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zassu

24
Fev15

Poesia e Fotografia 25

POESIA E FOTOGRAFIA

 

POEMAS NOS DIÁRIOS DE MIGUEL TORGA

 

 

EXORTAÇÃO

 

 

Meu irmão na distância, homem

Que nesta cama hás-de sofrer:

Que nem a terra nem o céu te domem;

Nenhuma dor te impeça de viver!

 

Cadeia de Leiria, 30 de Novembro de 1939

 

amor-janela.jpg

(Foto in http://www.adilsoncosta.com/canais/poesias/feed/) 

23
Fev15

Poesia e Fotografia 24

POESIA E FOTOGRAFIA

 

POEMAS NOS DIÁRIOS DE MIGUEL TORGA

 

 

EXERCÍCIO ESPIRITUAL

 

Ouço-os de todo o lado.

Eu é que sou assim,

Eu é que sou assado,

Eu é que sou o anjo revoltado,

Eu é que não tenho santidade...

 

Quando, afinal, ninguém

Põe nos ombros a capa da humanidade,

E vem.

 

Leiria, 19 de Novembro de 1939

ph55760344.jpg

 

20
Fev15

Poesia e Fotografia 22

POESIA E FOTOGRAFIA

 

POEMAS NOS DIÁRIOS DE MIGUEL TORGA

 

 

MEMÓRIA

 

Chove.

Mas, afinal, já chove há muitos anos...

O mundo dos meus pés nunca se move

Sem chuva, tristeza e desenganos...

 

Apesar disso,

Lembro-me perfeitamente bem

Do luminoso sol de certo dia...

Um lindo sol que doirava

Num toco que rebentava

Uma folha nascia.

 

Leiria, 6 de Novembro de 1939

2015 - Passeio petonal rio Tâmega (Chaves) (13).j

 

19
Fev15

A propósito de um soneto de Torga em Chaves

 

TORGA EM CHAVES

2015 - Passeio petonal rio Tâmega (Chaves) (49).j

 

Amor

A jovem deusa passa

Com véus discretos sobre a virgindade;

Olha e não olha, como a mocidade;

E um jovem deus pressente aquela graça.

 

Depois, a vida do desejo enlaça

Numa só volta a dupla divindade;

E os jovens deuses abrem-se à verdade,

Sedentos de beber na mesma taça.

 

É um vinho amargo que lhes cresta a boca;

Um condão vago que os desperta e toca

De humana e dolorosa consciência.

 

E abraçam-se de novo, já sem asas.

Homens apenas. Vivos como brasas,

A queimar o que resta da inocência.

 

Miguel Torga, in "Libertação"

 

Se Torga fosse vivo e, numa das suas habituais instâncias, nas Termas de Chaves, visse o uso que acabam de dar a este soneto e à (pseudo)escultura que o acompanha, outro desabafo, concerteza, não teria senão este:

- Que coisa tão cafona!

O nosso escritor e poeta transmontano não poderia aprovar um uso tão banal, que suporta a sua obra.

Torga falou sempre com elevação e altivez de um transmontano. De um humanista que olhava para o «ser português» com grande elevação. E não de banalidades... que outros por essa Europa já quase sem valores, profundamente superficial e narcisista, nos mostra e traz.

Miguel Torga fala-nos de uma raiz autêntica, nossa. Não de reles imitações como esta.

E Chaves, e principalmente Torga em Chaves, merecia mais e muito melhor!

 

Augusto Santos Zassu

18
Fev15

Poesia e Fotografia 21

POESIA E FOTOGRAFIA

 

POEMAS NOS DIÁRIOS DE MIGUEL TORGA

 

 

 

 

Tinha começado o dia desta maneira:

 

Não me digam que não, que não sou eu

Este que vive aqui ao lado dela...

Este que certo dia amanheceu

Com a luz de outra vida na janela...

 

E afinal acabei-o como dantes, torturado, perdido na minha solidão.

 

Caldas da Rainha, 14 de Setembro de 1939

 

2014 - Ílhavo (Costa Nova+Barra) (65).jpg

 

16
Fev15

Poesia e Arte 04

POESIA E ARTE

 

POEMAS NOS DIÁRIOS DE MIGUEL TORGA

 

 

CALMARIA

  

Nada!

Horas e horas neste ponto morto

Onde caiu agora a minha vida...

Nem um desejo, ao menos!

Só instintos pequenos:

Apetite de cama e de comida!

 

Nem sequer ler um livro

Ou conversar comigo, discutir...

Nada!

Neutro, morno, a dormir

Com a carne acordada.

 

Leiria, 22 de Agosto de 1939

 

1020_arte_poster_amadeo_modigliani_expresionismo -

 

 Nu - Amadeo Modigliani (Expressionismo)

 

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