1968

(Tradução de Carlos Drummond de Andrade e Manuel Bandeira)

 

Paul Eluard

Era o grande brado do Poeta, identificado com as dores e os anseios do povo e da Pátria. Além de ser um magnífico poema do ponto de vista literário, "Liberté", de Paul Éluard, carrega consigo o peso da História. Escrito em 1942, com o título "Une Seule Pensée" (Um Único Pensamento), esse texto foi transportado clandestinamente da França, ocupada pelos nazistas, para a Inglaterra. Em 1943, traduzido para vários idiomas, o poema foi distribuído como um panfleto, lançado por aviões aliados nos céus da Europa conflagrada. O responsável por contrabandear essa preciosidade da França ocupada para a Inglaterra foi um brasileiro, o pintor pernambucano Cícero Dias (1907-2003). Em reconhecimento a essa proeza, Dias foi condecorado pelo governo francês com a Ordem Nacional do Mérito, em 1998.

Fonte: http://www.algumapoesia.com.br/drummond/drummond23.htm

23
Abr20

Palavras Soltas - Orlando Ribeiro e Portugal, o Mediterrâneo e o Atlântico - a propósito do Dia Mundial do Livro

 

PALAVRAS SOLTAS

 

A PROPÓSITO DO DIA MUNDIAL DO LIVRO

 

2015 - Outono no Douro Vinhateiro IIII (447)

Antes de entrarmos neste período de confinamento social forçado, tínhamos acabado de ler uma obra do geógrafo Orlando Ribeiro – «Introduções Geográficas à História de Portugal – Estudo Crítico» na qual o autor tecia algumas considerações críticas aos nossos historiadores (nomeadamente, Oliveira Martins, Jaime Cortesão, António Sérgio, entre outros) quando, ao abordarem a História de Portugal, se esquecerem, ou não terem em conta, a «contextualização» geográfica, aliás na linha do que, já nos finais do século XIX e, principalmente,  princípios do século XX, outros historiadores, na Europa, faziam, ou tinham em conta.

 

Foi tendo em conta esta obra crítica que - de um momento para outro -, nos ocorreu a lembrança de voltarmos a ler o clássico livro de Orlando Ribeiro «Portugal, o Mediterrâneo e o Atlântico».

 

Só que a leitura foi iniciada numa casa e, quando surge o atual estado de  emergência, estávamos noutra casa.

 

Tentámos continuar a leitura desta obra e, para o efeito, vasculhámos na internet, a ver se a encontrávamos em formato digital.

 

Enquanto pesquisávamos, demos com este Documentário sobre, para nós, o maior geógrafo português:

 

ORLANDO RIBEIRO, ITINERÂNCIAS DE UM GEÓGRAFO

Deixamos aqui o Documentário para quem gostar de geografia e tiver paciência em o ver, de princípio ao fim.

 

A certa altura do Documentário, sensivelmente aos 9 minutos e 9 segundos, António Barreto, entrevistado, diz:

“Eu considero este livrinho Portugal, o Mediterrâneo e o Atlântico (1945), 

 uma verdadeira pérola da cultura portuguesa. É certamente um dos melhores livros de todo o século XX e um dos grandes livros da literatura portuguesa, científica ou não. Neste caso, científica.

É um livro maravilhosamente bem escrito, duma precisão, dum rigor, duma modéstia académica e universitária em que ele sugere, propõe, define.

Este livro deveria ser sempre, sempre lido nas escolas. Desde a escola básica à secundária.

É certamente um dos melhores livros de toda a literatura portuguesa”.

 

É a opinião de António Barreto à qual nós, sempre amante, desde tenra idade, da Geografia, partilhamos.

 

Por isso, na determinada vontade de continuar a ler «esta verdadeira pérola da cultura portuguesa», tanto vasculhámos que, a determinada altura, fomos dar com a 1ª edição da obra, publicada em 1945 pela Coimbra Editora, limitada, Coleção «Universitas», exemplar 801.

 

É, pois assim, este livro que, no Dia Mundial do Livro, recomendamos a sua leitura.

 

Mas as surpresas não ficaram por aqui – o termos encontrado a 1ª edição desta obra, de 1945.

