Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

zassu

15
Jul20

Poesia em tempos de desassossego - O caroço do remorso, de Eduardo Guerra Carneiro

 

POESIA EM TEMPOS DE DESASSOSSEGO

 

O CAROÇO DO REMORSO

 

«Ele estava cada vez mais cansado e lá fora as maçãs caíam das árvores»

Peter Handke

(em «A angústia do Guarda-Redes antes do Penalty»)

tumblr_pfovj9kVFU1t10tb7_540

Voltava-lhe outra vez aquele remorso:
a maçã de Adão não lhe cabia
na camisa. Mais do que o medo era
esse tal remorso: o ter deixado a meio
qualquer coisa que podia ter feito.
Procurava razões e nem bolsos tinha
onde as encontrar; fingia esquecer
e outra vez, anda, o remorso batia
no seu cansado peito. Não falemos
de sentidas dores, mágoas, mesmo
da sentimental lágrima: o sentido
é outro. Assim: remoía o caroço.
Mas estava cada vez mais cansado
e lá fora as maçãs caíam das árvores.


Eduardo Guerra Carneiro, 

in Contra a Corrente, Lisboa, & etc., 1988

10
Jul20

Poesia em tempos de desassossego - Aos amigos, Herberto Hélder

 

POESIA EM TEMPOS DE DESASSOSSEGO

 

AOS AMIGOS

amigos11

Amo devagar os amigos que são tristes com cinco dedos de cada lado.

Os amigos que enlouquecem e estão sentados, fechando os olhos,

com os livros atrás a arder para toda a eternidade.

Não os chamo, e eles voltam-se profundamente

dentro do fogo.

-Temos um talento doloroso e obscuro.

construímos um lugar de silêncio.

De paixão.

 

Herberto Hélder

08
Jul20

Poesia em tempos de desassossego - Tristeza, Teixeira de Pascoaes

 

POESIA EM TEMPOS DE DESASSOSSEGO

 

TRISTEZA

2020.- PR7 CHV - Trilho de Seara Velha-Castelões (259)

O sol do outono, as folhas a cair,

A minha voz baixinho soluçando,

Os meus olhos, em lagrimas, beijando

A terra, e o meu espirito a sorrir...

 

Eis como a minha vida vai passando

Em frente ao seu Phantasma... E fico a ouvir

Silêncios da minh'alma e o ressurgir

De mortos que me foram sepultando...

 

E fico mudo, extático, parado

E quási sem sentidos, mergulhando

Na minha viva e funda intimidade...

 

Só a longínqua estrela em mim atua...

Sou rocha harmoniosa á luz da lua,

Petrificada esfinge de saudade...

 

Teixeira de Pascoaes, in 'Elegias'

06
Jul20

Poesia em tempos de desassossego - O Vos Omnes, Miguel Torga

 

POESIA EM TEMPOS DE DESASSOSSEGO

 

O VOS OMNES

 

M.84.20

(Mattia Preti - Veronica com o véu)

 

Ainda que eu cantasse como os outros,

Uma nota saía discordante.

E não é do arranjo da garganta:

Mas por motivos tais e tão ocultos

Que mesmo minha Mãe os desconhece.

Por isso, não digam mal...

Foi, realmente, incómodo que eu viesse.

Mas agora é deixar-me e respeitar-me

Como se faz às pedras das montanhas.

Que o penitente conserve

O seu rosto verdadeiro

No doloroso caminho

Do  Calvário

Para que possa a Verónica

Com a toalha de linho

Tirar-lhe o santo sudário...

 

Miguel Torga

O outro livro de Job, 1936

04
Jul20

Poesia em tempos de desassossego - Fiel, Guerra Junqueiro

 

POESIA EM TEMPOS DE DESASSOSSEGO

 

FIEL

 

682-8c9936c3f32f46ba6db6a35ee0cd16d0

Na luz do seu olhar tão lânguido, tão doce,
Havia o que quer que fosse
D'um íntimo desgosto:
Era um cão ordinário, um pobre cão vadio
Que não tinha coleira e não pagava imposto.
Acostumado ao vento e acostumado ao frio,
Percorria de noite os bairros da miséria
À busca dum jantar.
E ao ver surgir da lua a palidez etérea,
O velho cão uivava uma canção funérea,
Triste como a tristeza oceânica do mar.
Quando a chuva era grande e o frio inclemente,
Ele ia-se abrigar às vezes nos portais;
E mandando-o partir, partia humildemente,
Com a resignação nos olhos virginais.
Era tranquilo e bom como as pombinhas mansas;
Nunca ladrou dum pobre à capa esfarrapada:
E, como não mordia as tímidas crianças,
As crianças então corriam-no a pedrada.

