Sexta-feira, 31 de Julho de 2015

Poesia e Fotografia 135

 

 

 

POESIA E FOTOGRAFIA

  

POEMAS NOS DIÁRIOS DE MIGUEL TORGA

 

CONDIÇÃO

 

A onda vem, lambe o areal e parte;

A mágoa vem, morde o meu corpo e fica;

A mágoa ateima, ateima, e quer ser arte,

A onda envergonhou-se de ser bica.

 

E nem a areia seca se revolta,

Nem o meu corpo pode protestar;

A onda anda no mar, à solta,

E a mágoa já tem casa onde morar.

 

Forças sem coração e sem governo

Jogam no pano que lhes apetece;

Pobre de quem padece

O seu capricho eterno...

 

Lavadores, 11 de Agosto de 1946

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Quinta-feira, 30 de Julho de 2015

Poesia e Fotografia 134

 

POESIA E FOTOGRAFIA

  

POEMAS NOS DIÁRIOS DE MIGUEL TORGA

 

MALDIÇÃO

 

Quebrar a calma deste lago morto!

Fazê-lo rio, eterno caminhante!

Barco inquieto que não tenha porto,

Corpo com frio quando o sol levante!

 

Um pedra, talvez... Uma ironia,

Um poema, uma prece...

Mas nem Deus poderia

Salvar o que é feliz porque apodrece.

 

Coimbra, 20 de Julho de 1946

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Quarta-feira, 29 de Julho de 2015

Poesia e Fotografia 133

 

 

POESIA E FOTOGRAFIA

  

POEMAS NOS DIÁRIOS DE MIGUEL TORGA

 

CANÇÃO PARA MINHA MÃE

 

E sem um gesto, sem um não, partias!

Assim a luz eterna se extinguia!

Sem um adeus, sequer, te despedias,

Atraiçoando a fé que nos unia!

 

Terra lavrada e quente,

Regaço de um poeta criador,

Ias-te embora antes do sol- poente,

Triste como semente sem calor!

 

Ias, resignada, apodrecer

À sombra das roseiras outonais!

Cor da alegria, cântico a nascer,

Trocavas por ciprestes pinheirais!

 

Mas eu vim, deusa desenganada!

Vim com este condão que tu conheces,

E toquei essa carne macerada

Da vida palpitante que mereces!

 

Porque tu és a Mãe!

Pariste um dia aos gritos e aos arrancos,

E parirás ainda pelo tempo além,

Mesmo sem madre e de cabelos brancos!

 

És e serás a faia que balança ao vento

E não quebra nem cede!

Se te pediu a paz do esquecimento,

Também a a força de lutar te pede!

 

Respira, pois, seiva de duração,

Nos meus pulmões até, se te cansaste;

Mas que eu sinta bater o coração

No peito onde em menino me embalaste.

 

São Martinho de Anta, 13 de Julho de 1946

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Terça-feira, 28 de Julho de 2015

Poesia e Fotografia 132

 

 

POESIA E FOTOGRAFIA

  

POEMAS NOS DIÁRIOS DE MIGUEL TORGA

 

A CIGANA

 

Lia a sina a cada um

Na palma de cada mão;

Não desgraçava nenhum,

Nem lhe tirava a ilusão.

 

Toda a donzela paria,

Todo o homem navegava;

E nem a moça sofria,

Nem o rapaz naufragava.

 

Um amigo em cada linha,

Um triunfo em cada dedo;

Nos seus lábios ia e vinha

A reserva de um segredo.

 

Não se mostra uma paixão

Tal e qual, à luz do dia:

Cobre-se-lhe o coração

Da rede de uma ironia.

 

Mas quem tem penas no peito,

Entende acenos discretos;

Sabe ficar satisfeito

Com afagos indiretos.

 

Em toda a grande praça

A multidão que a enchia

Vivia daquela graça

E do bem que repartia.

 

Porque nascera cigana,

Sem fronteiras no sorriso

A sua palavra humana

Conhecia o paraíso.

