Quarta-feira, 22 de Abril de 2015

Grande Guerra (1914-1918) - 2

 

A GRANDE GUERRA (1914-1918)

E A PARTICIPAÇÃO DOS MILITARES DO RI 19 E DO ALTO TÂMEGA NO CONFLITO

Manuel Bernardo.jpg

DEDICATÓRIA 

 

«PAI MANEL»

 

Apenas o recordo pelo Natal quando vinha à terra.

De estatura franzina e cabelos brancos, vejo-o sentado à lareira, cabeça inclinada sobre o lareiro, remexendo, juntamente com as brasas do lume, memórias que não contava, mas que jamais se lhe apagaram.

Num distante ano de 1917, partiu para Flandres, integrado no Batalhão do Regimento de Infantaria nº 19, de Chaves, «para defender a Pátria».

Regressou vivo. E nunca quis contar façanhas ou histórias de mortos que, religiosamente, só as guardava para si, no lugar sagrado das suas memórias íntimas.

Da Flandres percorreu depois mundo à procura de «outros brasis», com outros ares, mais amenos, para a cura dos seus combalidos pulmões que a guerra esmirrou.

Mas a errância foi curta.

O apelo do seu terrunho falou mais alto. No final de contas, não passava de mais um «lãzudo», acorrendo, apressado, ao seu «curral».

«Pai Manel». Era assim como era chamado por todos.

E percebia-se, no modo carinhoso como o chamavam, que sentiam como se também fossem filhos dele.

Não era, pois, apenas o pai de três filhas de uma mulher que a doença, tão precocemente, lha levou, tendo, sozinho, de cuidar delas.

Não se lhe contam feitos extraordinários. Nem tão pouco se prestava a que lhos criassem. Não tinha inclinação para que o aclamassem de herói. Ao ter mergulhado «no abismo do sofrimento e da miséria até ao fundo», vergado «ao peso das armas, da mochila, do capote, do capacete, da máscara, e mais ainda da miséria, da doença, do cansaço e do abandono», «Pai Manel» fez parte daquela legião de gigantes de que Jaime Cortesão fala, ao aprender «a manejar de mil maneiras a foice da Morte».

A sua alma lusitana era a de um viriato, simples, humilde, honesto, anónimo, desconhecido lavrador, que, depois da guerra, aprendeu a arte de carpinteiro.

Como tantos dos seus compatriotas e conterrâneos, não deixou de ser, no seu frágil esqueleto, um bravo, um autêntico soldado que, na sua conduta lisa e exemplar, face aos seus companheiros e superiores, soube dar continuidade ao Portugal que hoje somos.

É, por isso, a justo título, quer os que viveram, quer os que tombaram nas terras tórridas dos trópicos africanos ou nos gélidos pântanos da Flandres, um dos «pais da Pátria».

Que a sua lisa conduta e profundo amor à sua terra sejam seguidos pelos seus bisnetos - Ana Isabel e António Pedro.

 

Aos militares flavienses e altotameguenses, e do RI 19, antigos combatentes da Grande Guerra.


publicado por zassu às 20:31
link do post | comentar | favorito

.mais sobre mim


. ver perfil

. seguir perfil

. 9 seguidores

.Outubro 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9

21

22
23
24
25
26
27
28

29
30
31


.posts recentes

. Poesia e Fotografia 491

. Poesia e Fotografia 490

. Poesia e Fotografia 489

. Poesia e Fotografia 488

. Poesia e Fotografia 487

. Poesia e Fotografia 486

. Poesia e Fotografia 485

. Poesia e Fotografia 484

. Poesia e Fotografia 483

. Poesia e Fotografia 482

.arquivos

. Outubro 2017

. Setembro 2017

. Agosto 2017

. Julho 2017

. Junho 2017

. Abril 2017

. Fevereiro 2017

. Janeiro 2017

. Dezembro 2016

. Novembro 2016

. Outubro 2016

. Setembro 2016

. Agosto 2016

. Julho 2016

. Junho 2016

. Maio 2016

. Fevereiro 2016

. Janeiro 2016

. Dezembro 2015

. Novembro 2015

. Outubro 2015

. Setembro 2015

. Agosto 2015

. Julho 2015

. Junho 2015

. Maio 2015

. Abril 2015

. Março 2015

. Fevereiro 2015

. Maio 2014

. Abril 2014

. Março 2014

. Fevereiro 2014

. Janeiro 2014

. Dezembro 2013

. Setembro 2013

. Julho 2013

. Junho 2013

. Maio 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Agosto 2012

.tags

. todas as tags

.A espreitar

online

.StatCounter


View My Stats

.subscrever feeds