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zassu

29
Jun17

Poesia e Fotografia 394

 

 

POESIA E FOTOGRAFIA
 
POEMAS NOS DIÁRIOS DE MIGUEL TORGA

 

MÁGICA


Lírica tarde, oculta
No trivial.
Um retalho do céu emoldurado
No caixilho dos olhos,
Um carro de ciganos, lento e majestoso,
Alheio ao frenesim do trânsito da rua,
Um verso recordado
À memória esquecida...
São assim os poetas.
Cobrem as horas de nudez de vida
Dum largo manto de emoções secretas.


Coimbra, 1 de Fevereiro de 1966

1325598699952.jpg

29
Jun17

Poesia e Fotografia 393

 

 

POESIA E FOTOGRAFIA
 
POEMAS NOS DIÁRIOS DE MIGUEL TORGA

 

UIVO


Brancura de alma na serra
Nupcial, toda branca...
Que mão sinistra me arranca
Deste chão fofo de paz?
Ah! vida, que me não dás
Os mundos que me revelas!
Só no outro me consentes
Desterrado, a suspirar
Por cimos alvinitentes
Onde não posso morar...


Piódão, Portas de São Pedro, 8 de Dezembro de 1965

img106_opt.jpg

27
Jun17

Poesia e Fotografia 392

 

 

POESIA E FOTOGRAFIA
 
POEMAS NOS DIÁRIOS DE MIGUEL TORGA

 

SERÃO


Lento, o poema
Vai ardendo e abrindo
Na fogueira.
E ponho-me a cantá-lo,
Sonolento:
Lume alentejano
De lenha de azinho;
Calor do calor...
O sol da charneca,
Depois de ser tronco,
Depois de ser rama,
Depois de cortado,
Depois de secar
À própria torreira,
Ainda a brilhar
No céu da lareira!


Monforte do Alentejo, 30 de Novembro de 1965

2432974.jpg

27
Jun17

Poesia e Fotografia - 391

 

 

POESIA E FOTOGRAFIA
 
POEMAS NOS DIÁRIOS DE MIGUEL TORGA

 

CAUDAL


Ergo a voz no silêncio hostil do mundo,
Como um galo que canta a horas mortas.
Nem me posso calar,
Nem posso amortecer
A força que faz dela um desafio.
A fonte brota, e tem logo ao nascer
O ímpeto de um rio.


E o rio não tem foz dentro de mim.
Some-se às vezes, não sei como e onde,
Mas reaparece.
E retoma de novo o curso desabrido,
Mais largo, mais barrento
E violento
E sem que eu lhe descubras o íntimo sentido.


Coimbra, 5 de Novembro de 1965

agua.jpg

26
Jun17

Poesia e Fotografia 390

 

 

POESIA E FOTOGRAFIA

 

POEMAS NOS DIÁRIOS DE MIGUEL TORGA

 

UM POEMA


Um poema, poeta!
É o que a vida te pede.
A fome diligente
Colhe
E recolhe
Os frutos e a semente
Doutros frutos.
Junta à fecundidade
Da natureza
Os frutos da beleza...
Versos grados e doces
Na festa do pomar!
Versos, como se fosses
Mais um ramo, a vergar.


S. Martinho de Anta, 28 de Setembro de 1965

calendario_agricola_pomar.jpg

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