Uma vez casualmente, um mísero pintor
Um boêmio, um sonhador,
Encontrara na rua o solitário cão;
O artista era uma alma heroica e desgraçada,
Vivendo numa escura e pobre água furtada,
Onde sobrava o gênio e onde faltava o pão.
Era desses que têm o rubro amor da glória,
O grande amor fatal,
Que umas vezes conduz às pompas da vitória,
E que outras vezes leva ao quarto do hospital.

E ao ver por sobre o lodo o magro cão plebeu,
Disse-lhe: - "O teu destino é quase igual ao meu:
Eu sou como tu és, um proletário roto,
Sem família, sem mãe, sem casa, sem abrigo;
E quem sabe se em ti, ó velho cão de esgoto,
Eu não irei achar o meu primeiro amigo!..."

No céu azul brilhava a lua etérea e calma;
E do rafeiro vil no misterioso olhar
Via-se o desespero e ânsia d'uma alma,
Que está encarcerada, e sem poder falar.
O artista soube ler naquele olhar em brasa
A eloquente mudez dum grande coração;
E disse-lhe: - "Fiel, partamos para casa:
Tu és o meu amigo, e eu sou o teu irmão.-"

E viveram depois assim por longos anos,
Companheiros leais, heroicos puritanos,
Dividindo igualmente as privações e as dores.
Quando o artista infeliz, exausto e miserável,
Sentia esmorecer o génio inquebrantável
Dos fortes lutadores;
Quando até lhe acudia às vezes a lembrança
Partir com uma bala a derradeira esp'rança,
Pôr um ponto final no seu destino atroz;
Nesse instante do cão os olhos bons, serenos,
Murmuravam-lhe: - Eu sofro, e a gente sofre menos,
Quando se vê sofrer também alguém por nós.

Mas um dia a Fortuna, a deusa milionária,
Entrou-lhe pelo quarto, e disse alegremente:
"Um génio como tu, vivendo como um pária,
Agrilhoado da fome à lúgubre corrente!
Eu devia fazer-te há muito esta surpresa,
Eu devia ter vindo aqui p'ra te buscar;
Mas moravas tão alto! E digo-o com franqueza
Custava-me subir até ao sexto andar.
Acompanha-me; a glória há de ajoelhar-te aos pés!..."
E foi; e ao outro dia as bocas das Frinés
Abriram para ele um riso encantador;
A glória deslumbrante iluminou-lhe a vida
Como bela alvorada esplêndida, nascida
A toques de clarim e a rufos de tambor!

Era feliz. O cão
Dormia na alcatifa à borda do seu leito,
E logo de manhã vinha beijar-lhe a mão,
Ganindo com um ar alegre e satisfeito.
Mas ai! O dono ingrato, o ingrato companheiro,
Mergulhado em paixões, em gozos, em delícias,
Já pouco tolerava as festivas carícias
Do seu leal rafeiro.

Passou-se mais um tempo; o cão, o desgraçado,
Já velho e no abandono,
Muitas vezes se viu batido e castigado
Pela simples razão de acompanhar seu dono.
Como andava nojento e lhe caíra o pelo,
Por fim o dono até sentia nojo ao vê-lo,
E mandava fechar-lhe a porta do salão.
Meteram-no depois num frio quarto escuro,
E davam-lhe a jantar um osso branco e duro,
Cuja carne servira aos dentes d'outro cão.

E ele era como um roto, ignóbil assassino,
Condenado à enxovia, aos ferros, às galés:
Se se punha a ganir, chorando o seu destino,
Os criados brutais davam-lhe pontapés.
Corroera-lhe o corpo a negra lepra infame.
Quando exibia ao sol as podridões obscenas,
Poisava-lhe no dorso o causticante enxame
Das moscas das gangrenas.

