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zassu

31
Ago17

Poesia e Arte 54

 

 

POESIA E ARTE

 

POEMAS NOS DIÁRIOS DE MIGUEL TORGA

 

JOSUÉ


Ainda te recordo, voz de pedra,
Tão dura, que doías nos ouvidos.
Dizias que fizesse,
Pudesse ou não pudesse,
Os dias de peleja mais compridos.


Assim foi, assim é, e assim será.
Só não sei que batalha
Desta vida
Queres que leve vencida
Na mortalha...


São Martinho de Anta, 15 de Maio de 1972

detalhe dos profetas Josue e Daniel.JPG

 (Congonhas/Brasil - Escultura de Josué, do "Aleijadinho")

30
Ago17

Poesia e Fotografia 444

 

 

POESIA E FOTOGRAFIA

 

POEMAS NOS DIÁRIOS DE MIGUEL TORGA 

 

INTENÇÃO


Leio-te alguns poemas.
Timidamente vou abrindo os versos
No silêncio da noite,
Como se confessasse
Culpas imperdoáveis
A um severo juiz
Que nenhum réu ilude.
Tento aquecê-los
E reconhecê-los
Na tua juventude...


Coimbra, 29 de Dezembro de 1971

FB_IMG_1485384987017.jpg

 

29
Ago17

Poesia e Fotografia 443

 

 

 

 

POESIA E FOTOGRAFIA

 

POEMAS NOS DIÁRIOS DE MIGUEL TORGA

 

MANHÃ


Largo sorriso da terra
A festejar o sol nado;
Um arado
Aguça a ponta do ferro
Na luz macia,
Antes de começar o dia
De trabalho;
Por um atalho,
Vestido de lã churra,
Rola um rebanho, à frente
Do pastor paciente
Que o empurra.


Miuzela, 7 de Novembro de 1971

971073_10202131001462548_596617567_n.jpg

29
Ago17

Poesia e Fotografia 442

 

 

POESIA E FOTOGRAFIA

 

POEMAS NOS DIÁRIOS DE MIGUEL TORGA

 

VIBRATO


Eis, finalmente, os frutos prometidos
Nas flores de primavera!
Nenhuma condição mais desesperada
De viver.
A fome, agora, pode ser sincera:
Sempre que lhe apeteça, é só colher.


Mãe natureza;
Farto no teu regaço,
Quem não há-de cantar
De lírica e frenética alegria,
Se tiver voz ou asas de vibrar,
Se for poeta ou bicho de poesia?


S. Martinho de Anta, 1 de Setembro de 1971

207.- Anos Angélica (Quinta Barroca-Amares) (140)

27
Ago17

Poesia e Fotografia 441

 

 

POESIA E FOTOGRAFIA

 

POEMAS NOS DIÁRIOS DE MIGUEL TORGA

 

ENTRE A CAPELA E O RIO


Entre a capela e o rio,
Indecisa, a poesia...
Vaguear na corrente?
Sonhar num capitel?
Ou manter-se fiel
Aos dois acenos:
à paz e à inquietação,
À inércia e ao movimento,
Sem ir e sem ficar?
Vela
De moinho de vento,
Presa ao chão, a voar...


S. Pedro das Águias, Távora, 9 de Maio de 1971

54231173.jpg

26
Ago17

Poesia e Fotografia 440

 

 

POESIA E FOTOGRAFIA

 

POEMAS NOS DIÁRIOS DE MIGUEL TORGA

 

SAUDADE


Não digas,
Não acenes,
Não te lembres.
Que se mantenha mudo, hirto e sem memória
O nosso adeus eterno
E que o poeta, do seu negro inferno,
Cante como puder
A trágica aventura de encontrar
E perder, a sonhar,
O teu aberto corpo de mulher.


Coimbra, 26 de Março de 1971

FB_IMG_1483720278243.jpg

25
Ago17

Poesia e Fotografia 439

 

 

POESIA E FOTOGRAFIA

 

POEMAS NOS DIÁRIOS DE MIGUEL TORGA

 

NATAL


Natal divino ao rés-do-chão humano,
Sem um anjo a cantar a cada ouvido.
Encolhido
À lareira,
Ao que pergunto
Respondo
Com as achas que vou pondo
Na fogueira.


O mito apenas velado
Como um cadáver
Familiar...
E neve, neve a cair
De triste melancolia
Os caminhos onde um dia
Vi os Magos a galopar...


S. Martinho de Anta, 24 de Dezembro de 1970

snowfall-wallpaper-HD2.jpg

24
Ago17

Poesia e Fotografia 438

 

 

POESIA E FOTOGRAFIA

 

POEMAS NOS DIÁRIOS DE MIGUEL TORGA

 

ECO


Ah, terra transmontana
Que não tem um cantor à tua altura!
Um Marão inspirado,
Um Doiro Inquieto,
Um plaino aberto
De carne e osso,
Capas de recriar noutra verdade
Essa grandeza austera,
Onde as pedras parecem ter vontade,
E nenhuma vontade desesperada.


S. Martinho de Anta, 18 de Setembro de 1970

207.- Anos Angélica (Quinta Barroca-Amares) (135)

23
Ago17

Poesia e Fotografia 437

 

 

POESIA E FOTOGRAFIA

 

POEMAS NOS DIÁRIOS DE MIGUEL TORGA

 

GÉNESIS


Ah, beleza encontrada
Deste painel de montes, céu e água,
Que o acaso pintou
Com cega brutalidade,
E deixou
Na pura exatidão que exige a eternidade!

 

 

Gerês, 12 de Setembro de 1970

DSC_0072.jpg

22
Ago17

Poesia e Fotografia 436

 

 

POESIA E FOTOGRAFIA

 

POEMAS NOS DIÁRIOS DE MIGUEL TORGA

 

CRUCIFIXO


Havia, como vês, lugar no mundo
Para um Deus ter paz de ser humano,
E aqui te vejo, belo e repousado
- Chegado
Brumosamente
Do Sul ardente
Ou do gelo do Norte
Deitado em pé na sepultura erguida,
Nem vexado na morte,
Nem descrente na vida.


Perpinhão, 7 de Setembro de 1970

Cristo_crucificado.jpg

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