 

E ali, mulher, o mostrava

A quem, faminto, o pedia:

A quem, crédulo, o comprava

Pelo preço que valia.

  

Coimbra, 19 de Junho de 1946

CIGANA a.jpg


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Segunda-feira, 27 de Julho de 2015

Poesia e Fotografia 131

 

 

POESIA E FOTOGRAFIA

  

POEMAS NOS DIÁRIOS DE MIGUEL TORGA

 

BONANÇA

 

Morta a voz da tempestade,

A terra, estendida ao sol,

Enxuga o corpo molhado.

Nuvens de sonho e humidade,

Tiras de um grande lençol,

Ata a testa dos montes.

Numa alegria futura,

Cantam, felizes, as fontes

Que sedes velhas secavam.

E sorriem na lonjura

Coisas que há pouco choravam.

 

Ceira, 12 de Junho de 1946

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Quinta-feira, 23 de Julho de 2015

Poesia e Fotografia 130

 

 

POESIA E FOTOGRAFIA

  

POEMAS NOS DIÁRIOS DE MIGUEL TORGA

 

O VATE

 

A sua voz é de mago,

Faz confidências às cousas;

Arma tormentas num lago,

Levanta os mortos das lousas.

 

Profetiza e vai regando

A raiz do que secou;

É como a brisa passando

Pela vida que parou.

 

Coimbra, 7 de Maio de 1946

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Quarta-feira, 15 de Julho de 2015

Grande Guerra (1914-1918) - 60

 

 

 

A GRANDE GUERRA (1914-1918)

E A PARTICIPAÇÃO DOS MILITARES DO RI 19 E DO ALTO TÂMEGA NO CONFLITO

 

PRIMEIRA PARTE

CONTEXTO INTERNACIONAL

(DA PLACIDEZ TECTÓNICA AO MOVIMENTO DAS PLACAS) 

 

 

CONSIDRAÇÕES FINAIS

 

4.- Carl von Clauswitz e a Grande Guerra

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 (General Carl Von Clausewtiz)

 

Carl von Clausewitz, que analisou o fenómeno da guerra no contexto do período pós-vestefaliano, define a guerra como «um ato de força para compelir nosso inimigo a fazer a nossa vontade» e que, na sua natureza fundamental, inclui uma «trindade paradoxal», cujos elementos são a violência, o acaso e o propósito racional, elementos esses que têm sido uma constante ao longo da história da humanidade. E adianta, quanto a estes três aspetos ou elementos primários, que existem outros três secundários: a violência, enquanto representada pela população; o acaso, pelo comandante e seu exército; o propósito racional, pela política (ou governo).

Basil Liddell Hart acusa Clausewitz de ter sido o responsável, com a sua obra Da Guerra, pela carnificina ocorrida na Grande Guerra, ao defender a guerra ilimitada; por seu lado, John Keegan apelida Clausewitz de «o apóstolo de uma filosofia revolucionária sobre o modo de travar a guerra», afirmando que ele defendia que a guerra irrestrita atendia plenamente os interesses do Estado. Outros autores vêm a terreiro defender Clausewitz afirmando a injusteza destas críticas, pois, ao contrário do que aqueles dois autores afirmam, Clausewitz não defendia basicamente nada: limitou-se a refletir sobre o fenómeno bélico. E chegava a afirmar que a guerra era mais do que um verdadeiro camaleão, porquanto adota as suas caraterísticas básicas em função das circunstâncias. E, como fenómeno total, usa a violência, o ódio e a inimizade como uma força cega em ordem à liquidação do inimigo.

