Quinta-feira, 21 de Maio de 2015

Grande Guerra (1914-1918) - 30

 

 

A GRANDE GUERRA (1914-1918)

E A PARTICIPAÇÃO DOS MILITARES DO RI 19 E DO ALTO TÂMEGA NO CONFLITO

 

PRIMEIRA PARTE

CONTEXTO INTERNACIONAL

(DA PLACIDEZ TECTÓNICA AO MOVIMENTO DAS PLACAS) 

 

V

AS FRENTES DE COMBATE

(OU AS GRANDES ONDAS DE CHOQUE)

 

 

2.4.2.3.- O aparecimento dos primeiros carros de combate

 

Foi em setembro de 1916, na Batalha do Somme, que apareceram os primeiros tanques ou carros de combate.

Figura 14.jpg

Os carros de combate aliavam o poder de choque (peso) ao fogo (canhão/metralhadora), ao movimento (motor de explosão) e à proteção (blindagem). Ou seja, abarcavam, com enorme vantagem, os 4 elementos essenciais do combate. “Deslocando-se sobre lagartas - aproveitando a tecnologia dos tratores Caterpillar -, o carro de combate podia acompanhar a infantaria em todo o terreno e a sua blindagem não era perfurável pelas munições de armas ligeiras (espingardas e metralhadoras) nem pelos estilhaços das granadas de artilharia. Só o impacto direto de um projétil de arma pesada podia causar a sua destruição” (itálicos nossos) (Afonso; Gomes, 2013: 233).

Este novo meio de guerra foi, por parte dos Aliados, uma grande vitória técnica sobre a indústria militar alemã.

O primeiro ataque em que participaram os Mark I - assim se chamavam os primeiros modelos de tanque -, desenrolou-se ao longo da estrada de Albert para Bapaume. O seu aparecimento em campo de batalha deixou os alemães aterrorizados. Simplesmente, a sua eficácia foi muito reduzida devido a problemas mecânicos. Neste primeiro ataque só um dos 36 Mark I é que não foi destruído. Os ganhos que inicialmente estes carros produziram, devido a avarias mecânicas complexas, foram supridos pelos posteriores contra-ataques alemães. Aliás, de outubro a novembro de 1916, o Somme haveria de se caraterizar, como já acima Gilbert referia, por constantes cenários de avanços e recuos, ou seja, impasses em termos de conquista de terreno; um cenário de enormes mortandades e feridos - um holocausto!

 

2.4.2.4.- Mudanças na condução da guerra

 

Analisado o ano de 1916, na Frente Ocidental, não era preciso ser-se muito entendido para perceber que foram absolutamente desastrosos para os chefes militares de ambos os lados da contenda.

Não admira, assim, na imprensa, a posição de alguns críticos britânicos quando, a propósito das gigantescas baixas e da incapacidade da sua FEB para romper a frente alemã, ao afirmarem que era «um exército de leões comandado por asnos» (Luís de Alencar Araripe e Martin Gilbert).

Positivamente, os generais que ocupavam os cargos de maior responsabilidade não estavam preparados para enfrentar este tipo de guerra. Por outro lado, estava longe a ligação entre o poder político e o militar em se estabelecer de uma forma absolutamente aberta e franca, um diálogo propiciador de uma eventual abertura que possibilitasse o caminho à diplomacia.

Não choca, pois, chegados a este momento, por um lado, de insucessos no campo de batalha e, por outro, de falta ou ausência de diálogo e cooperação entre as chefias militares e os dirigentes políticos, que não se procedesse à demissão, e subsequente mudança, das chefias militares.

Falkenhayn foi o primeiro a cair: Guilherme II, a 29 de agosto de 1916, demitiu-o. Naturalmente que a intriga e o sucesso na Frente Oriental tinham também a ver com esta mudança. Ocupou o cargo de Falkenhayn a dupla Hindenburg - um velho da direita radical, que trazia a esperança na mudança da estratégia global alemã - e Ludendorff, seu chefe do Estado-Maior. O chanceler Bethmann-Hollweg ficou aliviado quando o velho Hinderburg se mostrou contrário à guerra submarina sem restrições. Mas Bethmann-Hollweg, ciente do prestígio de Hindenburg, também não teve dúvidas que, este chefe militar, tendo ao lado Ludendorff, tomariam conta das operações de guerra ditatorialmente, empurrando o poder político civil para a sombra. O que, na realidade, não se enganou. Mas colaborou nesta base pois, naquela conjuntura, acreditava ser a que melhor servia os interesses alemães.

