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zassu

05
Dez17

Poesia e Arte 66

 

 

POESIA E ARTE  

 

POEMAS NOS DIÁRIOS DE MIGUEL TORGA

 

 

DESPERTAR


Mundo sonhado,
Paraíso de um fauno adormecido.
A lembrá-lo, acordado,
A dor que sinto de o ter perdido!


Coimbra, 7 de Julho de 1982

Barberini_Faun__Glyptothek_Munich.jpg

 (Barberini Faun - Glyptothek Munich)

04
Dez17

Poesia e Fotografia 526

 

 

POESIA E FOTOGRAFIA

 

POEMAS NOS DIÁRIOS DE MIGUEL TORGA

 

 

META


Falta-me ainda um verso.
O mais rebelde, lírico e sincero.
Um verso exacto, que não desespero
De cantar um dia.
Um verso de magia
E de verdade.
Um verso que na sua brevidade
Iluminada
Seja a eterna alvorada
Da minha humanidade.


Coimbra, 21 de Maio de 1982

oração-do-amanhecer-min.png

03
Dez17

Poesia e Arte 65

 

 

POESIA E ARTE

 

POEMAS NOS DIÁRIOS DE MIGUEL TORGA

 

 

VIÁTICO


Levarei um poema.
Não quero outra bagagem.
E com ele pagarei
A passagem
Na barca de Caronte.
Um poema que conte,
Sem contar,
O derradeiro olhar
Que der ao mundo.
Um soluço de luz, paralisado
No fundo
Da retina.
Um relance de pânico, cantado
Por quem já desde a infância o imagina.

 

Coimbra, 20 de Maio de 1982

La barca de Caronte- Por Jose Benlliure Gil.jpg

(A barca de Caronte - Por Jose Benlliure Gil)

 

02
Dez17

Poesia e Arte 64

 

 

POESIA E ARTE

 

POEMAS NOS DIÁRIOS DE MIGUEL TORGA

 

 

MAGNIFICAT


Ai, vida!
Quanto mais me magoa, mais a canto.
Mais exalto este espanto
De viver.
Estre absurdo humano,
Quotidiano,
Dum poeta cansado
De sofrer,
E a fazer versos como um namorado,
Sem namorada que lhos queira ler.


Cego de luz, e sempre a olhar o sol
Num aturdido
Deslumbramento.
Cada breve momento
Recebido
Como um dom concedido
Que se não merece.
Ai, a vida!
Como dói ser vivida,
E como a própria dor a quer e agradece.


Coimbra, 28 de Novembro de 1981

Bruce Herman  - Second Adam Younger Mary lrg.jpg

(Bruce Herman - Second Adam Younger Mary lrg.)

01
Dez17

Poesia e Arte 63

 

 

POESIA E ARTE

 

POEMAS NOS DIÁRIOS DE MIGUEL TORGA

 

TENTAÇÃO


Vénus lançada a praia pelo mar inquieto,
Inquietas os meus olhos, sátiros cansados.
Vem de ti uma luz que o sol não tem,
E sozinha povoas o areal.
Que me queres, nesta idade sonolenta
Dos sentidos?
Lembrar-me e convidar-me a renegar
Os desejos despidos?
Como se algum poeta se esquecesse
E arrependesse
Dos antigos pecados cometidos!


Praia de Pedrógão, 22 de Agosto de 1981

William-Adolphe_Bouguereau_(1825-1905)_-_The_Birth

 (William Adolphe Bouguereau (1825-1905) - O nascimento de Venus [1879])

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