Até que um dia, enfim, sentindo-se morrer,
Disse "Não morrerei ainda sem o ver;
A seus pés quero dar meu último gemido..."
Meteu-se-lhe no quarto, assim como um bandido.
E o artista ao entrar viu o rafeiro imundo,
E bradou com violência:
"Ainda por aqui o sórdido animal!
É preciso acabar com tanta impertinência,
Que esta besta está podre, e vai cheirando mal!"
E, pousando-lhe a mão cariciosamente,
Disse-lhe com um ar de muito bom amigo:
"Ó meu pobre Fiel, tão velho e tão doente,
Ainda que te custe anda daí comigo."

E partiram os dois. Tudo estava deserto.
A noite era sombria; o cais ficava perto;
E o velho condenado, o pobre lazarento,
Cheio de imensas mágoas
Sentiu junto de si um pressentimento
O fundo soluçar monótono das águas.

Compreendeu enfim! Tinha chegado à beira
Da corrente. E o pintor,
Agarrando uma pedra atou-lh'a na coleira,
Friamente cantando uma canção d'amor.

E o rafeiro sublime, impassível, sereno,
Lançava o grande olhar às negras trevas mudas
Com aquela amargura ideal do Nazareno
Recebendo na face o ósculo de Judas.
Dizia para si: "É o mesmo, pouco importa.
Cumprir o seu desejo é esse o meu dever:
Foi ele que me abriu um dia a sua porta:
Morrerei, se lhe dou com isso algum prazer."

Depois, subitamente
O artista arremessou o cão na água fria.
E ao dar-lhe o pontapé caiu-lhe na corrente
O gorro que trazia
Era uma saudosa, adorada lembrança
Outrora concedida
Pela mais caprichosa e mais gentil criança,
Que amara, como se ama uma só vez na vida.

E ao recolher a casa ele exclamava irado:
"E por causa do cão perdi o meu tesouro!
Andava bem melhor se o tinha envenenado!
Maldito seja o cão! Dava montanhas d'oiro,
Dava a riqueza, a glória, a existência, o futuro,
Para tornar a ver o precioso objecto,
Doce recordação daquele amor tão puro."
E deitou-se nervoso, alucinado, inquieto.
Não podia dormir.
Até nascer da manhã o vivido clarão,
Sentiu bater à porta! Ergueu-se e foi abrir.
Recuou cheio de espanto: era o Fiel, o cão,
Que voltava arquejante, exânime, encharcado,
A tremer e a uivar no último estertor,
Caindo-lhe da boca, ao tombar fulminado,
O gorro do pintor!

 

Guerra Junqueiro

02
Jul20

Poesia em tempos de desassossego - Água louca da ribeira, Ricardo Ribeiro

 

POESIA EM TEMPOS DE DESASSOSSEGO

 

ÁGUA LOUCA DA RIBEIRA

Cascata de Tahiti - Gerês

Água louca da ribeira

Que corres em cavalgada

Porque não vai devagar?

Não vês nem olhas p'ra nada

Na pressa de ver o mar.

 

Já corri dessa maneira

Nas asas duma ilusão

Na loucura de chegar

Fui deeixando p'ra ladeira

Pedaços de coração

Beijos loucos sem amar

 

Vida que foste vivida

A correr tão velozmente

Paraste à beira do mar

Agora vives perdida

São saudades o que sentes

Por não poder regressar

 

Ricardo Ribeiro

30
Jun20

Poesia em tempos de desassossego - Pequena canção à mulher, Maria Teresa Horta

 

POESIA EM TEMPOS DE DESASSOSSEGO

 

PEQUENA CANÇÃO À MULHER

Venus_de_Urbino,_por_Tiziano

(Vénus de Urbino - Ticiano)

 

Onde uma tem

O cetim

A outra tem a rudeza

 

Onde uma tem

A cantiga

A outra tem a firmeza

 

Tomba o cabelo

Nos ombros

 

O suor pela

Barriga

 

Onde uma tem

A riqueza

A outra tem

A fadiga

 

Tapa a nudez

Com as mãos

 

Procura o pão

Na gaveta

 

Onde uma tem

O vestígio

Tem a outra

A pele seca

 

Enquanto desliza

O fato

Pega a outra na

Enxada

 

Enquanto dorme

Na cama

A outra arranja-lhe

A casa

 

Maria Teresa Horta

28
Jun20

Poesia em tempos de desassossego - O ofício da subtil firmeza, João Madureira

 

POESIA EM TEMPOS DE DESASSOSSEGO

 

O OFÍCIO SUBTIL DA FIRMEZA

71n5Dt3FORL._AC_SL1200_

Viver é um ofício de subtil firmeza.