 

Quando começámos a folheá-lo, nas primeiras páginas, antes do Prefácio do autor, deparamos com um poema-soneto do nosso poeta maior, Miguel Torga – MENSAGEM – que aqui reproduzimos:

 

Vinde à terra do vinho, deuses novos!

Vinde, porque é de mosto

O sorriso dos deuses e dos povos

Quando a verdade lhes deslumbra o rosto.

 

 

Houve olimpos onde houve mar e montes.

Onde a flor da amargura deu perfume.

Onde a concha da mão tirou das fontes

Uma frescura que sabia a lume.

 

 

Vinde, amados senhores da juventude!

Tendes aqui o louro da virtude,

A oliveira da paz e o lírio agreste…

 

 

E carvalhos e velhos castanheiros,

A cuja sombra um dormitar celeste

Pode fazer os sonhos verdadeiros.

Miguel Torga, Libertação, 1944

 

Demoramos alguns minutos a encontrar, para além de outras razões, o porquê de Orlando Ribeiro ter inserido este soneto no início desta 1ª edição da sua obra. E alvitramos que o fez acertadamente: pois nada melhor que a Poesia para fazer a síntese (ou a junção) entre a História e a Geografia, entre o Homem, a sua história, e o Local onde habita e vive.

 

22
Abr20

Poesia em tempos de desassossego - Hora Vermelha, Sebastião da Gama

 

POESIA EM TEMPOS DE DESASSOSSEGO

 

HORA VERMELHA

2013 - Trilho dos Moinhos (Serra da Arrábida) 1047a

Por que vieste, pensamento?
Já me bastava o Mar violento,
Já me bastava o Sol que ardia…
P’los meus sentidos escorria
não sei lá bem que seiva forte
que a carne toda me deixava
qual uma flor ou uma lava
num riso aberto contra a Morte.

Já me bastava tudo isto.
Mas tu vieste, pensamento,
e vieste duro, turbulento.
Vieste com formas e com sangue:
eretos seios de mulher,
as carnes róseas como frutos.

Boca rasgada num pedido
a que se quer e se não quer
dizer que não.
Os braços longos estendidos.
A mão em concha sobre o sexo
que nem a Vénus de Camões.

Aí!, pensamento,
deixa-me a calma da Poesia!
Aqui na praia só com ela,
virgem castíssima, sincera!…
Sua mão branca saberia
chamar cordeiro ao Mar violento,
Pôr meigo, meigo, o Sol que ardia.
Mas tu vieste, pensamento.
Tua nudez, que me obsidia,
logo, subtil, encheu de alento
velhos desejos recalcados,
beijos mordidos
antes de os ver a luz do Dia.

Vai-te depressa, pensamento!
Deixa-me a calma da Poesia.
Fique em minh’alma o só perfume
da cerca alegre de um convento.

Os meus sentidos embalados
numa suave melodia.
(Ah!, não nos quero desgrenhados
como quem volta de uma orgia).

E então meus lábios mais serenos
do que se orassem sobre um berço,
sorrindo à Vida,
sorrindo à Morte.
Ah!, não nos quero assim grosseiros,
ébrios, torcidos,
como depois de um vinho forte.

Sebastião da Gama, in 'Cabo da Boa Esperança'

19
Abr20

Poesia em tempos de desassossego - Ar Livre, Miguel Torga

 

POESIA EM TEMPOS DE DESASSOSEGO

 

AR LIVRE

hiking-top-of-mountain.pdf

Ar livre, que não respiro!
Ou são pela asfixia?
Miséria de cobardia
Que não arromba a janela
Da sala onde a fantasia
Estiola e fica amarela!

Ar livre, digo-vos eu!
Ou estamos nalgum museu
De manequins de cartão?
Abaixo! E ninguém se importe!
Antes o caos que a morte...
De par em par, pois então?!

Ar livre! Correntes de ar
Por toda a casa empestada!
(Vendavais na terra inteira,
A própria dor arejada,
- E nós nesta borralheira
De estufa calafetada!)

Ar livre! Que ninguém canta
Com a corda na garganta,
Tolhido da inspiração!
Ar livre, como se tem
Fora do ventre da mãe
Desligado do cordão!

Ar livre, sem restrições!
Ou há pulmões,
Ou não há!
Fechem as outras riquezas,
Mas tenham fartas as mesas
Do ar que a vida nos dá!