Um outro autor, Robert Baumann, ainda ao contrário de alguns autores, como os acima referidos, e ainda van Creveld e Kaldor, diz que a obra de Carl von Clauswitz, escrita há mais de 150 anos, não está desatualizada, face ao mundo em que hoje vivemos, e defende que as paixões e a fundamentação lógica, que levam os Estados (e grupos) a apostar na guerra (na violência), diferem pouco daquelas que motivaram tribos ou aquilo a que hoje chamamos os que levam a cabo a nova guerra - a guerra étnica, a guerra de guerrilha, a guerra de baixa intensidade, o terrorismo ou a guerra contra o terrorismo. Afinal de contas, existe apenas uma categoria significativa de guerra: a própria guerra.

A violência e o ódio, consubstanciais ao conceito de guerra, está longe ainda de ser erradicado da humanidade que hoje nos é dado viver. Embora já vá longe o tempo daquilo que designámos por grandes conflitos bélicos mundiais - a que chamámos guerras totais -, como a Grande Guerra (ou Primeira Guerra Mundial) e Segunda Guerra Mundial, porventura não vivemos e fazemos outras guerras, nos dias que passam, tão ou mais violentas e mortíferas como aquelas cujos horrores tanto recordamos? Onde está a nossa sensibilidade também para os horrores que hoje, por todos os cantos do mundo, se vivem, e onde se destila tanto ou mais ódio do que os do passado? A violência que se vive em muitas das famílias, no mundo empresarial, nas instituições, no país e em certas zonas do globo, porventura já não produziram tantas ou mais atrocidades e mortes que aquelas, que tanto recordamos, da primeira metade do século XX? É por não serem praticadas em massa que perdem a sua importância, crueza ou crueldade?

Hoje, ao contrário de tentarmos erradicar as causa que levam à guerra, passados mais de 2 mil anos, tentamos recuperar as máximas ou os treze princípios ínsitos na obra de Sun Tzu - A Arte da Guerra -, entre os quais: submeter o inimigo sem combater é a excelência superior; ou, sempre que seja possível, a vitória sobre o inimigo deve ser alcançada através do ataque à sua estratégia, evitando os seus pontos fortes; ou ainda, evita uma confrontação direta decisiva, esperando que a tua estratégia desgaste a opinião pública do teu inimigo. Por acaso, estes princípios ou fórmulas não levam a atitudes agressivas, de luta, competição feroz, propiciadoras e instauradoras de clima de guerra entre pessoas, instituições e povos, pouco facilitadoras da cooperação e da solidariedade, e geradoras dos novos conflitos armados, a que agora designamos simplesmente de nova guerra?

Dizem-nos que os grandes conflitos armados, na sociedade da informação e do ciberespaço já não são possíveis. Mas, afinal de contas, aquilo a que certos autores designam de nova guerra, não serão o mesmo que as guerras antigas combatidas de acordo com fatores e circunstâncias que caracterizam as sociedades às quais os contendores se adaptam para impor a sua vontade, trazendo tanta, ou ainda maior, violência, ódio e destruição?

O fim da guerra e o princípio da paz reside numa forma outra não só de encararmos o Mundo, o Planeta onde nos é dado viver, como o Homem que o habita: na partilha da diferença e na assunção dos conflitos. Entendendo-os como conaturais à natureza humana. Enfrentando-os sem violência. Com um outro olhar. Uma outra visão do Mundo, da Sociedade e do Homem. Uma outra visão e olhar que, por agora, não passa de uma simples utopia. Mas que, nunca, podemos claudicar em alcançá-la...

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Poesia e Fotografia 129

 

 

POESIA E FOTOGRAFIA

  

POEMAS NOS DIÁRIOS DE MIGUEL TORGA

 

AMOR

 

Dorme a vida a meu lado, mas eu velo.

(Alguém há-de guardar este tesoiro!)

E, como dorme, afago-lhe o cabelo,

Que mesmo adormecido é fino e loiro.

 

Só eu sinto bater-lhe o coração,

Vejo que sonha, que sorri, que vive;

Só eu tenho por ela esta paixão

Como nunca hei-de ter e nunca tive.

 

E logo talvez já nem reconheça

Quem zelou esta flor do seu cansaço...

Mas que o dia amanheça

E cubra de poesia o seu regaço!