Este ano vingativo está repleto de signos astrais que indiciam a feliz fragilidade das manhãs que sustentam os dias vagos.

Invento para ti a forma perfeita do sentido.

Empreendo o ritmo azul da paciência.

Apuro o ouvido para uma audição atenta da verdade incorruptível.

Estou exposto à infidelidade invisível da nudez.

Permanece incandescente a mutação ténue da eternidade onde a memória da tristeza tende para o infinito.

Sou subjugado pela penitência da viagem, eu o escrivão surdo da melancolia. (…)

O bem e o mal expandem-se sacramentados pela liturgia dos discursos rigorosos dos sábios.

Quem de entre vós preenche o buraco negro do sentido da vida?

Quem de entre vós explica a súbita iluminação dos poemas de espanto?

Quem de entre vós ousa dizer toda a verdade sem sofismas?

Quem de entre vós tem a coragem de incrementar a inteligência milagrosa do deslumbramento?

Definitivamente, o mundo entra na sua luz de assombro.

Definitivamente, o milagre da eucaristia deixa de ser prodigioso.

Os homens sofrem porque se sustentam de frivolidades.

Os homens sofrem quando pensam que se divertem com o esplendor profano do sagrado.

Os homens narram o inenarrável como se fossem os deuses gregos da ausência e da vacuidade… (…)

… Agora eu sei: há definitivamente uma cicatriz antiga em tudo o que escrevo.

Por isso sofro quando me exalto pensando no ritmo da morte.

João Madureira, in O Poema Infinito

 

25
Jun20

Poesia em tempos de desassossego - Poema em linha reta, Álvaro Campos (Fernando Pessoa)

 

POESIA EM TEMPOS DE DESSASSOSSEGO

 

POEMA EM LINHA RETA

O-Sonho-de-um-Homem-Ridículo.-Aleksandr-Petrov-696x522

(Da curta metragem do conto «O sonho de um homem ridículo», de A. Dostoiévski, 1877)


Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...


Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

 

Álvaro de Campos (Fernando Pessoa)

 

PS - Sugestão do amigo Emídio Almeida

 

Não resistimos em deixar aos(ás) nossos(as) leitores(as), para visualização, a curta metragem do conto de A. Dostoiéski (1877)

O SONHO DE UM HOMEM RIDÍCULO

E não deixem de ler a crítica de Luiz Santiago, em «Revista Prosa Verso e Arte».

 

23
Jun20

Poesia em tempos de desassossego -Menino e Moço, António Nobre

 

POESIA EM TEMPOS DE DESASSOSSEGO

 

MENINO E MOÇO

 

BartolomeEstebanMurillo-Youngboysplayingdice

(Jovens jogando dados, de Bartolomeu Estêvão Murillo, 1618)

 

Tombou

da haste a flor da minha infância alada.

Murchou na jarra de oiro o pudico jasmim:

Voou aos altos céus a pomba enamorada

Que dantes estendia as asas sobre mim.

 

Julguei que fosse eterna a luz dessa alvorada,

E que era sempre dia, e nunca tinha fim

Essa visão de luar que vivia encantada,

Num castelo com torres de marfim!

 

Mas, hoje, as pombas de oiro, aves da minha infância,

Que me enchiam de lua o coração, outrora,

Partiram e no céu evolam-se à distancia!

 

Debalde clamo e choro, erguendo aos céus meus ais:

Voltam na asa do vento os aias que a alma chora,

Elas, porém, senhor, elas não voltam mais...

 

António Nobre

Sobre mim

foto do autor

Pesquisar

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Comentários recentes

  • Anónimo

    Que bela entrada.Saudações dehttps://www.twoformen...

  • zassu

    Obrigado pela coreção.A. souza e Silva

  • Anónimo

    Capela do Socorro (https://viladoconde.com/capela-...

  • Anónimo

    Há decénios que Chaves está em dívida com Miguel T...

  • Fer.Ribeiro

    Sem comentários!

Arquivo

    1. 2020
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2019
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2018
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2017
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2016
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2015
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2014
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2013
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2012
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D