Miguel Torga, Cântico do Homem, 1950

PS - Este foi-me enviado pelo amigo Amério N. Peres

16
Abr20

Poesia em tempos de desassossego - Pelo sonho é que vamos, Sebastião da Gama

 

POESIA EM TEMPOS DE DESASSOSSEGO

 

PELO SONHO É QUE VAMOS

 

 

Como os (as) nossos(as) leitores(as) sabem, de vez em quando, neste blogue, publico um ou outro poema, acompanhado de uma imagem, de autores que mais nos «tocam».

 

Aqui há dias, uns amigos faziam-nos um desafio para trocarmos textos – em poesia ou em prosa – nestes tempos de desassossego.

 

Naquela altura, andávamos a ler um pequeno livrinho de Michel Onfray. E, uma das passagens, fez-nos refletir se efetivamente, como é vulgar ouvirmos, «uma imagem vale mais que mil palavras». Vejamos o excerto do texto:

 

"Apenas a experiência escrita permite dar conta da totalidade dos nossos sentidos. Os outros suportes sofrem de indigência face aos seus concorrentes: a aguarela, o desenho e a fotografia apreendem o real numa das suas modalidades - a cor, a linha o traço, o desenho,  a imagem -, nunca na íntegra.

O poema, como quinta-essência do texto, mas também a prosa, podem, pelo contrário, convocar e apreender o odor do jasmim num jardim oriental, o reflexo da luz de uma cidade nas águas de um rio, a temperatura morna de uma floresta tropical saturada dos perfumes provenientes da terra, do húmus e das folhas em decomposição, o murmurejar de um riacho dissimulado pela atmosfera quente e húmida daquele lugar. Apenas o verbo circunscreve os cinco sentidos, e muitos outros. O trajeto faz-se das coisas às palavras, da vida ao texto, da viagem ao verbo, de si a si. Na operação que nos conduz do universo infinito à sua fórmula pontual e momentaneamente acabada sintetizam-se os fragmentos de memória transfigurados em recordações cintilantes".

Michel Onfray, in «Teoria da Viagem - Uma poética da Geografia»

 

É uma pura verdade! Passamos tempos infindos à procura de uma imagem que procure resumir – encontrar a «quinta essência» - do que vertemos num poema. E a sensação com que sempre ficamos é que a imagem não abrange, nem de longe nem de perto, o seu conteúdo.

 

Muito embora saibamos desta incompletude, porque amantes da fotografia, continuaremos a fazer acompanhar cada poema que partilhamos com uma imagem, como forma de dar a conhecer aos(ás) nossos(as) leitores(as) a imagem que, para nós, a escrita vertida, mais nos sugeriu.

 

Feito o esclarecimento, aqui fica o poema de hoje.

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Pelo sonho é que vamos,

comovidos e mudos.

 

Chegamos? Não chegamos?

Haja ou não haja frutos,

pelo sonho é que vamos.

 

Basta a fé no que temos.

Basta a esperança naquilo

que talvez não teremos.

Basta que a alma demos,

com a mesma alegria,

ao que desconhecemos

e ao que é do dia a dia.

 

Chegamos? Não chegamos?

– Partimos. Vamos. Somos.

 

Sebastião da Gama, in Pelo Sonho é que Vamos (1953)

12
Abr20

Versejando com imagem - Refúgio, Miguel Torga

 

VERSEJANDO COM IMAGEM

 

REFÚGIO

2013 - Trilho dos Moinhos (Serra da Arrábida) 1009

«Sozinho a ouvir o mar, que não diz nada.

Férias do mundo e de quem lá anda.

Concha de ouriço, mas desabitada,

Aberta no lençol da areia branda.

Não se lembrem de mim esta semana!

Matem o Cristo, e ele que ressuscite!

Eu, nesta angústia humana ou desumana,

Quero apenas que o sono me visite.»

Arrábida, Páscoa de 1952, Miguel Torga

05
Abr20

Versejando com imagem - Ternura, David Mourão-Ferreira

 

VERSEJANDO COM IMAGEM

 

TERNURA

 

FB_IMG_1579601008886

 

Desvio dos teus ombros o lençol,

que é feito de ternura amarrotada,

da frescura que vem depois do sol,

quando depois do sol não vem mais nada...