 

Coimbra, 3 de Maio de 1946

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Grande Guerra (1914-1918) - 59

 

 

A GRANDE GUERRA (1914-1918)

E A PARTICIPAÇÃO DOS MILITARES DO RI 19 E DO ALTO TÂMEGA NO CONFLITO

 

PRIMEIRA PARTE

CONTEXTO INTERNACIONAL

(DA PLACIDEZ TECTÓNICA AO MOVIMENTO DAS PLACAS) 

 

 

CONSIDRAÇÕES FINAIS

 

3.- Do entusiasmo inicial aos números da horrenda chacina

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Quando no verão de 1914 estalou a Grande Guerra, toda uma geração de jovens da Europa e dos territórios europeus em outras partes do mundo saiu alegremente à rua para celebrar a chegada do acontecimento que transformaria as suas vidas para sempre. Pouquíssimos suspeitavam do alcance das transformações. Só alguns conseguiram voltar a casa, carregados de todo o tipo de feridas físicas, psíquicas e espirituais, e muitos dos que regressaram foram incapazes de se adaptar a uma sociedade civil da qual tinham deixado de fazer parte quatro anos antes. “O que viveram estes homens? Porque se entregaram tantos e tão entusiasmados a uma hecatombe sem precedentes? Como reagiram perante o que encontravam na frente da batalha? [...] Estas perguntas [...] a história tradicional, a Grande História, não deu respostas durante décadas [...] Por isso recorreram às fontes que nos falam deles, recuperando para a posteridade uma autêntica torrente de cartas, diários e memórias dos combatentes. Este rico material revelou-se a pedra de toque para compreender a dimensão humana do drama que foi a Grande Guerra [...] A tarefa de resgatar a memória não oficial da guerra está apenas no início, e embora não conheçamos por igual a situação das tropas em todas as frentes do conflito, o que se recuperou até agora permite-nos dar voz aos que sofreram e escutar, arrepiados, o seu relato” (Canal da História, 2013: 216).

Foi esse também o nosso intento.

Na verdade, “o que foi desencadeado não era uma guerra com a que se conhecia até então, mas sim uma guerra industrial em grande escala. A aplicação direta do desenvolvimento industrial e dos seus progressos à guerra teve como resultado a multiplicação do armamento, a logística e a produção bélica mais impressionante que até então se conheciam. Nas palavras do professor Niall Ferguson, «a guerra converteu-se, como muitos contemporâneos esperavam, numa máquina colossal, que devorava homens e munições como matéria-prima». Esta carnificina mecanizada fez com que o número de baixas (tanto de militares como de civis, embora o sofrimento e o número de vítimas da população civil não tenha comparação com a Segunda Guerra Mundial) se contasse por centenas de milhares desde os primeiros meses” (Canal da História, 2013: 222).

A principal condicionante da evolução da humanidade no século XX foi a violência. Aqueles 100 anos têm a duvidosa honra de terem sido o período mais violento de toda a História, em tempo contínuo, “que acolheu o maior número de vítimas e sobretudo o nascimento de novas e esmagadoras formas de infligir danos e matar. A aplicação direta do desenvolvimento industrial e dos seus progressos à guerra deu como fruto a nódoa mais terrível que a consciência humana alberga, uma nódoa indelével, que nos afeta a todos e cuja memória há que preservar se não quisermos repetir os erros do passado” (Canal da História, 2013: 213).

Se, porventura, o desencadeamento da Grande Guerra de 1914-1918 foi o resultado do domínio exercido pelas novas tecnoestruturas sobre o pensamento ou os desígnios da política, tal «progresso» aprecia-se pelos seus resultados.

Diz Martin Gilbert: “Na Primeira Guerra Mundial morreram mais de 9 milhões de soldados de Infantaria, Marinha e Força Aérea. Calcula-se que morreram também 5 milhões de civis em consequência da ocupação, de bombardeamentos, fome e doenças (...)

