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zassu

06
Jan16

Poesia e Fotografia 216

 

POESIA E FOTOGRAFIA

 

POEMAS NOS DIÁRIOS DE MIGUEL TORGA

 

PESADELO


Saio da noite como da cadeia.
Eis-me de novo à luz da liberdade!
Toda a terra me quer e me rodeia,
E acena-me a brancura da cidade.


Mas são tantos caminhos e ruelas,
Tanto trabalho e tanta obrigação,
Que fecho por momentos as janelas
A recordar os sonhos da prisão.


Coimbra, 6 de Janeiro de 1951

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05
Jan16

O Senhor Reitor de São Pedro de Agostém

 

 

O «SENHOR REITOR» DE SÃO PEDRO DE AGOSTÉM

 

Lau.jpg

Nesta quadra do ano estamos mais propensos a vivências do que a discursos. E, tratando-se de um período em que se celebra a Família, estamos mais propensos a extravasar sentimentos do que a exprimir racionalidades.


Somos, como os leitores sabem, um empedernido transmontano do sul e, uma vez por outra, num blog parceiro, que dá pelo nome de «CHAVES», usamos a voz do tio Nona para falar das questões que o preocupam quanto a um duriense de gema que adotou Chaves (e o seu concelho) como a sua terra de coração.

 

Meu primo, Augusto Santos Zassu, teve a amabilidade de nos deixar entrar nesta ocasião no seu blog para lembrar aos leitores uma efeméride, tendo-o feito com visível agrado. Aqui, pois, lhe deixamos o nosso agradecimento.


Mas hoje, e aqui, não vamos falar do tio Nona, das suas reflexões, quezílias ou controvérsias.


Porque estamos numa quadra toda ela dedicada à Família e ao(s) seu(s) encontros(s), queríamos aqui falar da nossa. E regozijar-nos com a celebração do 50 anos de casamento de meus progenitores que, no passado dia 19, concitou o encontro, no coração do Douro, do ramo da família imigrada, flaviense, mais chegada, que desceu até às paragens do rio, veia-cava transmontana, na expressiva frase torguiana, que os viu nascer quando passa no Granjão.


E não podíamos deixar passar este ano sem falar de um outro tio - o Lau: é assim como carinhosamente o tratamos em família.


De seu nome completo, Ladislau José de Sousa e Silva, nasceu a 3 de julho de 1936, no lugar da Portela, paróquia de Santa Maria de Oliveira, (freguesia de Oliveira), concelho de Mesão Frio, distrito de Vila Real.


A circunstância de ter sido o melhor aluno do seu concelho no exame da 4ª classe, deu-lhe direito a um «passaporte» para ir estudar para o Seminário Diocesano de Vila Real para ser padre. O seu pároco de altura, Manuel Joaquim Alves do Forno, esteve na origem desta façanha quando incita seu pai, modesto, mas habilidoso alfaiate de aldeia, com curso tirado nos melhores mestres de Lisboa, a ceder a tal desígnio, sabendo dos enormes esforços financeiros - e por que não dizê-lo - privações, que a educação do seu «pupilo» lhe acarretaria.


Quando lhe faltava um ano para completar o curso de teologia, seu pai falece. Sua mãe, ainda jovem, ficou nos braços com dois «catraios»: um, uma menina de três anos; o outro, um rapaz de seis, para criar.


O espírito de interajuda familiar levou a que um outro irmão, mais novo, funcionário da Casa do Povo da freguesia, mas menor de idade, juntamente com sua mãe, tomasse a seu encarrego a criação e educação dos «catraios» até que o irmão seminarista se ordenasse sacerdote.


Terminado o curso, e não tendo ainda idade para receber a Ordem Maior - a de presbítero - o (tio) Lau vai para Beja. Aí desempenha a função de chanceler da Câmara Eclesiástica; é secretário particular do bispo da diocese, D. José do Patrocínio Dias, o Bispo Soldado, por ter sido o Diretor dos capelães na Grande Guerra, nas trincheiras da Flandres francesa, e acompanha o Bispo Auxiliar, seu conterrâneo de uma das freguesias de Lamego, D. António Cardoso Cunha, nas visitas pastorais na diocese de Beja.


Ordenado presbítero, continua ainda na diocese de Beja, desempenhando as anteriores funções e acumulando com as de professor, de pároco na paróquia de São Matias e de diretor dos Movimentos dos Cursos de Cristandade.


Após uma permanência em Beja, que não atinge os quatro anos, é chamado pelo bispo de Vila Real, D. António Valente da Fonseca, para a sua diocese a fim de, como diretor, ficar à frente dos Movimentos dos Cursos de Cristandade.


Ao casar-se seu irmão que, com sua mãe, tinha a seu encargo os dois «catraios» de sua mãe, seus irmãos mais novos, pede ao seu bispo para que lhe seja dada uma paróquia para nela exercer o múnus sacerdotal.


Em julho de 1965, o (tio) Lau entra em São Pedro de Agostém como pároco, substituindo o seu anterior - Leonardo Augusto Nina Coelho - cuja saúde se encontrava muito precária. Acompanharam-no, nesta nova fase da sua vida, sua mãe e seus dois irmãos mais novos, os «catraios» de sua mãe, agora seus pupilos.


Cumpriram-se, pois, em julho deste ano, 50 anos com o (tio) Lau à frente da paróquia de São Pedro de Agostém e 38 da de Vilela do Tâmega. Trata-se do caso de maior longevidade de um pároco da diocese de Vila Real à frente de uma paróquia.


São Pedro de Agostém foi para o (tio) Lau a sua escola de vida. Aí viu nascer várias gerações de pupilos; aí os batizou; aí os preparou para a vida da fé (católica), assistindo-lhes à Primeira Comunhão, Comunhão Solene e Crisma; aí, a grande parte deles, presidiu ao seu casamento; aí, infelizmente, segundo a lei da vida, os viu partir, encomendando-os ao Pai e entregando-os à Terra-Mãe, donde todos nós provimos.


Mais que uma escola de vida, São Pedro de Agostém (e, em certa medida, Vilela do Tâmega) foi a universidade da qual ele foi o seu «Reitor». Sem títulos académicos sonantes ou qualquer atribuição clerical especial na administração da igreja diocesana. Por essas «honrarias» pouca se batia ou bate. Foi e é simplesmente um padre, pai e educador. Que marcou uma série de gerações com a sua ação educativa e pastoral, deixando marcas indeléveis no percurso de vida de muitos deles - seus pupilos não só de coração como nos de sangue - os dois «catraios» de sua saudosa mãe, Elisa.


Daqui (tio) Lau, do berço donde nasceste, vos enviamos um grande abraço. E o reconhecimento e agradecimento da família Sousa e Silva do Sul de Trás-os-Montes (Douro) pelo carinho que as gentes flavienses (do Norte de Trás-os-Montes - Alto Tâmega e Barroso), em particular as de São Pedro de Agostém (e Vilela do Tâmega), durante estes 50 anos, vos dedicaram.


Bem hajam.

 

Um abraço fraterno e o desejo a todos os flavienses, alto-tameguenses e barrosões de um Feliz 2016.

 

29.dezembro.2015


Quinta de Santa Isabel-Loureiro


António Tâmara Júnior

 


P.S. Deixamos aos leitores a visualização de um vídeo que tio Nona realizou em 2010, por ocasião das Bodas de Ouro da Ordenação Sacerdotal do (tio) Lau.

 

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