 

Olho a roupa no chão: que tempestade!

Há restos de ternura pelo meio,

como vultos perdidos na cidade

onde uma tempestade sobreveio...

 

Começas a vestir-te, lentamente,

e é ternura também que vou vestindo,

para enfrentar lá fora aquela gente

que da nossa ternura anda sorrindo...

 

Mas ninguém sonha a pressa com que nós

a despimos assim que estamos sós!

 

David Mourão-Ferreira, in "Infinito Pessoal"

03
Abr20

Palavras Soltas - Ibéria - Terra de Sanchos e D. Quixotes

 

PALAVRAS SOLTAS

 

IBÉRIA - TERRA DE SANCHOS E D. QUIXOTES

01.- 2020.- Ponte Porqueira+Ponteliñares (A Limia-Galiza) (101)

Para a reportagem das Torres da Límia, a 10 de fevereiro passado, fomos até à Porqueira, no vale da Baixa Límia, onde se encontra a Torre com o mesmo nome (ou da Forxa).

 

Para além do nosso inseparável amigo, nestes périplos pela Ibéria galega, acompanhou-nos, desta vez, sua mulher, Délia, e uma amiga fotógrafa, Anxo.

 

A Torre da Porqueira (ou da Forxa) fica na povoação/sede do concello da Porqueira, no lugar da Forxa.

 

Trata-se de um concello pequeno, com 6 parroquias e, segundo os Censos do INE e IGE (Institutos de Estatística de Espanha e da Galiza), em 2014, possuía 931 habitantes.

02.- 2020.- Ponte Porqueira+Ponteliñares (A Limia-Galiza) (1)

Nesta povoação/sede de concello, destaca-se o seu casario típico, rural,

03.- 2020.- Ponte Porqueira+Ponteliñares (A Limia-Galiza) (19)

(Ângulo I)

03a.- 2020.- Ponte Porqueira+Ponteliñares (A Limia-Galiza) (11)

(Ângulo II)

mas velho,

04.- 2020.- Ponte Porqueira+Ponteliñares (A Limia-Galiza) (21)

(Aspeto I)

05.- 2020.- Ponte Porqueira+Ponteliñares (A Limia-Galiza) (20)

(Aspeto II)

e algumas casas em ruínas.

06.- 2020.- Ponte Porqueira+Ponteliñares (A Limia-Galiza) (30)

(Aspeto I)

07.- 2020.- Ponte Porqueira+Ponteliñares (A Limia-Galiza) (77)

(Aspeto II)

Mas, para além da sua Torre, o que mais se evidencia são os seus «hórreos» (espigueiros)

08.- 2020.- Ponte Porqueira+Ponteliñares (A Limia-Galiza) (6)

(Cenário I)

09.- 2020.- Ponte Porqueira+Ponteliñares (A Limia-Galiza) (7)

(Cenário II)

10.- 2020.- Ponte Porqueira+Ponteliñares (A Limia-Galiza) (8)

(Cenário III)

11.- 2020.- Ponte Porqueira+Ponteliñares (A Limia-Galiza) (13)

(Cenário IV)

12.- 2020.- Ponte Porqueira+Ponteliñares (A Limia-Galiza) (15)

(Cenário V)

Não deixámos de contemplar este exemplar, rodeado das couves, ditas galegas.

13.- 2020.- Ponte Porqueira+Ponteliñares (A Limia-Galiza) (5)

Depois de termos passado uns momentos nesta «aira» (eira) de espigueiros, dirigimo-nos para a Torre, no Cimo do Povo.

14.- 2020.- Ponte Porqueira+Ponteliñares (A Limia-Galiza) (37)

Enquanto efetuávamos o pequeno percurso, à nossa direita, apresentava-se-nos a Igreja Matriz, a uns metros de distância.

15.- 2020.- Ponte Porqueira+Ponteliñares (A Limia-Galiza) (42)

Aproximámo-nos.

16.- 2020.- Ponte Porqueira+Ponteliñares (A Limia-Galiza) (41)

Apenas conseguimos obter imagem de parte da sua fachada principal

17.- 2020.- Ponte Porqueira+Ponteliñares (A Limia-Galiza) (25)

e da fachada de um edifício contíguo que supomos ser a residência paroquial (Rectoral),

18.- 2020.- Ponte Porqueira+Ponteliñares (A Limia-Galiza) (28)

bem assim, ao redor do adro da Igreja, no seu «Campo Santo» (cemitério), este enorme mausoléu.