Entre 1914 e 1918, desenvolveram-se duas guerras muito diferentes. A primeira foi uma guerra de tropas de Infantaria, Marinha e Força Aérea, de marinheiros de marinha mercante e de populações civis sob ocupação, em que o sofrimento individual e a angústia atingiram uma escala massiva, em particular nas trincheiras da linha da Frente. A segunda, foi uma guerra de Gabinetes de Guerra e de soberanos, de propagandistas e idealistas, repletos de ambição e ideais políticos e territoriais, que determinaram o futuro dos impérios, nações e povos, de modo tão contundente como no campo da batalha. Houve momentos, particularmente em 1917 e 1918, em que a combinação da guerra dos exércitos com a guerra das ideologias conduziu à revolução e à capitulação, e à emergência de novas forças nacionais e políticas. A guerra alterou o mapa do destino da Europa da mesma forma que cauterizou a sua pele e deixou marcas na sua alma” (Gilbert,2007: 13-14), determinando o fim da hegemonia de um continente, como já enfatizámos.

A destrutividade da Grande Guerra (Primeira Guerra Mundial), em termos de números de soldados mortos, excedeu a de todas as outras guerras conhecidas da história.

A lista seguinte dá o número dos que foram mortos em combate ou que morreram devido a ferimentos recebidos em combate. Os números são inevitavelmente aproximados, e não referem todas as vítimas da guerra. No caso da Sérvia, morreram mais civis (82 000) do que os soldados que figuram na lista. No exército dos Estados Unidos, morreram mais soldados devido à gripe (62 000) do que os que foram mortos em combate. O número de Arménios massacrados entre 1914 e 1919 foi mais de 1 milhão. O número de civis alemães que morreram como resultado do bloqueio Aliado calcula-se em mais de 750 000.

O número de mortos na guerra entre os principais beligerantes, de acordo com estimativas mínimas, foi o seguinte:

Alemanha                                                      1 800 000

Rússia                                                           1 700 000

França                                                           1 284 000

Áustria-Hungria                                             1 290 000

Grã-Bretanha                                                   740 000

Itália                                                                 615 000

Roménia                                                          335 000

Turquia                                                            325 000

Bulgária                                                             90 000

Canadá                                                             60 000

Austrália                                                            59 000

India                                                                  49 000

Estados Unidos                                                 48 000

Sérvia                                                                45 000

Bélgica                                                              44 000

Nova Zelândia                                                  16 000

África do Sul                                                       8 000

Portugal                                                              7 000

Grécia                                                                 5 000

Montenegro                                                        3 000

As Potencias Centrais, as derrotadas da guerra, perderam 3 500 000 soldados nos campos de batalha. As Potencias Aliadas, as vencedoras, perderam 5 100 000.

Em média, morreram mais de 5 600 soldados em cada dia de guerra. O facto de terem sido mortos 20 000 soldados britânicos no primeiro dia da batalha do Somme, é frequentemente recordado com horror. Em média, morreram um número semelhante de soldados em cada período de quatro dias da Primeira Guerra Mundial” (Gilbert, 2007: 793-794).

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publicado por zassu às 00:47
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Poesia e Fotografia 128

 

 

 

POESIA E FOTOGRAFIA

  

POEMAS NOS DIÁRIOS DE MIGUEL TORGA

 

CANÇÃO A ÉVORA

 

Évora que não és minha

E que eu gostava de ter:

Moira cativa e rainha,

Que não pude converter!

 

Não tenho nas minhas veias

Nem o templo de Diana,

Nem a praça de Geraldo.

Nem a brancura redonda

Da água das tuas fontes...

 

Tenho montes,

Vinho maduro e granito,

E esta certeza de ser

Filho de Cristo e de Judas.

 

Ah! Se eu pudesse mudar,

Já que tu, moira, não mudas!...

 

Évora, 1 de Abril de 1946

2013 - Évora 481.JPG


publicado por zassu às 00:45
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