Com a queda de Falkenhayn, a 12 de dezembro, vem a de Joffre. Para não ferir suscetibilidades ao velho comandante, foi designado «Conselheiro técnico-militar do Governo para a direção da guerra» e elevado à dignidade de Marechal-de-França, com o título de Comandante dos Exércitos Franceses. Para o lugar de comandante das forças combatentes, em território francês, foi nomeado o general Nivelle, prestigiado pela forma como conduziu a parte final da defsa de Verdun.

Na Grã-Bretanha, o ministro da Guerra, Lord Kirchener, a 5 de junho, faleceu, na sequência do afundamento do cruzador Hampshia, quando viajava com destino à Rússia. Lloyd George, ministro das Munições, passa para Ministro da Guerra.

Os insucessos nos campos de batalha e as divergências entre o conservador primeiro-ministro Asquith e o liberal David Lloyd George, quanto ao modelo de atuar dos chefes militares, em que Asquith lhes dava vasta autonomia, ao contrário do que pensava Lloyd George, partidário de um Gabinete restrito que pudesse orientar e controlar a ação da estrutura militar de campanha, fez com que, a 5 de dezembro de 1916, Asquith pedisse a sua demissão. A escolha de Lloyd George para lhe suceder foi quase imediata. A 7 de dezembro de 1916, o ministro, primeiro das Finanças, depois das Munições e, a seguir, da Guerra, passa a ocupar o lugar no nº 10 da Downing Street, sendo, a partir desta data, o Governo da Grã-Bretanha a ser chefiado por um dos políticos mais ilustres do século XX, decidido a impor a supremacia do poder civil quanto às decisões fundamentais da guerra, coisa que, até então, não acontecia. Mas não se pense que Llyod George queria acabar com a guerra, na expressiva expressão de Stone, o seu “objetivo era assestar um KO” (2007: 118). De George Llyod se diz que foi o «Homem Que Ganhou a Guerra» e não «O Homem Que Fez a Paz».

Convém aqui deixar registado que a demissão de Asquith, que comandava um governo conservador-liberal, não teve apenas a ver, e essencialmente, com a condução da guerra por parte dos seus comandantes militares. Há autores que referem questões mais de estratégia política. Na verdade, Asquith era partidário e desejava uma paz branca com o Reich para evitar a sujeição ao poderio invasivo dos Estados Unidos. David Llyod George era partidário, pelo contrário, pela destruição do Reich, fundando, com os Estados unidos, um condomínio atlantista (Venner, 2009: 72).

Face ao descalabro, que Verdun e Somme representavam, em novembro de 1916, os representantes dos países Aliados, pela terceira vez, voltaram-se a reunir em Chantilly para acertaram uma ação convergente para 1917.

Das decisões destes chefes militares decidiu-se: o esforço no Somme; uma outra penetração no dispositivo alemão, junto à costa, para capturar os portos belgas.

No dia em que Nivelle ocupa o lugar de Joffre, o chanceler alemão, Bethmann-Hollweg, pronunciou no Reichtag (parlamento alemão) um discurso, anunciando que a Alemanha, através dos países neutros, iria estabelecer conversações visando o caminho da paz. Woodrow Wilson, o presidente norte-americano, apresentava-se disponível para desempenhar o papel de intermediário nas conversações, sob o lema «nem vencedores nem vencidos». Contudo, a iniciativa foi mal recebida nos países Aliados. A 30 de Dezembro de 1916, uma declaração conjunta dos países Aliados punham em causa as propostas alemãs, que consideravam falhas de sinceridade e que outra coisa não queriam se não obter nítidas vantagens para os seus interesses.

Neste pé, a guerra iria continuar...


publicado por zassu às 12:17
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