19.- 2020.- Ponte Porqueira+Ponteliñares (A Limia-Galiza) (23)

Até que nos aproximámos do lugar da Forxa, onde se localiza uma das mais faladas (e preservadas) Torres da Límia.

20.- 2020.- Ponte Porqueira+Ponteliñares (A Limia-Galiza) (48)

Subimos até à plataforma onde a Torre se ergue,

21.- 2020.- Ponte Porqueira+Ponteliñares (A Limia-Galiza) (67)

observando-a pelos seus diferentes ângulos. Aqui se apresentam quatro.

22.- 2020.- Ponte Porqueira+Ponteliñares (A Limia-Galiza) (64)

(Ângulo I)

23.-2020.- Ponte Porqueira+Ponteliñares (A Limia-Galiza) (68)

(Ângulo II)

24.- 2020.- Ponte Porqueira+Ponteliñares (A Limia-Galiza) GOPRO (5)

(Ângulo III)

25.- 2020.- Ponte Porqueira+Ponteliñares (A Limia-Galiza) GOPRO (17)

(Ângulo IV)

Do alto da plataforma em que a Torre assenta, eis os panoramas que se observam para a veiga (chaira) da Límia, em conjunto com o casario do Cimo do Povo da Porqueira.

26.- 2020.- Ponte Porqueira+Ponteliñares (A Limia-Galiza) GOPRO (20)

(Panorama I)

27.- 2020.- Ponte Porqueira+Ponteliñares (A Limia-Galiza) (71)

(Panorama II)

28.- 2020.- Ponte Porqueira+Ponteliñares (A Limia-Galiza) (59)

(Panorama III)

29.- 2020.- Ponte Porqueira+Ponteliñares (A Limia-Galiza) (63)

(Panorama IV)

Aqui e ali vão-se reconstruindo as casas: umas, para habitação própria;

30.- 2020.- Ponte Porqueira+Ponteliñares (A Limia-Galiza) (122)

outras, para turismo rural.

31.- 2020.- Ponte Porqueira+Ponteliñares (A Limia-Galiza) (50)

Enquanto as senhoras desciam para o Fundo do Povo, nós, passando por uma velha capelinha

32.- 2020.- Ponte Porqueira+Ponteliñares (A Limia-Galiza) (75)

e por mais edifícios em ruínas,

33.- 2020.- Ponte Porqueira+Ponteliñares (A Limia-Galiza) (123)

(Edifício I)

34.- 2020.- Ponte Porqueira+Ponteliñares (A Limia-Galiza) (124)

(Edifício II)

procurámos ir ver os soutos

35.- 2020.- Ponte Porqueira+Ponteliñares (A Limia-Galiza) (92)

(Perspetiva I)

35a.- 2020.- Ponte Porqueira+Ponteliñares (A Limia-Galiza) (120)

(Perspetiva II)

e depois dirigirmo-nos às cascatas da Fírbeda.

36.- 2020.- Ponte Porqueira+Ponteliñares (A Limia-Galiza) (93)

Pablo, curioso com a cena que via à sua frente,

37.- 2020.- Ponte Porqueira+Ponteliñares (A Limia-Galiza) (96)

meteu souto foro e, amigo que é de dar dois dedos de conversa, dirigiu-se a este «Tio», que, expectante, já esperava por ele.

38.- 2020.- Ponte Porqueira+Ponteliñares (A Limia-Galiza) (98)

Deixamos aqui como testemunho, três momentos da conversa havida entre o amigo Pablo e o «Tio limiano». O senhor bem disse o seu nome, mas, para aqueles, como nós, que não estamos habituados a ouvir e lidar com nome tão estranho, não nos ficou na memória; por isso, vamos passar a tratá-lo por «Tio limiano».

