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zassu

15
Nov16

Poesia e Fotografia 342

 

 

POESIA E FOTOGRAFIA
 
POEMAS NOS DIÁRIOS DE MIGUEL TORGA

 

CONTRIÇÃO


Semearam meus pais, e eu nasci.
Assim começa a vida.
Mas havia tal força na semente.
Que tenho em mim, crescida,
Uma seara ausente.


Sou muitos sonhos juntos.
E a multidão num só, é sempre um sinal certo
De eleição...
Ah, a mísera traição
Do meu caminho nunca descoberto!


Coimbra, 11 de Junho de 1959

 

P5020712.jpg

14
Nov16

Poesia e Fotogtafia 341

 

 

POESIA E FOTOGRAFIA
 
POEMAS NOS DIÁRIOS DE MIGUEL TORGA

 

NENÚFAR


Podes ser tu, poema...
Qualquer pureza justifica o lodo...
Sol dormente no seio da negrura.
Vem à tona de mim, pele de brancura,
Abre as asas de luz, cobre-me todo!


Que o próprio céu descrente,
Com seu olhar azul,
Veja o milagre de uma folha alada
Pousada
Num paul...


Coimbra, 11 de Abril de 1959

AAA_9493

13
Nov16

Poesia e Fotografia 340

 

 

POESIA E FOTOGRAFIA
 
POEMAS NOS DIÁRIOS DE MIGUEL TORGA

 

NATIVIDADE


Arde no coração da noite
A ritual fogueira que anuncia
O eterno milagre
Do nascimento.
Batida pelo vento,
Que da cinza das brasas faz semente,
É um sol sem firmamento,
Diretamente
Aceso
E preso
À terra
Por mãos humanas.
De raízes profanas,
Lume de vida a bafejar a vida,
O seu calor aquece
A única certeza que merece
Ser esquecida...

Vila Cova, 24 de Dezembro de 1958

Lenha-na-fogueira.jpg

12
Nov16

Poesia e Fotografia 339

 

 

POESIA E FOTOGRAFIA
 
POEMAS NOS DIÁRIOS DE MIGUEL TORGA

 

MEDIDA


Jogo contra o destino.
Cada minuto, cada desafio.
Livre neste baldio
Da liberdade humana,
Arrisco a consciência dos meus atos
Na roleta da sorte.
O triunfo e a derrota não me importam.
Nenhum triunfo vale o sol que o doira,
E nenhuma derrota o é na morte
Que temos certa.
Quero apenas fazer a descoberta
Do que posso e não posso,
Sem poder nada.
Aprendo a conhecer o meu tamanho
Pela maneira como perco ou ganho.


Coimbra, 9 de Dezembro de 1958

roleta.jpg

11
Nov16

338 - Poesia e Fotografia

 

 

POESIA E FOTOGRAFIA
 
POEMAS NOS DIÁRIOS DE MIGUEL TORGA

 

FLOR PRESERVADA


Colho, maravilhado,
A flor do teu sorriso;
E tudo à minha volta
Se transfigura:
O céu é um mar azul onde navegam aves;
E as montanhas, suaves
Ondulações
Do grande berço maternal do mundo.
Perturbado,
Confundo
As sensações;
E apenas sei que a vara de condão
É o sol de pétalas que me aquece a mão.


Filha:
Os poetas são loucos.
E poucos
Acreditam
Que a loucura
É o dom do eterno em cada criatura.
Mas neste testemunho comovido,
Neste poema erguido
Sobre a campa das horas
Como um facho de luz inconformada,
Terás, intacta, pela vida fora
A rosa da inocência que és agora.


Coimbra, 16 de Outubro de 1958

P5020471.jpg

Pág. 2/2

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