39.- 2020.- Ponte Porqueira+Ponteliñares (A Limia-Galiza) (110)

(Momento I)

40.- 2020.- Ponte Porqueira+Ponteliñares (A Limia-Galiza) (111)

(Momento II)

41.- 2020.- Ponte Porqueira+Ponteliñares (A Limia-Galiza) (114)

(Momento III)

Afinal, que de especial teve (ou tem) este senhor e a sua conversa para aportarmos este encontro e deixarmos de ir às cascatas?

 

É muito simples. «Tio limiano» é um maior (ancião) de 101 anos. Como se vê, ainda «fresco»! Apenas vai para casa para comer as suas refeições e dormir. Quanto ao restante tempo, ocupa-o nas suas propriedades. Nunca tem paragem, dizia-nos depois um dos seus sobrinhos. E, mesmo quando não tem que fazer nas terras, não fica em casa – dá a volta ao termo da aldeia.

 

Fomos dar com ele, debaixo daquela frágil estrutura, a plantar kiwis machos, que um seu amigo de Xinzo lhe tinha dado.

 

Andar pelas terras e cuidar delas é o que mais gosta. É o seu maior prazer. No meio da natureza sente-se o homem mais feliz do mundo!

 

Despedimo-nos do «Tio limiano».

42.- 2020.- Ponte Porqueira+Ponteliñares (A Limia-Galiza) (116)

E as cascatas lá terão de ficar para uma outra ocasião…

 

A atitude e o exemplo deste «maior» deixou-nos a pensar.

 

E, ao chegarmos a casa, de imediato, veio-nos à lembrança um texto aqui postado neste blogue a 4 de fevereiro de 2013, sob o título «Entre «os Poemas Ibéricos (de Torga) e a «Mensagem» (de Pessoa) – Ao encontro de um Portugal com os pés bem assentes na terra».

 

Deixemos aqui, ma vez mais, as palavras que, face à postura e atitude do «Tio limiano», mais nos prenderam.

 

Miguel Torga afirmava que a Ibéria é um corpo magro, pobre, «saibroso e franciscano». Mas materno, a que os seus filhos que mamaram nas suas tetas de pedra devem fidelidade eterna.

 

Somos humildes filhos de uma mãe rude e pobre, a Ibéria, mas dotada de uma grandeza de que nos devemos orgulhar. É ao seu apelo que devemos acudir, não ao do mar, qual sereia traiçoeira. Por isso, Torga exorta Sancho a que regresse ao seu arado.

 

O último poema do livro «Poemas Ibéricos» termina assim:

Venha o Sancho da lança e do arado

E a Dulcineia terá, vivo a seu lado,

O senhor D. Quixote verdadeiro!

 

Para o nosso grande poeta transmontano, M. Torga, o verdadeiro herói é o Sancho, o humilde herói coletivo da luta do quotidiano da vida contra a morte.

 

Partir é sempre perder-se de si próprio. Optar pelo «barco» é ser infiel à raiz.

 

Fernando Pessoa é sempre pelo «barco» contra a raiz. Mas Pessoa explica, depois em prosa, o que queria dizer com a sua mensagem na «Mensagem», ou seja, que os portugueses se afirmassem no presente de uma forma que fosse equivalente das Descobertas do passado. Não apenas no domínio do ser, não do ter.Como então. Por isso, incita os seus concidadãos a reencontrarem-se em «Nós, Portugal, o poder ser».

 

Face ao tempo dramático por que passamos, deixamos aqui, mais uma vez, a reflexão que, já em 2013, deixámos postada:

 

Na miragem do cravo e da canela e de outras índias e oiro de outros brasis, fomo-nos esquecendo da lição dos dois grandes mestres da nossa portugalidade, de ser português: sonhar com os pés bem assentes na terra, no nosso terrunho, recuperando, «com o arado em punho, a terra que, pelo nosso descuido, incúria e negligência, nos está sendo «roubada» e desenvolvendo, todos, toda ela – do mar à montanha; da planície ao planalto; do norte ao sul; do litoral ao interior. Numa nova gesta que nos faça, de novo, dignos do nobre nome que, ao longo dos tempos, nossos antepassados tão bem sonharam, erguendo e preservando – Portugal.

 

«Tio limiano», nascido no mesmo berço da mesma Ibéria a que pertencemos, tendo em conta a evolução dos tempos, deve servir-nos de guia e exemplo – de amor ao terrunho onde nascemos, cuidando carinhosamente dele…

 

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